BRASIL E MUNDO
Governo Federal cria programa de R$ 30 bilhões para motoristas de aplicativos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta terça-feira (19), em São Paulo, a medida provisória que cria o Move Aplicativos, iniciativa que faz parte do programa Move Brasil, que vai oferecer linhas especiais de financiamento para compra de carros novos a juros mais baixos para motoristas de aplicativos e taxistas. 

“Um carro que custa R$ 143 mil, financiado em 72 meses, vai permitir que vocês paguem R$ 3 mil de financiamento”, explicou Lula.
“Muitas vezes um companheiro que trabalha de Uber prefere alugar o carro porque a manutenção é muito cara. Mas com o carro novo, a manutenção vai ser mais rara. E o que vai acontecer é que você estará pagando metade do que você pagava e com um patrimônio que será seu. Esse dinheiro vai sobrar para o seu filho, para a sua mulher e para a sua filha. Ele será extraordinariamente vantajoso para vocês”, acrescentou.
O presidente Lula também assinou a medida provisória que reduz as exigências e os requisitos necessários para o trabalho de mototaxistas e motoboys.
“A medida provisória vai acabar com a obrigatoriedade do curso do motofrete, com a obrigatoriedade da placa vermelha e com a obrigatoriedade do mínimo de 20 anos para trabalhar como motofrete”, explicou o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos.
O Move Aplicativos será voltado para taxistas registrados, ativos e com regularidade fiscal, e para motoristas de aplicativos com cadastro ativo há pelo menos um ano e com, no mínimo, 100 corridas pelo mesmo período, na mesma plataforma.
A nova linha de crédito vai oferecer até R$ 30 bilhões para os motoristas, com condições especiais para financiamento de veículos novos e sustentáveis.
Os recursos, segundo o governo federal, vão ser repassados pelo Ministério da Fazenda ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que vai operacionalizar o programa.
“Nossa estimativa é que em torno de 1,4 milhão de trabalhadores vão poder acessar o programa. As empresas de aplicativos vão nos passar o cadastro e demonstrar que esse motorista trabalhou pelo menos um ano e que ele fez pelo menos 100 corridas. E daí esse motorista poderá então participar desse empréstimo. Os táxis serão a mesma coisa”, explicou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Os carros novos poderão custar até R$ 150 mil e precisa ser de montadora habilitada no programa e enquadrado como sustentável, podendo ser flex, elétrico ou híbrido a etanol.
Os valores das taxas de juros e prazos ainda vão ser definidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) ainda esta semana.
Segundo Mercadante, as montadoras que vão participar do programa também precisarão atender a algumas exigências, como o preço do veículo, que terá que ser abaixo da tabela.
A expectativa do governo é que sejam comercializados, no mínimo, 200 mil carros, disse Mercadante.
“A taxa de juros [para o financiamento] vai ser de 12,6% ao ano para homens. Para mulheres, será de 11,5%, e elas também vão poder financiar equipamentos de segurança”, anunciou Mercadante.
De acordo com o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, o programa “é um pacote de pai para filho” e vai oferecer também seis meses de carência para os motoristas.
“Você pega um carro agora e só vai pagar a primeira parcela daqui a seis meses. E terá 72 meses para pagar [o financiamento]”, explicou.
Essa nova linha de financiamento, de acordo com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Marcio Elias Rosa, estará disponível a partir do dia 19 de junho.
“Quem, eventualmente, financiar R$ 100 mil para comprar um carro, pagaria hoje em torno de R$ 4,2 mil de locação. Mas financiando o seu carro próprio em 72 meses, a parcela paga ficará em torno de R$ 2,5 mil. Se ele comprar um carro financiado de R$ 149 mil, com esse financiamento de 72 meses e carência de seis meses, ele vai pagar em torno de R$ 3.850 mil de prestação, enquanto a locação desse carro seria em torno de R$ 6 mil. Ou seja, ele vai pagar de prestação ao longo de 72 meses a metade do que pagaria de locação hoje”, disse o ministro.
Para se habilitar, o motorista precisa preencher um cadastro na plataforma gov.br/movebrasil. Em um prazo de até cinco dias após o cadastro, será informado se poderá participar do programa.
A partir do dia 18 de junho, quem recebeu a confirmação de participação no programa poderá procurar as concessionárias e instituições financeiras para análise de crédito.
Outras medidas
Segundo Boulos, o governo federal também planeja criar outras medidas para beneficiar motoristas de aplicativos, especialmente os mototaxistas e motoboys.
Entre as medidas está a criação de 100 pontos de apoio para motoristas de aplicativos, equipados com banheiros, áreas de descanso e pontos de carregamento de celulares.
Outra medida que o governo pretende adotar, segundo Boulos, é incorporar como acidente de trabalho os acidentes ocorridos com motoristas de aplicativos.
