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Tribunal de Contas aprova com ressalvas e recomendações as contas de quatro municípios de Mato Grosso

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Tribunal de Contas de Mato Grosso | Foto: Marcos Bergamasco

O Plenário do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) emitiu parecer prévio favorável à aprovação das contas anuais de governo de Aripuanã, Campo Novo do Parecis, Nova Canaã do Norte e Nova Santa Helena, referentes ao exercício de 2025. Os processos, relatados pelos conselheiros Campos Neto e Alisson Alencar, foram apreciados na sessão ordinária desta terça-feira (8).

Conselheiro Campos Neto

Nos quatro municípios, os relatores constataram o cumprimento dos limites legais de gastos com pessoal e repasses ao Legislativo, bem como dos mínimos constitucionais de aplicação em educação e saúde, além de superávit na execução orçamentária.

Nova Santa Helena

Sob relatoria do conselheiro Campos Neto, as contas de Nova Santa Helena registraram aplicação de 25,96% em educação (mínimo de 25%), 96,36% do Fundeb na remuneração do magistério (mínimo de 70%) e 30,14% em saúde (mínimo de 15%). As despesas com pessoal do Executivo corresponderam a 46,88% da receita corrente líquida (limite de 54%).

Mesmo com arrecadação abaixo da previsão, a gestão obteve economia orçamentária, superávit de execução orçamentária e suficiência financeira para pagar as obrigações de curto prazo. O município está adimplente com a previdência e elevou o índice de transparência de 67,04% para 80,52%.

Entre as recomendações estão a adoção de memória de cálculo detalhada nas metas fiscais da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a garantia de recursos no orçamento para a prevenção à violência contra a mulher.

“Faço destaque para a recomendação que é proveniente do resultado das avaliações das políticas públicas da saúde e saneamento básico, a fim de que a gestão, dentro da sua autonomia administrativa, elabore plano de ação para melhorar os resultados obtidos, de modo a assegurar a eficiência dos recursos aplicados nessas relevantes áreas”, destacou o relator.

Conselheiro Alisson Alencar
Conselheiro Alisson Alencar.
Aripuanã

Relator das contas dos outros três municípios, o conselheiro Alisson Alencar constatou que Aripuanã aplicou 32,31% em educação, 74,31% do Fundeb na remuneração dos profissionais da educação básica e 23,94% em saúde. As despesas com pessoal do Executivo ficaram em 42,19% da receita corrente líquida.

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O município registrou superávit orçamentário de R$ 43,5 milhões e superávit financeiro de R$ 53,7 milhões. A dívida pública cresceu 368,81% em relação a 2024 em razão de operação de crédito de R$ 30,1 milhões para implantação de usina fotovoltaica, investimento que, segundo o relator, tem “potencial de redução das despesas correntes com energia elétrica em exercícios futuros”.

O voto recomenda ao Legislativo Municipal que determine à prefeitura a aplicação integral do saldo do Fundeb até o fim do primeiro quadrimestre do ano seguinte e registre mensalmente as provisões de férias e 13º salário, bem como que o adicional de insalubridade dos agentes comunitários de saúde e de combate às endemias seja calculado sobre o salário-base da categoria.

Entre as recomendações consta ainda que o município zere, até o fim deste ano, a fila de espera por vagas em creche, que tinha 45 crianças.

Campo Novo do Parecis

Em Campo Novo do Parecis, foram aplicados 27,65% em educação, 94,13% do Fundeb na remuneração dos profissionais da educação básica e 27,16% em saúde. As despesas com pessoal do Executivo representaram 48% da receita corrente líquida. O superávit orçamentário foi de R$ 9,9 milhões, e o financeiro, de R$ 43,7 milhões.

Na sessão, o relator ponderou que o adicional de insalubridade dos agentes comunitários de saúde e de combate às endemias foi fixado em 8% para todos os profissionais, sem observar a classificação de risco prevista na Decisão Normativa 07/2023 do Tribunal, mas que o prefeito se baseou em legislação municipal aprovada anteriormente.

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Durante a discussão, o vice-presidente do TCE-MT, conselheiro Waldir Júlio Teis, sugeriu que o percentual seja adequado à legislação específica. A sugestão foi atendida com a recomendação para que a prefeitura altere a lei municipal ou edite nova norma, com percentual definido conforme o grau de risco de cada atividade.

