Mato Grosso
Rede de proteção discute aprimoramento do monitoramento eletrônico de agressores
Representantes do sistema de Justiça e das forças de segurança de Mato Grosso se reuniram nesta quarta-feira (16), no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), para discutir medidas voltadas ao aprimoramento do monitoramento eletrônico de agressores de mulheres. O encontro também teve como objetivo construir um fluxo integrado para acompanhar homens submetidos a medidas cautelares com uso de tornozeleira eletrônica no Estado.
A reunião contou com a participação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), do Poder Judiciário, do Gabinete de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, das secretarias de Estado de Segurança Pública e de Justiça, da Polícia Judiciária Civil, da Polícia Militar e de outras instituições que integram a rede de enfrentamento à violência doméstica e familiar.
Os trabalhos foram conduzidos pela desembargadora Vandymara Galvão Ramos Paiva Zanolo, presidente da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT). Durante a reunião, a delegada Mariell Antonini Dias, chefe do Gabinete de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher do Governo de Mato Grosso, apresentou pontos considerados fundamentais para garantir a efetividade do monitoramento, especialmente em municípios de pequeno porte.
Entre os assuntos debatidos estiveram o acompanhamento dos agressores monitorados, a fiscalização das medidas protetivas, a atuação da Patrulha Maria da Penha, o compartilhamento de informações entre os órgãos e os procedimentos que devem ser adotados quando houver alertas ou situações de risco.
Para a desembargadora Vandymara, a integração entre as instituições é necessária para que os protocolos de proteção sejam adaptados às diferentes situações enfrentadas no atendimento às vítimas.
“A violência doméstica apresenta desafios que exigem uma atuação permanente e articulada. Os protocolos precisam ser atualizados e aprimorados à medida que novas situações surgem. Por isso, é tão importante reunir Judiciário, forças de segurança e os demais integrantes da rede, compartilhar o que cada instituição vivencia e, a partir dessas experiências, construir soluções conjuntas”, afirmou.
Protocolo e capacitação
Durante o encontro, o Gabinete de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher anunciou que vai articular, por meio da Rede Estadual de Enfrentamento da Violência Contra a Mulher, a criação de um grupo de trabalho para elaborar um protocolo específico sobre o monitoramento eletrônico.
Segundo a delegada Mariell Antonini, a proposta também prevê a realização de capacitações para orientar juízes, promotores, delegados e demais profissionais que atuam no atendimento às vítimas.
“Nos comprometemos a discutir de forma mais célere esse protocolo em rede e trazer uma solução, além de uma grande capacitação sobre o monitoramento, para tratarmos toda essa problemática e apresentarmos aos juízes, promotores, delegados e a todos que trabalham no atendimento e precisam de orientação sobre o monitoramento”, declarou.
Representando o MPMT, a procuradora de Justiça Elisamara Portela destacou o Protocolo de Intenções firmado em setembro de 2025 pelo Governo do Estado, pelas secretarias de Segurança Pública e de Justiça, pelo TJMT e pelo Ministério Público. O documento estabelece diretrizes para aperfeiçoar a monitoração eletrônica, integrar os fluxos institucionais e garantir respostas mais rápidas em casos de descumprimento de medidas protetivas.
A procuradora ressaltou que a atualização dos procedimentos é necessária diante das mudanças na legislação e dos desafios encontrados na rotina operacional. Ela defendeu o fortalecimento da resposta aos alertas, a melhoria do sistema e a capacitação permanente das equipes envolvidas no atendimento às mulheres.
Elisamara também chamou atenção para a necessidade de ampliar as informações repassadas às vítimas sobre o funcionamento da tornozeleira eletrônica e da Unidade Portátil de Rastreamento (UPR). Entre os pontos que precisam ser explicados estão a retirada dos equipamentos, os alertas emitidos e as providências que devem ser tomadas em cada situação.
“É fundamental que a mulher compreenda como a tecnologia funciona e se sinta segura para utilizá-la, para que o instrumento cumpra efetivamente sua finalidade de proteção”, afirmou.
A promotora de Justiça Claire Vogel Dutra, coordenadora do Núcleo das Promotorias de Justiça de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar da Capital — Espaço e Observatório Caliandra — também defendeu o reforço das orientações às vítimas.
“Temos que voltar o olhar quando houver essas medidas que beneficiam a vítima, com o cuidado de explicar o funcionamento. Mais de 70% dos feminicidas têm antecedentes criminais e, por isso, o monitoramento é muito importante”, declarou.
Integração entre sistemas
A secretária de Estado de Segurança Pública, coronel Susane Tamanho, destacou a importância da integração dos sistemas utilizados pelas instituições para acelerar o compartilhamento de dados sobre os agressores monitorados.
De acordo com a secretária, um termo de cooperação firmado recentemente entre a Secretaria de Estado de Justiça e a Sesp prevê a participação dos agentes de segurança pública no desenvolvimento das ações de monitoramento.
