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Estamos vivendo uma nova era no tratamento da obesidade?
Durante muito tempo, falar sobre obesidade significava, quase sempre, falar sobre perda de peso. O sucesso do tratamento era medido quase exclusivamente pelos quilos eliminados na balança, enquanto a própria doença permanecia cercada por estigmas, julgamentos e pela falsa ideia de que bastava “ter força de vontade” para emagrecer.
Nos últimos anos, porém, a ciência vem promovendo uma mudança profunda nessa forma de enxergar a obesidade. Hoje, ela é reconhecida como uma doença crônica, complexa e multifatorial, que envolve alterações hormonais, genéticas, metabólicas e ambientais. Mais do que reconhecer a obesidade como uma doença, passamos a compreender que seu impacto vai muito além do excesso de peso.
A obesidade aumenta significativamente o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão arterial, alterações do colesterol, problemas articulares, alguns tipos de câncer, doenças do fígado, distúrbios do sono e diversas outras condições que comprometem a qualidade e a expectativa de vida.
É justamente nesse contexto que podemos dizer que estamos entrando em uma nova era no tratamento da obesidade.
Pela primeira vez, dispomos de medicamentos que demonstram benefícios que vão além da redução do peso corporal. Grandes estudos clínicos passaram a comprovar que esses tratamentos também são capazes de reduzir complicações diretamente relacionadas à obesidade, modificando a sua evolução e proporcionando ganhos concretos para a saúde.
Um dos avanços mais importantes foi a demonstração da redução do risco de eventos cardiovasculares em pessoas com obesidade e doença cardiovascular estabelecida, um resultado extremamente relevante quando lembramos que infarto e acidente vascular cerebral continuam entre as principais causas de morte no mundo.
Outro benefício importante tem sido observado na apneia obstrutiva do sono, condição que provoca interrupções repetidas da respiração durante o sono e está fortemente associada ao excesso de peso. Além de prejudicar o descanso, a apneia aumenta o risco de hipertensão, arritmias cardíacas e doenças cardiovasculares. A perda de peso promovida pelos novos tratamentos tem mostrado impacto significativo também nessa condição.
As pesquisas também avançam rapidamente em relação à doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), popularmente conhecida como gordura no fígado. Essa condição afeta milhões de pessoas e pode evoluir para inflamação, fibrose, cirrose e até câncer hepático. Os resultados obtidos até o momento são bastante promissores e reforçam o potencial desses tratamentos em diferentes manifestações da obesidade.
Isso representa uma mudança importante de perspectiva. O objetivo do tratamento deixa de ser exclusivamente emagrecer para caber em um determinado padrão estético. A perda de peso continua sendo fundamental, mas passa a ser entendida como parte de uma estratégia maior: reduzir inflamação, proteger órgãos, prevenir complicações e aumentar a expectativa de vida com mais saúde.
Essa evolução também reforça uma mensagem importante: a obesidade não deve ser encarada como falta de disciplina nem como consequência de escolhas individuais isoladas. Trata-se de uma doença que exige acompanhamento médico, mudanças no estilo de vida e, quando indicado, tratamento medicamentoso baseado em evidências científicas.
É importante destacar que nenhuma medicação substitui hábitos saudáveis. Alimentação equilibrada, atividade física regular, sono de qualidade e cuidado com a saúde mental continuam sendo pilares indispensáveis do tratamento. Os medicamentos surgem como aliados, indicados para pacientes específicos e sempre dentro de uma abordagem individualizada.
Talvez a maior transformação dessa nova era não esteja apenas nas novas opções terapêuticas, mas na forma como passamos a compreender a obesidade. Quando deixamos de enxergá-la apenas pela balança e passamos a reconhecer todas as doenças que ela pode provocar, entendemos que tratar a obesidade é, acima de tudo, investir em mais saúde, mais qualidade de vida e mais longevidade.
Estamos vivendo uma nova era porque hoje sabemos que tratar a obesidade significa muito mais do que promover perda de peso. Significa prevenir doenças, proteger a saúde e oferecer às pessoas a oportunidade de viver mais e melhor.
