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De abundante a quase extinta, a poaia é pesquisada em Mato Grosso
A poaia, como é conhecida a Carapicheia ipecacuanha, foi classificada como vulnerável a extinção na lista vermelha da flora do Brasil
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Com o intuito de preservar espécies de importância medicinal ameaçadas de extinção, alguns estudos estão em andamento na Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). A poaia, como é conhecida a Carapicheia ipecacuanha, foi classificada como vulnerável a extinção na lista vermelha da flora do Brasil.
A planta é uma espécie medicinal brasileira que tem em suas raízes dois princípios ativos importantes para a indústria farmacêutica a emetina e a cefalina. A partir deles é possível produzir expectorantes, antiamebicidas e antiinflamatórios. Bastante conhecido no Brasil, o xarope Melagrião possui em sua composição princípios ativos da poaia.
A pesquisadora Celice Alexandre Silva, doutora em Botânica e pós doutora em Biologia Reprodutiva de Plantas, estuda a poaia há cerca de quatro anos e mantém atualmente no câmpus da Unemat, em Tangará da Serra, um banco de germoplasma de sete populações de poaia oriundas dos municípios mato-grossenses de Barra do Bugres, Cáceres, Denise, Nova Olímpia, São José dos Quatro Marcos, Tangará da Serra e Vila Bela da Santíssima Trindade.
A presença da poaia já foi abundante em Mato Grosso, mas a exploração extrativista durante as décadas de 1960 e 1970 é a forte indicadora do seu quase desaparecimento. Na época, os poaieiros garantiam seus sustentos, durante os meses de chuva, e movimentavam a economia do Estado com raízes de poaia.
Segundo estudos, em parceria com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRJ), a concentração de teor de emetina da poaia de Mato Grosso é oito vezes maior quando comparado aos teores de substância de poaias ocorrentes na Mata Atlântica brasileira.
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A espécie que vive em regiões sombreadas e úmidas, ainda hoje, pode ser encontrada em pequenas populações mas estão ameaçadas de desaparecer completamente, devido ao avanço da fronteira agrícola. Além disso, os fragmentos florestais presentes em Barra do Bugres, Cáceres, Denise, Nova Olímpia, São José dos Quatro Marcos, Tangará da Serra e Vila Bela da Santíssima Trindade estão sujeitos a outros fatores que ameaçam a permanência da poaia, entre eles alterações climáticas como as secas.
Para entender os efeitos das mudanças climáticas sobre espécies de importância medicinal e econômica o projeto “Distribuição potencial de espécies de interesse medicinal e bioindicadoras sob efeito de mudanças climática e antrópicas para o Estado de Mato Grosso” coordenado por Celice Alexandre Silva foi aprovado pelo edital Fapemat nº 037/2016, de apoio a Programa de Redes de Pesquisa.
O projeto conta com as parcerias da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), UFRRJ, Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), Universidade Estadual de Goiás (UEG), Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC/Espanha) e com o envolvimento direto de dez pesquisadores.
Nos próximos três anos, período que envolve a execução do projeto, os pesquisadores pretendem encontrar respostas para questões de como o impacto das mudanças climáticas e antrópicas interferem na distribuição geográfica de espécies no estado de Mato Grosso.
Um pouco de história para alongar a conversa
De acordo com o Album Gráphico de Mato Grosso, por volta de 1820, Cuiabá voltou a ser sede política e administrativa do Estado e Vila Bela entra em decadência. Neste período surgiu uma indústria doméstica que supriu a necessidade de produtos da terra como farinha de mandioca, arroz, feijão, açúcar, aguardente, azeite de mamona e algodão.
Por volta de 1830 surge a extração da ipecacuanha ou poaia (Cephaelis ipecacuanha). Nesta época, José Marcelino da Silva Prado, explorando garimpos de diamantes nas imediações do Rio Paraguai, em região próximo à Barra do Bugres, observou que seus garimpeiros usavam, quando doentes, um chá preparado com raiz de arbusto facilmente encontrado à sombra da quase impenetrável floresta da região.
Tratava-se da “poaia”, que era antiga conhecida dos povos indígenas, que tinham repassado seu conhecimento aos colonizadores. Curioso e interessado, o garimpeiro enviou amostras da planta para análise na Europa, via porto de Cáceres e Corumbá. Desta raiz é extraída a Emetina, substância vegetal largamente utilizada na indústria farmacêutica, principalmente como fixador de corantes. Constatado oficialmente seu valor medicinal, iniciou-se, então, o ciclo econômico da poaia, de longa duração e grandes benefícios para os cofres do Tesouro do Estado.
Esta planta é extremamente sensível, abundando em solos de alta fertilidade sob árvores de copas bem formadas. Seus principais redutos eram áreas dos municípios de Barra do Bugres e Cáceres. A princípio, os carregamentos seguiam para a metrópoles via Goiás, depois passou a ser levada por via fluvial, com saída ao estuário do Prata. Os poaieiros eram os indivíduos que se propunham a coletar a poaia.
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O poaeiro foi uma figura importante para a economia Mato Grosso no século XVIII
O poaiaeiro surgiu em Mato Grosso em fins do século XIX, e foi responsável pelo surgimento de núcleos de povoamento no Estado, graças à sua atividade desbravadora, sempre à procura de novas “manchas” da raiz da poaia. Porém, o próprio poaieiro decretou o (quase) fim desta cultura, pois os “catadores” da poaia somente extraíam as plantas, não faziam o replantio, não seguindo o exemplo dos povos indígenas que, ao subtraírem as raizes da ipeca, as replantavam, garantindo, assim, a perenidade do vegetal.
Outro fator que contribuiu para a escassez da planta foi o desmatamento desenfreado da região oestina de Mato Grosso, pois a poaia estava acostumada à sombra das matas úmidas, e sucumbiu ante a queda das árvores. A poaia chegou a ser o segundo contribuinte para os cofres da Província de Mato Grosso, devido a sua exportação principalmente para a Europa.
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Há quase um mês incêndio destrói o Parque Encontro das Águas sem controle
Um incêndio está destruindo o Parque Encontro das Águas, localizado no Pantanal entre Poconé e Barão de Melgaço, há mais de 20 dias e já consumiu 20,8% da área do parque, o que equivale a 21.825 hectares de vegetação. Nem mesmo a chuva forte da semana passada conseguiu conter as chamas.
De acordo com uma nota emitida no sábado (28.10), cerca de 30 bombeiros estão posicionados ao longo dos rios Canabu, Cuiabá e São Lourenço para combater o incêndio que atinge o Parque. As equipes de bombeiros também contam com a ajuda de aeronaves dos Bombeiros e da Defesa Civil, que lançam água para reduzir a intensidade das chamas e aumentar a umidade na região.
O Parque Estadual Encontro das Águas está situado na confluência dos rios Cuiabá e Piquiri e abrange uma área de 108 mil hectares. A localidade é conhecida por ter a maior concentração de onças-pintadas do mundo, tornando sua preservação uma preocupação importante para as autoridades. A população local está apreensiva com o avanço das chamas na área, temendo impactos na fauna e flora da região.
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