Mato Grosso
Pesquisadores lançam diagnóstico inédito sobre crise climática em Mato Grosso com cenários até 2050
Por Beatriz Saturnino
O mês de julho, marcado pelo Dia de Proteção às Florestas, celebrado em 17 de julho, reforça a importância da preservação dos ecossistemas diante do avanço da crise climática. Nesse contexto, ganha ainda mais relevância a publicação “Indicadores do Clima em Mato Grosso”, obra lançada pelo Instituto INCA – Inclusão, Cidadania e Ação, que apresenta um diagnóstico inédito sobre os impactos das mudanças climáticas no Estado e aponta caminhos para políticas públicas de adaptação e mitigação.
Embora o Dia Mundial do Clima (26 de março) e o Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas (16 de março) sejam as principais datas voltadas ao debate sobre o aquecimento global, julho também representa um momento estratégico para ampliar essa discussão, especialmente pela necessidade de proteger as florestas, fundamentais para a regulação do clima, da biodiversidade e dos recursos hídricos.
Tendo em vista que o período já se integra os meses, até meados de outubro, de estiagem, que favorece a ocorrência de incêndios florestais e queimadas. Com pouca chuva, baixa umidade do ar e vegetação seca, focos de fogo que se alastram com rapidez e podem atingir grandes proporções.
O LIVRO
A obra é resultado de três anos de estudos e debates realizados pela Câmara Setorial Temática de Mudanças Climáticas da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (SEMC-ALMT), entre 2023 e 2024, a publicação reúne a contribuição de mais de 50 pesquisadores, especialistas e representantes da sociedade civil. O trabalho foi liderado por uma equipe técnica multidisciplinar responsável pela elaboração dos indicadores e do georreferenciamento.
O livro apresenta, de forma didática, os principais fatores que impulsionam a crise climática e demonstra como o aumento da temperatura média global acima de 1,5°C poderá afetar Mato Grosso nas próximas décadas. São mais de 18 mapas, gráficos e indicadores que mostram cenários projetados entre 2030 e 2050, considerando situações com e sem políticas públicas de adaptação.
Entre os temas abordados estão o aumento das secas prolongadas, das ondas de calor, dos incêndios florestais, dos eventos extremos de chuva, além dos impactos sobre a saúde, as cidades, a infraestrutura logística e a produção agropecuária.
A publicação também traz reflexões apresentadas pelo climatologista Carlos Nobre, pesquisador reconhecido internacionalmente e vencedor do Prêmio Nobel da Paz como integrante do IPCC. Durante a abertura dos trabalhos da Câmara Setorial Temática, ele alertou que a Amazônia vem deixando de ser um grande sumidouro de carbono para se tornar uma fonte de emissões.
“Nos anos 1990, a Amazônia removia mais de 1,5 bilhão de toneladas de gás carbônico da atmosfera por ano, e hoje a floresta está se transformando em uma fonte de emissão de carbono. Se o clima continuar esquentando e a degradação seguir no mesmo ritmo, daqui a 50 anos poderemos perder até 70% da floresta”, alertou Carlos Nobre.
EM MATO GROSSO
E apresenta que Mato Grosso precisa acelerar a implementação de políticas públicas voltadas à adaptação climática. Onde existe cinco anos para que o Acordo de Paris acabe, e pouquíssimos países cumpriram suas metas. Para enfrentar um mundo com mais doenças e extremos do clima, com ondas de calor que vão castigar sobretudo a população mais vulnerável, será fundamental o envolvimento do poder público, especialmente dos deputados estaduais.
O material foi elaborado a partir do refinamento de dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC/ONU) e de dezenas de pesquisas científicas específicas sobre Mato Grosso. O objetivo é servir como referência para a elaboração de novas legislações e políticas públicas nos 142 municípios mato-grossenses, priorizando ações de prevenção aos incêndios florestais, adaptação das cidades, infraestrutura, logística, saúde pública e fortalecimento da produção sustentável.