“Infelizmente é muito frequente o acidente com moto nas grandes cidades e hoje isso é tratado como acidente comum. A partir dessa nova definição, que foi tomada e assinada pelo SUS, todas as UPAs e prontos socorros do país vão estar orientados a colocar o prontuário desse acidente como acidente de trabalho, para que você possa buscar o seu direito pela justiça”, explicou Boulos.
Em discurso durante o lançamento do programa, o presidente Lula anunciou que o governo federal está planejando criar também um programa de financiamento para os mototaxistas e motoboys.
“Conversamos com várias empresas aqui, mas ainda não foi possível a gente acertar o ponto. As motos aqui no Brasil são mais caras. Mas eu ainda sonho em poder dar aos motoqueiros deste país o direito de comprar uma moto boa, de qualidade, e com preço mais acessível financiado pelo governo”, afirmou.
O evento, na Casa de Portugal, reuniu ministros, sindicalistas, presidentes de bancos e de entidades patronais como Febraban e Anfavea, além de ex-ministros e pré-candidatos às eleições.
Também esteve presente ao evento o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, a primeira-dama, Janja da Silva, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, que foi bastante aplaudido pelo público presente.
BRASIL E MUNDO
Flávio Bolsonaro admite encontro com banqueiro do Master após prisão
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Palácio do Planalto, confirmou nesta terça-feira (19) que se reuniu com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, depois que o empresário foi preso pela primeira vez, em novembro de 2025, no âmbito da Operação Compliance Zero. O encontro ocorreu enquanto Vorcaro já usava tornozeleira eletrônica e estava proibido de deixar a cidade de São Paulo.
Segundo o senador, a reunião serviu para encerrar formalmente a participação do banqueiro na produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Fui sim ao encontro dele para botar um ponto final nessa história. E para dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo”, declarou Flávio a jornalistas.
A declaração foi dada dias após o portal The Intercept Brasil divulgar áudios e mensagens em que o senador cobra Vorcaro pessoalmente pelo repasse de recursos. De acordo com a reportagem, o banqueiro teria acordado destinar R$ 134 milhões à produção cinematográfica, dos quais ao menos R$ 61 milhões foram efetivamente liberados.
Até a publicação das mensagens, Flávio negava qualquer relação com Vorcaro. Com o vazamento dos áudios, passou a admitir o contato, alegando que se aproximou do banqueiro em 2024, após o fim do governo Bolsonaro, e antes de a Polícia Federal e o Judiciário reunirem as provas do que pode ser a maior fraude já cometida contra o Sistema Financeiro Nacional, com potencial prejuízo de dezenas de bilhões de dólares.
O publicitário Thiago Miranda, dono da agência MiThi, foi quem apresentou Flávio a Vorcaro, segundo o produtor executivo e roteirista do filme, deputado federal Mário Frias (PL-SP). Miranda é suspeito de ter contratado influenciadores digitais para uma campanha organizada contra o Banco Central em favor do Master. Ele já confirmou a mais de um veículo de imprensa que intermediou o aporte milionário. A versão foi endossada por Flávio nesta terça.
“Ele me disse que conhecia uma pessoa que já havia investido em outros filmes. E me apresentou este investidor, o Vorcaro. Uma pessoa que, na época, circulava em todas as rodas, aqui em Brasília, ia a eventos com a presença de ministros, alta-roda de empresários, patrocinava eventos de várias emissoras de televisão, inclusive fora do Brasil”, justificou o senador, afirmando que considerava o banqueiro alguém “acima de qualquer suspeita”.
De acordo com Flávio, Vorcaro cumpriu o combinado até maio de 2025, quando começou a atrasar os repasses, feitos por intermédio de outras empresas e fundos de financiamento. O senador afirmou que cobrava o banqueiro e ouvia como resposta que ele honraria integralmente o contrato. O áudio revelado pelo The Intercept Brasil, em que Flávio pede “uma luz, uma palavra final”, foi enviado pouco antes da primeira prisão de Vorcaro.
“Logo depois que eu enviei aquele áudio, o Vorcaro foi preso. Nesse momento, vimos que deu uma virada de chave. Entendemos melhor que a situação era muito mais grave”, admitiu.
Vorcaro passou dez dias detido na primeira fase da Compliance Zero, sendo libertado por determinação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Ele voltou a ser preso em 4 de março, na terceira etapa da operação. Em novembro de 2025, o Banco Central oficializou a liquidação extrajudicial de instituições financeiras do conglomerado Master.
Ao final da entrevista, Flávio informou que solicitou à produtora do filme uma prestação de contas transparente do orçamento e disse ter pedido que eventuais lucros futuros sejam colocados à disposição da Justiça.
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