Entre as recomendações, estão ainda medidas urgentes para zerar a fila por vagas em creche, que estava 112 crianças, e a designação de entidade reguladora dos serviços de saneamento básico.

Nova Canaã do Norte

Em Nova Canaã do Norte, a gestão aplicou 27,36% em educação, 97,78% do Fundeb na remuneração dos profissionais da educação básica e 22,29% em saúde. As despesas com pessoal do Executivo foram de 39,31% da receita corrente líquida. O superávit orçamentário foi de R$ 11,6 milhões, e o financeiro, de R$ 21,5 milhões.

O voto recomenda à Câmara Municipal que determine à prefeitura a aplicação dos recursos do Fundeb dentro do prazo legal. Do saldo de 2024, R$ 12,2 mil, equivalentes a 0,09% dos recursos recebidos, não foram aplicados até o fim do primeiro quadrimestre de 2025. O relator também recomendou que a Revisão Geral Anual concedida às demais categorias seja estendida aos agentes comunitários de saúde e de combate às endemias, o que o município passou a fazer em 2026.

“Há a necessidade de atenção à prevalência de arboviroses, Dengue e Chikungunya, classificada como ruim e com resultados alarmantes, demandando ação urgente e efetiva por parte da gestão municipal, com vistas à ampliação das medidas de prevenção e vigilância epidemiológica”, destacou o relator.

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Sérgio Ricardo alerta gestores sobre ampliação da arrecadação em encontro sobre Reforma Tributária

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Presidente Sérgio Ricardo durante abertura do 2° Encontro Sobre Reforma Tributária para Municípios | Foto: Tony Ribeiro

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, alertou gestores de todo o estado sobre a importância de ampliar a arrecadação própria até 31 de dezembro de 2026, durante a abertura do 2º Encontro Técnico sobre a Reforma Tributária para Municípios, nesta quarta-feira (14).

Promovido pela Comissão Permanente de Sustentabilidade Fiscal e Desenvolvimento (COPSFID), o evento reúne gestores de 135 municípios na Escola Superior de Contas para discutir os impactos da reforma e orientar as prefeituras sobre medidas que podem influenciar a distribuição de recursos durante a transição para o novo sistema tributário.

“Vamos conversar com os prefeitos para que eles atentem para a arrecadação que vão fazer até o dia 31 de dezembro. O que os municípios irão receber a partir do ano que vem vai depender muito do que arrecadaram de 2019 até 31 de dezembro deste ano”, afirmou o presidente.

2° Encontro Sobre Reforma Tributária para Municípios
Presidente da COPSFID, Valter Albano, coordenador do encontro técnico | Foto: Tony Ribeiro

O presidente relacionou a preparação para a reforma ao Plano de Metas Mato Grosso 2050, elaborado pelo Tribunal para orientar o desenvolvimento do estado nas próximas décadas, e destacou a situação dos municípios de pequeno porte, que mantêm câmara, prefeitura e secretarias com população reduzida e baixa arrecadação própria. “Temos municípios com 3 mil, 2 mil, 1 mil habitantes que definitivamente não se sustentam. Eles só sobrevivem por causa dos repasses federais e estaduais”, disse.

Na ocasião, o presidente da COPSFID, Valter Albano, reforçou que o encerramento do ano representa um marco para a arrecadação municipal e cobrou maior rigor na cobrança de tributos. “Não haverá mais espaço para facilidades tributárias, para a autoridade gestora fazer de conta que não é o caso de cobrar o imposto. Agora é a hora da verdade, da transparência. Quem administrar bem, for atrás dos devedores e realizar a receita na forma da lei sai bem. Quem não fizer isso terá perdas adicionais. E o limite é 31 de dezembro deste ano”, reforçou.