Parte desse trabalho já foi apresentada durante a COP30 (a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima aconteceu entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025, em Belém-PA), quando a secretária da Câmara Setorial Temática, Juliana Arini, destacou a importância da atuação dos parlamentos estaduais e municipais no cumprimento das metas climáticas nacionais.
Além de apresentar os riscos, a publicação também aponta soluções, mostrando experiências exitosas, especialmente na agricultura brasileira, que contribuíram para a redução das emissões de gases de efeito estufa e podem servir de referência para novas políticas de desenvolvimento sustentável.
Neste mês em que o Brasil celebra o Dia de Proteção às Florestas, o livro reforça que preservar os ecossistemas é uma das estratégias mais eficazes para reduzir os impactos da crise climática, proteger a biodiversidade, garantir a segurança hídrica e assegurar qualidade de vida para as futuras gerações.
A publicação “Indicadores do Clima em Mato Grosso” está disponível gratuitamente no link- https://institutoinca.com.br/storage/uploads/files/Livro_Indicadores_do_Clima_em_Mato_Grosso.pdf
Mato Grosso
Abilio defende aliança do PL com Pivetta e sugere que partido indique vice
Em meio à indefinição sobre os rumos da sucessão estadual em Mato Grosso, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), manifestou publicamente sua preferência por uma composição que una o Partido Liberal ao grupo político do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) na disputa ao Palácio Paimã.
Em entrevista, Brunini defendeu que o PL abra mão de encabeçar a chapa e indique o candidato a vice-governador em uma eventual aliança liderada por Pivetta. A declaração acontece em um momento em que o partido do prefeito já possui um nome posto para a disputa: o senador Wellington Fagundes, que se apresenta como pré-candidato ao governo.
Para Abilio, a união das legendas seria o caminho mais seguro para preservar os avanços administrativos conquistados nos últimos anos em Mato Grosso. “Eu preferia que tivesse uma composição. Defendo compor com o Otaviano Pivetta e que o PL indique o vice. Pode ser qualquer nome. Não defendo minha esposa, nem ninguém específico. Acho que essa composição seria muito salutar para o processo eleitoral e para manter os avanços conquistados pelo governo do Estado”, afirmou.
O prefeito destacou ainda a qualificação de Pivetta para liderar a chapa, argumentando que a experiência do vice-governador evitaria retrocessos na gestão estadual. “O Estado levou oito anos para colocar a casa em ordem. Para desorganizar, basta um dia. Eu penso que a unidade seria muito importante para proteger esse projeto”, completou.
Ao mesmo tempo, Brunini tratou de evitar qualquer tom de ruptura com a candidatura de Wellington Fagundes dentro do PL. Ele disse manter boa relação pessoal e política tanto com Pivetta quanto com o senador, e reconheceu que o partido não age por imposição, mas por diálogo e construção coletiva.
“Tenho amizade com o Otaviano Pivetta e o Wellington sabe disso. Existe respeito entre nós. Hoje faço meu papel de prefeito, de manter um bom relacionamento com o governador e buscar investimentos para Cuiabá. Não é uma situação de guerra em que cada um tem que abraçar uma bandeira”, ponderou.
Apesar de defender abertamente a aliança, Abilio afirmou que sua posição é a de um “voto vencido” dentro do processo e que a palavra final caberá às lideranças partidárias.
“O Wellington está no direito dele de ser candidato. Está bem-posicionado nas pesquisas e tem um direito natural de disputar. Eu defendo a composição, mas sou voto vencido nesse processo. Cabe a eles a decisão”, finalizou.
A declaração do prefeito ocorre em meio ao avanço das articulações para as eleições estaduais de 2026, que devem definir o sucessor do governador Mauro Mendes. Enquanto o Republicanos trabalha para viabilizar a reeleição de Pivetta, o PL ainda busca consolidar a pré-candidatura de Wellington Fagundes, em um cenário que promete novos capítulos nos próximos meses.
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