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Servidores do Tribunal de Contas conquistam prêmio internacional na Espanha
Os servidores do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) André Luís Torres Baby e Laura Helena Preza Figueiró Baby apresentaram, na última sexta-feira (10), um estudo sobre os impactos do Regulamento Europeu Antidesmatamento para o agronegócio brasileiro durante o 10º Congresso Ibero-Americano de Direitos Humanos, realizado na Faculdade de Direito da Universidade de Valladolid (UVA), na Espanha. O trabalho conquistou o Prêmio Javier García Medina, concedido ao melhor entre os 26 artigos científicos selecionados para apresentação no evento.
O artigo “Quando a legalidade não basta: Direitos humanos e o hiato de legalidade ambiental entre o Código Florestal Brasileiro e o Regulamento Europeu Antidesmatamento” é assinado pelos dois servidores do TCE-MT que são discentes em programas de doutorado e mestrado, respectivamente, da Faculdade Autônoma de Direito (Fadisp).
Consultor técnico-jurídico do TCE-MT, André Baby destacou que a premiação internacional representa o reconhecimento da diretriz de qualificação permanente dos servidores conduzida pela Corte. “Estamos muito honrados em representar a instituição que muito nos orgulha servir. Agradecemos especialmente ao nosso presidente, Sérgio Ricardo, que nos apoiou, incentiva a formação de todos os servidores do Tribunal de Contas e valoriza esse processo de qualificação”, afirmou.
Na mesma linha, a auditora pública externa da Secretaria de Normas, Jurisprudência e Consensualismo (SNJur), Laura Helena Baby ressaltou que a conquista é também mérito do incentivo permanente dos conselheiros da instituição. “Esta premiação demonstra a importância do investimento na formação continuada dos servidores. Agradeço ao presidente Sérgio Ricardo e aos conselheiros pelo incentivo e pela oportunidade de qualificação oferecida pelo Tribunal, que nos permite levar a produção técnica e científica da instituição a espaços de relevância internacional”, completou.
Orientado pelo professor Rennan Thamay, o estudo foi apresentado no Congresso a uma banca composta por professores doutores e pós-doutores das universidades de Valladolid, Salamanca, Siena e da Fadisp.
Normas ambientais e direitos humanos
O trabalho foi motivado pelas discussões lideradas pelo presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, sobre os impactos da moratória da soja e da carne para a economia e demonstra que, mesmo que os produtores cumpram integralmente o Código Florestal Brasileiro, podem não atender aos critérios estabelecidos pelo Regulamento Europeu Antidesmatamento, criando um cenário de insegurança jurídica e comercial para o setor produtivo.
Segundo André, o debate atinge diretamente a legislação ambiental brasileira. “Não estamos falando apenas da qualidade do produto, mas da etapa inicial, em que a propriedade é regularizada e em que o Código Florestal Brasileiro e o direito ambiental brasileiro começam a ser colocados em xeque. Portanto, trata-se de uma possível ameaça à soberania brasileira e à soberania mato-grossense.”
Já Laura ressaltou que os efeitos também alcançam o campo dos direitos humanos. “Se apenas os grandes produtores conseguem obter certificações e se adequar aos protocolos exigidos para participar do comércio internacional, passa a existir uma desigualdade social, regional e produtiva no agronegócio brasileiro, especialmente no agronegócio mato-grossense.”

A pesquisa conclui que, embora o Regulamento Europeu Antidesmatamento não tenha natureza de tratado internacional, ele interfere diretamente na aplicação da legislação ambiental brasileira. Dessa forma, os pesquisadores acreditam que o poder público deve estar atento ao assunto.
“Mato Grosso deve exercer um papel protagonista nesse debate, reafirmando nossa soberania. Precisamos fortalecer o Código Florestal Brasileiro perante o mundo e preparar todos os produtores para a cadeia produtiva global, já que nosso estado fornece alimentos para os quatro cantos do mundo, especialmente para a Europa”, concluiu André.