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Celebrar a ortopedia é enaltecer o movimento e a qualidade de vida
Por Mara Gonçalves
No dia 19 de setembro, celebramos o Dia do Ortopedista. Mais do que uma data dedicada a homenagear os profissionais que escolheram cuidar do sistema musculoesquelético, é também um momento para refletirmos sobre a história da especialidade, sua evolução e, principalmente, sobre a importância que a ortopedia exerce na vida das pessoas.
A própria escolha da data está diretamente ligada à história da ortopedia brasileira, pois em 19 de setembro de 1935 foi fundada a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), entidade que, ao longo de nove décadas, se consolidou como uma referência na formação, atualização científica e representação dos especialistas no país. Pouco tempo depois, foi realizado o primeiro Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia, marcando o início de uma trajetória de organização e desenvolvimento da especialidade no Brasil.
Mas a história da ortopedia é muito mais antiga e acompanha a própria busca da humanidade por compreender o corpo, tratar deformidades, corrigir lesões e devolver autonomia às pessoas. Ao longo dos séculos, o conhecimento médico evoluiu de métodos ainda rudimentares para técnicas cada vez mais precisas, impulsionadas pelo avanço da cirurgia, da anestesia, dos exames de imagem, dos implantes e, mais recentemente, das novas tecnologias.
Hoje, a ortopedia está presente em diferentes momentos da vida e é a especialidade que acompanha o desenvolvimento das crianças, trata lesões e deformidades, auxilia atletas e praticantes de atividade física, atende vítimas de traumas e acidentes e contribui para a preservação da mobilidade e da independência ao longo do envelhecimento. Cuidar dos ossos, articulações, músculos, ligamentos e tendões é, em essência, cuidar de algo fundamental: a capacidade de se movimentar.
E movimento não significa apenas caminhar, mas também trabalhar, brincar, praticar esportes, realizar atividades simples do cotidiano e manter a autonomia. Por isso, o trabalho do ortopedista não deve ser lembrado apenas quando surge uma dor, uma fratura ou uma lesão. A especialidade também tem um papel importante na prevenção, na orientação e na promoção da saúde musculoesquelética.
Vivemos, inclusive, um momento em que esse olhar preventivo se torna cada vez mais necessário. O aumento do sedentarismo, o excesso de tempo diante das telas, o envelhecimento da população e a prática inadequada de atividades físicas são alguns dos desafios que reforçam a necessidade de conscientização sobre os cuidados com o corpo e a importância de buscar orientação especializada.
Neste contexto, a atualização constante do médico é indispensável. A ortopedia é uma especialidade ampla, que reúne diferentes áreas de atuação e está em permanente transformação. Novas técnicas, tecnologias, materiais e conhecimentos científicos surgem continuamente, exigindo estudo e aperfeiçoamento ao longo de toda a carreira.
Em Mato Grosso, a SBOT-MT desempenha um papel essencial ao aproximar os especialistas, estimular a troca de experiências e contribuir para a atualização científica e o fortalecimento da ortopedia no Estado. Uma sociedade regional forte representa não apenas um espaço de integração entre colegas, mas também uma oportunidade permanente de crescimento profissional e de construção coletiva de uma medicina cada vez mais qualificada.
Celebrar o Dia do Ortopedista, portanto, é reconhecer uma profissão que exige conhecimento técnico, dedicação, atualização e, acima de tudo, compromisso com as pessoas. Por trás de cada tratamento, existe alguém que deseja voltar a caminhar sem dor, retornar ao trabalho, praticar um esporte, recuperar sua independência ou simplesmente realizar atividades que fazem parte da vida.
Neste 19 de setembro, fica a nossa homenagem a todos os médicos ortopedistas de Mato Grosso e do Brasil, que diariamente colocam seu conhecimento e experiência a serviço da saúde, da mobilidade e da qualidade de vida.
Dra. Mara Gonçalves é médica ortopedista, especialista em Ortopedia, Traumatologia e Cirurgia da Mão. Atual Presidente da SBOT-MT.
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