BRASIL E MUNDO
Flávio Bolsonaro admite encontro com banqueiro do Master após prisão
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Palácio do Planalto, confirmou nesta terça-feira (19) que se reuniu com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, depois que o empresário foi preso pela primeira vez, em novembro de 2025, no âmbito da Operação Compliance Zero. O encontro ocorreu enquanto Vorcaro já usava tornozeleira eletrônica e estava proibido de deixar a cidade de São Paulo.
Segundo o senador, a reunião serviu para encerrar formalmente a participação do banqueiro na produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Fui sim ao encontro dele para botar um ponto final nessa história. E para dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo”, declarou Flávio a jornalistas.
A declaração foi dada dias após o portal The Intercept Brasil divulgar áudios e mensagens em que o senador cobra Vorcaro pessoalmente pelo repasse de recursos. De acordo com a reportagem, o banqueiro teria acordado destinar R$ 134 milhões à produção cinematográfica, dos quais ao menos R$ 61 milhões foram efetivamente liberados.
Até a publicação das mensagens, Flávio negava qualquer relação com Vorcaro. Com o vazamento dos áudios, passou a admitir o contato, alegando que se aproximou do banqueiro em 2024, após o fim do governo Bolsonaro, e antes de a Polícia Federal e o Judiciário reunirem as provas do que pode ser a maior fraude já cometida contra o Sistema Financeiro Nacional, com potencial prejuízo de dezenas de bilhões de dólares.
O publicitário Thiago Miranda, dono da agência MiThi, foi quem apresentou Flávio a Vorcaro, segundo o produtor executivo e roteirista do filme, deputado federal Mário Frias (PL-SP). Miranda é suspeito de ter contratado influenciadores digitais para uma campanha organizada contra o Banco Central em favor do Master. Ele já confirmou a mais de um veículo de imprensa que intermediou o aporte milionário. A versão foi endossada por Flávio nesta terça.
“Ele me disse que conhecia uma pessoa que já havia investido em outros filmes. E me apresentou este investidor, o Vorcaro. Uma pessoa que, na época, circulava em todas as rodas, aqui em Brasília, ia a eventos com a presença de ministros, alta-roda de empresários, patrocinava eventos de várias emissoras de televisão, inclusive fora do Brasil”, justificou o senador, afirmando que considerava o banqueiro alguém “acima de qualquer suspeita”.
De acordo com Flávio, Vorcaro cumpriu o combinado até maio de 2025, quando começou a atrasar os repasses, feitos por intermédio de outras empresas e fundos de financiamento. O senador afirmou que cobrava o banqueiro e ouvia como resposta que ele honraria integralmente o contrato. O áudio revelado pelo The Intercept Brasil, em que Flávio pede “uma luz, uma palavra final”, foi enviado pouco antes da primeira prisão de Vorcaro.
“Logo depois que eu enviei aquele áudio, o Vorcaro foi preso. Nesse momento, vimos que deu uma virada de chave. Entendemos melhor que a situação era muito mais grave”, admitiu.
Vorcaro passou dez dias detido na primeira fase da Compliance Zero, sendo libertado por determinação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Ele voltou a ser preso em 4 de março, na terceira etapa da operação. Em novembro de 2025, o Banco Central oficializou a liquidação extrajudicial de instituições financeiras do conglomerado Master.
Ao final da entrevista, Flávio informou que solicitou à produtora do filme uma prestação de contas transparente do orçamento e disse ter pedido que eventuais lucros futuros sejam colocados à disposição da Justiça.
BRASIL E MUNDO
Vorcaro deixa sala especial na PF e é levado para cela comum em Brasília
O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foi transferido nesta segunda-feira (18) para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A mudança foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, responsável pela relatoria das apurações que envolvem suspeitas de fraudes ligadas à instituição financeira.
Desde março, Vorcaro estava custodiado em uma sala de estado-maior na sede da PF, o mesmo espaço que chegou a abrigar o ex-presidente Jair Bolsonaro antes da concessão de prisão domiciliar. Nesse período, ele tinha acesso facilitado a advogados que conduziram a proposta de acordo de delação apresentada neste mês à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.
Com a formalização da proposta, o banqueiro retorna agora à carceragem da corporação, onde passa a cumprir regras mais rígidas para contato com a defesa. A alteração no local de custódia ocorre em meio ao avanço das investigações sobre o caso Banco Master.
Vorcaro voltou a ser preso no dia 4 de março, durante a terceira etapa da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura supostas fraudes financeiras no Master e também suspeitas relacionadas à tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília, o BRB, banco público vinculado ao Governo do Distrito Federal.
A movimentação em torno do acordo de colaboração e a decisão de transferi-lo para uma cela comum marcam um novo desdobramento de uma investigação que segue sob acompanhamento do STF, da PF e da PGR.
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