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BRASIL E MUNDO

Israel ordena evacuação em Beirute e amplia tensão com Hezbollah às vésperas de novas negociações

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Israel ordenou nesta segunda-feira a evacuação de moradores da zona sul de Beirute e elevou o tom contra o Hezbollah, em uma escalada que aprofunda a crise no Oriente Médio e amplia o risco de colapso do cessar-fogo no Líbano. A medida veio acompanhada da ameaça de novos ataques a posições do grupo xiita, caso os foguetes contra território israelense continuem.

A ofensiva marca a incursão terrestre mais profunda de Israel no Líbano em 26 anos e reacende o temor de uma expansão ainda maior do conflito. O anúncio ocorreu poucas horas antes de uma nova rodada de negociações em Washington, em meio a tentativas diplomáticas de conter o avanço da guerra.

Mais cedo, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, havia determinado ataques a “alvos terroristas” na região que concentra a principal base urbana do Hezbollah. Em seguida, o Exército israelense divulgou um alerta pedindo que moradores deixassem a área, densamente povoada, sob risco de bombardeio caso os disparos de foguetes não cessassem.

Do outro lado, o Irã reagiu acusando Israel de ultrapassar “linhas vermelhas” e ameaçando abrir “novas frentes” se a ofensiva continuar. Teerã condiciona qualquer entendimento para o fim da guerra a um cessar-fogo no Líbano, que, segundo as autoridades iranianas, vem sendo violado repetidamente desde abril.

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No início da noite, porém, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter recebido de Netanyahu a garantia de que tropas israelenses não seriam enviadas a Beirute. Segundo ele, o Hezbollah teria aceitado, por meio de intermediários, “cessar totalmente o fogo”.

A França pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, enquanto o presidente Emmanuel Macron afirmou que “nada justifica a escalada maior em curso no sul do Líbano”. A União Europeia também cobrou a interrupção da ofensiva, e a ONU disse estar “muito preocupada” com a deterioração da situação.

Em Beirute, a ordem de evacuação provocou correria. Centenas de famílias deixaram a região sul da cidade a pé, de moto ou em carros carregados de pertences. Moradores relataram pânico generalizado, e ruas e comércios ficaram vazios ao longo da tarde.

No campo militar, o Hezbollah reivindicou ataques com mísseis contra alvos no norte de Israel e disse ter enfrentado tropas israelenses nas imediações da fortaleza de Beaufort, ponto estratégico no sul do Líbano. Israel afirma ter tomado a área no domingo e classificou o avanço como um “ponto de virada” da operação.

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A violência se espalhou por diversas localidades libanesas. Segundo a Agência Nacional de Informação do Líbano, mais de 40 áreas foram atingidas nesta segunda-feira, inclusive nas proximidades de um hospital em Tiro. Equipes de resgate trabalharam para apagar incêndios em estruturas atingidas, e vídeos divulgados pelo Ministério da Saúde mostraram danos em parte da unidade.

O presidente libanês, Joseph Aoun, chamou a ofensiva de “agressão feroz”, mas reiterou que a negociação continua sendo a única via para encerrar a guerra. Desde 2 de março, mais de 3.412 pessoas morreram no Líbano e mais de um milhão foram deslocadas, segundo autoridades locais. Do lado israelense, 26 pessoas morreram.

A crise já tem reflexos econômicos. Com a escalada das tensões e as incertezas em torno das negociações entre Estados Unidos e Irã, os preços do petróleo voltaram a subir com força no mercado internacional, em meio ao temor de novos impactos sobre rotas estratégicas do Oriente Médio.

*Com Agências

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Operação apura suspeita de fraude em contrato de R$ 108 milhões com ONG ligada à produtora de filme sobre Bolsonaro

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A Polícia Civil de São Paulo deflagrou na manhã desta segunda-feira a Operação Wi-Fi Livre, tendo como principal alvo o Instituto Conhecer Brasil, ONG ligada a Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go UP, responsável pelo filme Dark Horse, obra sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação investiga suspeitas de fraude em um contrato de R$ 108 milhões firmado com a prefeitura paulistana para a instalação de internet gratuita em comunidades da capital.

As apurações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil apontam que a organização assumiu a obrigação de instalar 5 mil pontos de acesso públicos em áreas periféricas no prazo de 12 meses. Segundo os investigadores, porém, apenas 3.200 pontos teriam sido colocados em funcionamento até o momento. Também há suspeita de que pelo menos R$ 16,5 milhões em notas fiscais irregulares tenham sido apresentados para justificar despesas do contrato.

Ao longo da operação, além do instituto, outras empresas subcontratadas também são alvos de diligências. Os agentes cumprem buscas ainda na Secretaria Municipal, onde procuram contratos, prestações de contas e documentos ligados ao termo de colaboração. Ao todo, oito mandados de busca e apreensão foram expedidos para recolher arquivos físicos e digitais, equipamentos eletrônicos, registros financeiros e outros materiais considerados relevantes para a investigação.

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A operação repercutiu no meio político. Em evento no Rio de Janeiro, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que a ação “não tem nada a ver com o filme”, em referência ao longa Dark Horse. O parlamentar havia pedido R$ 61 milhões ao empresário Daniel Vorcaro para financiar a produção.

Em nota, a prefeitura de São Paulo afirmou que “repudia veementemente ilações de desvio de recursos públicos” e sustentou que o contrato com o Instituto Conhecer Brasil seguiu “rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade”. O município também informou que colabora com as investigações.

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