BRASIL E MUNDO
Operação apura suspeita de fraude em contrato de R$ 108 milhões com ONG ligada à produtora de filme sobre Bolsonaro
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou na manhã desta segunda-feira a Operação Wi-Fi Livre, tendo como principal alvo o Instituto Conhecer Brasil, ONG ligada a Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go UP, responsável pelo filme Dark Horse, obra sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação investiga suspeitas de fraude em um contrato de R$ 108 milhões firmado com a prefeitura paulistana para a instalação de internet gratuita em comunidades da capital.
As apurações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil apontam que a organização assumiu a obrigação de instalar 5 mil pontos de acesso públicos em áreas periféricas no prazo de 12 meses. Segundo os investigadores, porém, apenas 3.200 pontos teriam sido colocados em funcionamento até o momento. Também há suspeita de que pelo menos R$ 16,5 milhões em notas fiscais irregulares tenham sido apresentados para justificar despesas do contrato.
Ao longo da operação, além do instituto, outras empresas subcontratadas também são alvos de diligências. Os agentes cumprem buscas ainda na Secretaria Municipal, onde procuram contratos, prestações de contas e documentos ligados ao termo de colaboração. Ao todo, oito mandados de busca e apreensão foram expedidos para recolher arquivos físicos e digitais, equipamentos eletrônicos, registros financeiros e outros materiais considerados relevantes para a investigação.
A operação repercutiu no meio político. Em evento no Rio de Janeiro, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que a ação “não tem nada a ver com o filme”, em referência ao longa Dark Horse. O parlamentar havia pedido R$ 61 milhões ao empresário Daniel Vorcaro para financiar a produção.
Em nota, a prefeitura de São Paulo afirmou que “repudia veementemente ilações de desvio de recursos públicos” e sustentou que o contrato com o Instituto Conhecer Brasil seguiu “rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade”. O município também informou que colabora com as investigações.
BRASIL E MUNDO
Petrobras anuncia redução de 14,2% no preço do querosene de aviação
A Petrobras comunicou nesta segunda-feira (1º) uma queda de 14,2% no preço do querosene de aviação, conhecido como QAV, vendido às distribuidoras. O reajuste para baixo representa um alívio de R$ 0,93 por litro, fazendo com que o valor cobrado nas refinarias da estatal passe a oscilar entre R$ 5,48 e R$ 5,69.
O alívio no bolso do setor aéreo marca a primeira redução após uma sequência de três altas consecutivas. Apenas no mês de abril, o combustível havia sofrido um salto expressivo de 55%. Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o QAV é o insumo que mais pesa no orçamento das companhias, respondendo por 45% de todos os custos operacionais.
Mesmo com o recuo anunciado para o início deste mês, o combustível de aviões e helicópteros ainda acumula um encarecimento de 54,5% desde janeiro, o que equivale a um aumento de R$ 1,98 por litro no ano. A disparada nos meses anteriores foi motivada pelo acirramento dos conflitos no Oriente Médio, que afetaram diretamente o tráfego no Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de 20% da produção global de gás e óleo.
A estatal justificou que a atual redução é um reflexo direto da estabilização e queda nas cotações internacionais do petróleo. A empresa destacou que sua política de preços funciona como um amortecedor por meio de uma fórmula paramétrica contratual, evitando que a volatilidade diária do mercado externo seja repassada integralmente e mantendo a competitividade do produto no Brasil.
Para ajudar a diluir o impacto financeiro nas contas das companhias aéreas, a Petrobras confirmou que manterá a opção de parcelamento da compra do QAV em até seis vezes, facilidade que havia sido implementada no reajuste de abril. A companhia também garantiu que os volumes solicitados pelas distribuidoras para junho estão assegurados, descartando qualquer risco de desabastecimento.
O setor aéreo também conta com medidas de socorro do governo federal para tentar frear a escalada de custos. No último sábado (30), foi confirmada a prorrogação da isenção de PIS e Cofins sobre o querosene de aviação por mais dois meses, estendendo o benefício fiscal até o dia 31 de julho.
Além do alívio nos tributos federais, as empresas ganharam um prazo maior para quitar as tarifas de navegação aérea cobradas pela Força Aérea Brasileira. Os pagamentos referentes aos meses de julho, agosto e setembro ganharam carência e só precisarão ser desembolsados em dezembro.
No Brasil, a Petrobras é responsável por cerca de 85% de toda a produção de QAV, que é comercializado diretamente com as distribuidoras. Estas, por sua vez, fazem o transporte e a revenda final nos aeroportos. Apesar da forte presença da estatal, o mercado nacional é aberto à livre concorrência, permitindo a atuação de outras empresas tanto na produção quanto na importação do combustível.
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