“Tivemos um termo de cooperação recente da Sejus com a Sesp, para que o monitoramento também seja desenvolvido pelos agentes de segurança pública da Sesp”, explicou.
Susane também citou a utilização da Cabine Lilás como uma ferramenta de acompanhamento e resposta às ocorrências de violência contra a mulher. A expectativa é que a integração tecnológica permita que os alertas sejam recebidos com mais rapidez pelas equipes policiais.
Ao final, os participantes reforçaram a necessidade de manter uma atuação conjunta entre os órgãos do sistema de Justiça e da segurança pública. O objetivo é aperfeiçoar o monitoramento eletrônico, agilizar a resposta aos alertas e ampliar a proteção de mulheres que possuem medidas protetivas.
Mato Grosso
Candidato à reeleição na Assembleia é alvo de medida protetiva após ameaças a empresária
O juiz Luiz Guilherme Carvalho Guimarães, da 1ª Vara de Sapezal, decidiu aplicar medidas protetivas de urgência contra o deputado estadual Francisco Guarnieri de Lima, o Chico Guarnieri (PSDB), candidato à reeleição. A medida atende a um pedido de uma empresária que afirmou ter sofrido ameaças e ofensas de teor misógino em ligações telefônicas.
A decisão foi assinada no último dia 8, mas o caso veio a público na quarta-feira (16), depois que um áudio atribuído ao parlamentar, supostamente gravado durante uma das conversas, começou a circular nas redes sociais.
Na sentença, o magistrado determinou que Guarnieri mantenha distância mínima de cem metros da vítima, de seus familiares e de testemunhas. Também ficou proibido qualquer tipo de contato com a empresária, bem como o acesso à residência dela, ao estabelecimento comercial e a outros locais frequentados habitualmente por ela.
De acordo com o processo, a mulher relatou ter recebido duas chamadas pelo WhatsApp na noite de 1º de setembro. Segundo o depoimento, o interlocutor se identificou como Francisco Guarnieri de Lima durante a conversa, que foi gravada pela própria vítima. Nas ligações, ela teria sido chamada de “pilantra”, “vagabunda”, “safada”, “ladrona”, “mentirosa” e “biscate”, além de ouvir comentários sobre sua vida sexual. O homem teria anunciado ainda que iria até o comércio da empresária.
Após as chamadas, a vítima teria pedido a uma pessoa de confiança que identificasse o número. O contato foi localizado por meio de um cartão que associava o telefone a Guarnieri, acompanhado de uma foto de campanha eleitoral. Em seguida, a empresária bloqueou o contato.
Ao analisar o pedido, o juiz entendeu que os elementos apresentados eram suficientes, nesta fase, para justificar a concessão das medidas. A gravação, o registro das duas ligações e o cartão de contato confeririam, segundo a decisão, “elevado grau de plausibilidade” ao relato.
Na avaliação do magistrado, as falas atribuídas ao parlamentar foram além de uma discussão ou ofensa genérica, com conteúdo direcionado à condição de mulher da vítima. Referências à sexualidade da empresária, tentativas de desqualificar sua palavra e ataques à reputação caracterizariam, em tese, violência moral e psicológica com base no gênero.
“Embora o motivo do entrevero aparente repousar sobre desavenças de natureza comunitária ou política, a dinâmica da agressão assumiu viés inequívoco de violência de gênero”, escreveu o juiz, que citou ainda “insultos com conteúdo sexista explícito”.
O magistrado também analisou a possibilidade de foro por prerrogativa de função, por se tratar de deputado estadual, mas concluiu que os fatos não guardam relação com o exercício do mandato parlamentar, mantendo o caso na primeira instância.
Parte dos pedidos feitos pela vítima, porém, foi negada. O juiz rejeitou a suspensão da posse ou restrição do porte de armas de Guarnieri, por não haver nos autos comprovação de que ele possua armamento registrado nem indícios de uso de arma no episódio. Também foram recusados os pedidos de apreensão e perícia dos celulares do deputado e a requisição, ao WhatsApp e às operadoras, de registros telemáticos. Segundo a decisão, essas providências têm caráter investigativo e devem ser solicitadas em procedimento criminal próprio.
As medidas protetivas permanecem em vigor enquanto durar a situação de risco. Guarnieri foi advertido de que o descumprimento pode caracterizar crime e resultar, inclusive, em prisão preventiva. A Polícia Militar foi acionada para incluir a empresária no Programa de Patrulhamento Maria da Penha.
Outro lado
Após a repercussão do áudio, Guarnieri publicou um vídeo nas redes sociais em que afirma estar sendo alvo de ataques e fake news no período eleitoral. Na gravação, ele não mencionou diretamente a medida protetiva nem o conteúdo específico do áudio divulgado.
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“Chegando perto das eleições, quem quer ver a nossa região atrasada disparou uma série de ataques e fake news contra mim. Eu vou continuar trabalhando, pois eu sei que a sociedade está cansada desse tipo de política suja e rasteira. Não caiam em mentiras. O que nosso povo quer é trabalho para nossa população”, declarou.
*Com informações do Midia News
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