Conselheiro José Carlos Novelli
O conselheiro José Carlos Novelli prestigiou o evento | Foto: Marcus Paulo

Já o conselheiro José Carlos Novelli questionou se haverá tempo para os municípios ampliarem a receita própria até o fim do prazo e avaliou que a regra pode precisar de alteração. Além disso, questionou se as emendas parlamentares, responsáveis por grande parte dos investimentos das prefeituras, serão consideradas no cálculo. “Municípios como Jangada, Rosário Oeste, Barão de Melgaço e Nortelândia tiveram receita de mais de R$ 60 milhões em 2025, mas a receita própria de todos eles está abaixo de 10%. Dos 60 milhões, arrecadaram 6. Estamos em outubro e o prazo é 2026. O que os municípios têm de fazer para aumentar essa receita?.”

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Nesse cenário, o secretário de Estado de Fazenda, Fábio Pimenta, apontou os possíveis efeitos sobre a autonomia financeira de Mato Grosso. Segundo ele, cerca de 80% da receita estadual é própria, mas as regras da reforma podem aumentar a dependência de transferências federais. “Com a Reforma Tributária, se tudo continuar como está, corremos o risco de perder essa autonomia e depender de repasses federais”, disse. “Hoje, o Estado e os municípios são parceiros na melhor forma de implementação da Reforma Tributária e na garantia da continuidade dos serviços à população”, acrescentou.

Atuação conjunta

Evento reúne gestores de 135 municípios na Escola Superior de Contas. 
Evento reúne gestores de 135 municípios na Escola Superior de Contas | Foto: Tony Ribeiro

Na cerimônia de abertura, a subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), promotora de Justiça Anne Karine Louzich, defendeu a cooperação entre as instituições durante a transição e destacou a atuação do MPMT no combate à sonegação fiscal. “O Ministério Público tem uma atuação firme e consolidada, sobretudo em Mato Grosso, no enfrentamento às fraudes fiscais e no combate à sonegação. Temos desafios que estão por vir e precisamos cada vez mais dessa integração. Coloco o Ministério Público como parceiro deste Tribunal e dos fiscos estadual e municipais”, afirmou.

O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Hemerson Máximo, destacou a participação dos municípios no encontro. “A presença de prefeitos, vereadores e secretários demonstra o compromisso dos municípios mato-grossenses para que a reforma seja implantada da melhor forma possível”, disse.

Para o presidente da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Silvio Rangel, o debate também deve buscar alternativas para compensar os efeitos da reforma sobre estados com elevada produção e grande volume de mercadorias destinadas a outros mercados. “É importante discutir cada vez mais esse tema para trazer um alento às prefeituras e buscar alguma compensação dentro da reforma para Mato Grosso, que tem uma grande produção, mas precisa levar seus produtos para fora do Estado”, avaliou.

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O deputado estadual eleito e ex-presidente da AMM Leonardo Bortolin destacou a importância da cobrança do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), tributo municipal que integra a transição para o novo modelo. “Até o final de 2026 se fecha o ciclo que vai dar base para o seguro-receita dos municípios, e isso vai impactar diretamente no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Por isso é importante que o ISS, que é competência do município, seja muito bem cobrado.”

No mesmo sentido, o membro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) Yendis Costa destacou que o IBS será cobrado no destino e repassado às prefeituras por um comitê gestor nacional, e que os municípios terão de planejar a aplicação desses recursos. “O objetivo deste evento é demonstrar aos prefeitos e gestores municipais como será essa arrecadação a partir do ano que vem e qualificar o ente municipal para que tenha maior planejamento da sua arrecadação tributária.”

Também participaram da mesa de abertura o conselheiro Campos Neto, a controladora-geral da Defensoria Pública de Mato Grosso, Bárbara Natália Nogueira Garnica, e o primeiro vice-presidente da AMM, prefeito de Rondolândia, José Guedes.

Programação

O encontro reúne especialistas para orientar prefeitos, vereadores e equipes técnicas sobre os efeitos da reforma e as medidas necessárias para preparar as administrações municipais. A programação segue até quinta-feira (15), com transmissão pela TV Contas (canal 30.2) e pelo canal do TCE-MT no YouTube.

A programação inclui palestras do procurador do Estado Rogério Gallo e do secretário Fábio Pimenta, do economista Alberto Mendes, responsável pelo anuário Multi Cidades, e de gestores fazendários do município de Serra (ES).

Na quinta-feira, estão previstas palestras de integrantes do Grupo de Trabalho sobre a Reforma Tributária da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), entre eles o auditor público externo do TCE-MT Joel Bino Júnior.

 

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