TCE-MT e a Moratória da Soja e da Carne
Ao identificar que restrições comerciais podem ampliar as desigualdades regionais, o TCE-MT iniciou, em 2024, debates sobre os impactos da moratória da soja e da carne nos pequenos municípios mato-grossenses. Em Seminário sobre o tema, foi assinada a Carta de Maio, documento que consolidou o posicionamento dos participantes em defesa de políticas públicas fundamentadas na legislação ambiental brasileira e no desenvolvimento sustentável.
Na sequência, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou a Lei Estadual nº 12.709/2024, que restringe a concessão de benefícios fiscais a empresas signatárias das moratórias. Em junho de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a constitucionalidade parcial da norma, validando a autonomia do Estado para condicionar incentivos econômicos ao cumprimento da legislação brasileira.
Em agosto do mesmo ano, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) determinou a suspensão da moratória, classificada como uma vitória do diálogo e do equilíbrio entre preservação ambiental e desenvolvimento econômico pelo presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo. “Quando uma decisão global afeta a economia de pequenos municípios, o resultado é desemprego, migração e empobrecimento. Precisamos de equilíbrio entre sustentabilidade e desenvolvimento”, pontuou.
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Alisson Alencar leva debate sobre Inteligência Artificial a Fórum Internacional de Direito
A rápida expansão da Inteligência Artificial no setor público tem ampliado a eficiência dos serviços prestados à sociedade, mas também traz novos desafios relacionados à proteção dos direitos fundamentais. Foi o que destacou o conselheiro Alisson Alencar no Fórum Internacional de Direito – X Congresso Iberoamericano de Derechos Humanos, na Universidade de Valladolid, na Espanha, que, no dia 8 de julho, reuniu especialistas de diversos países para discutir os desafios contemporâneos do Direito.
Na palestra intitulada “Supervisão Humana Significativa (HITL) em Sistemas de IA de Alto Risco na Administração Pública: Convergências e Assimetrias entre Brasil e Espanha”, o conselheiro apresentou uma análise comparativa entre os modelos regulatórios adotados pelos dois países.
De acordo com ele, a Inteligência Artificial só poderá contribuir efetivamente para a modernização da administração pública se estiver acompanhada por mecanismos robustos de supervisão humana, transparência e responsabilização. “A Inteligência Artificial deve ampliar a capacidade do Estado de servir melhor ao cidadão, mas jamais substituir o julgamento humano. A tecnologia precisa estar a serviço das pessoas e dos direitos fundamentais”, afirmou.
Alisson explicou ainda que tecnologias baseadas em Inteligência Artificial já vêm sendo utilizadas em diversas áreas da gestão pública para apoiar decisões de grande impacto, como nos sistemas de saúde, segurança pública e justiça. Apesar dos benefícios, alertou que a automatização de decisões pode reproduzir vieses, ampliar desigualdades e gerar violações de direitos quando não existe participação humana efetiva ao longo de todo o processo.

Para o conselheiro, a chamada Supervisão Humana Significativa vai muito além da simples presença de um operador acompanhando o funcionamento dos sistemas. É necessário que o agente público participe desde o desenvolvimento até a utilização da Inteligência Artificial, possuindo conhecimento técnico, autonomia e autoridade para monitorar, revisar, modificar ou até interromper decisões automatizadas quando houver riscos ou inconsistências.
“A supervisão humana somente é efetiva quando existe capacidade técnica, autonomia para intervenção e mecanismos que assegurem transparência, auditoria e responsabilização. Não basta que o ser humano esteja presente; ele precisa ter condições reais de exercer o controle sobre a tecnologia”, ressaltou.
Outro ponto enfatizado foi a necessidade de preparar os agentes públicos para essa nova realidade. Segundo o conselheiro, além do aperfeiçoamento da legislação, será indispensável investir em capacitação contínua, auditorias independentes e no desenvolvimento de sistemas concebidos desde sua origem com princípios éticos, proteção de dados e respeito aos direitos fundamentais.
“A regulamentação, isoladamente, não resolve os desafios da Inteligência Artificial. Precisamos de instituições fortes, servidores qualificados, mecanismos permanentes de auditoria e supervisão humana significativa para garantir que a tecnologia complemente — e nunca substitua — a responsabilidade, a razão pública e a proteção dos direitos fundamentais”, concluiu.
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