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Mato Grosso

Violência contra menores dispara 125% em cinco anos

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Dados consolidados pelo Ministério da Saúde, referentes ao período entre 2020 e 2025, apontam que as notificações de violência contra crianças e adolescentes mais que dobraram em cinco anos, passando de 73.635 para 165.413 registros anuais — uma alta expressiva de 125%.

Em Mato Grosso, a realidade acompanha a tendência nacional, mas esbarra em desafios operacionais específicos, como a vasta extensão territorial e a dispersão dos serviços de atendimento em municípios de pequeno porte.

O levantamento, que soma mais de 685 mil ocorrências no período, consolida uma inversão de expectativas sobre o perfil da violência: o ambiente doméstico, que deveria ser o local de proteção, figura como o cenário principal das agressões. A mãe aparece como autora em 34% dos casos, seguida pelo pai (26%), confirmando que a violação de direitos é, majoritariamente, um problema intrafamiliar.

O cenário estadual e o gargalo da rede de proteção

Em Mato Grosso, a Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) e os Conselhos Tutelares municipais enfrentam o desafio crônico da subnotificação. Especialistas apontam que o aumento nos números nacionais não reflete apenas o crescimento da violência, mas também uma maior — embora ainda insuficiente — capacidade do sistema de saúde e da rede de assistência em identificar e registrar os casos.

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A dificuldade de acesso a serviços de proteção em municípios distantes da capital agrava a situação, permitindo que casos de negligência, que representam 33,3% das notificações nacionais, permaneçam invisíveis por longos períodos.

Perfil das vítimas e tipos de agressão

O perfil das vítimas reflete desigualdades estruturais profundas. Meninas são as principais alvos, compondo 62% dos registros. Sob a ótica racial, a prevalência recai sobre crianças e adolescentes pardos (49,1%). A violência sexual, que lidera as estatísticas nacionais com 34% dos casos, é um desafio complexo para o sistema de saúde mato-grossense, que precisa oferecer acolhimento multidisciplinar e, muitas vezes, realizar a interrupção legal da gestação, procedimento que exige logística sofisticada em regiões remotas do estado.

A infância sob constante ameaça

A distribuição por faixa etária revela que a primeira infância (até 6 anos) é o segundo grupo mais vulnerável, com 37,5% dos casos, perdendo apenas para os adolescentes (43%). Este dado é considerado o mais alarmante por órgãos de proteção, pois crianças nessa faixa etária possuem dependência absoluta dos cuidadores, o que dificulta a denúncia externa.

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A violência física (32,9%) completa o tripé de agressões mais comuns. Para o Ministério Público estadual, a prioridade para o próximo biênio é o fortalecimento das varas especializadas e a integração entre os Conselhos Tutelares e as forças de segurança.

Dados do cenário nacional (2020-2025):

Categoria Percentual de Ocorrências
Violência Sexual 34,0%
Negligência e Abandono 33,3%
Violência Física 32,9%

Fonte: Dados do Sinan/Ministério da Saúde.

O enfrentamento desse cenário exige, segundo especialistas, uma política de Estado que vá além da repressão. A estratégia envolve a busca ativa em territórios rurais e periféricos, a capacitação contínua das equipes de saúde da família e, fundamentalmente, a desestigmatização do ato de denunciar, garantindo que o Sistema de Garantia de Direitos seja capaz de intervir antes que a violência atinja níveis irreversíveis.

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Mato Grosso

Pivetta classifica situação do DAE de Várzea Grande como “flagelo” 

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O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), manifestou preocupação com o quadro estrutural e administrativo do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande após realizar uma visita técnica à autarquia na sexta-feira (3). Em conversa com diretores e servidores antigos do órgão, o governador classificou o cenário encontrado como desafiador e sinalizou que o Estado adotará providências em parceria com o município para tentar reverter a histórica crise no abastecimento de água.

“Confesso que fiquei um pouco triste com a situação de uma empresa de saneamento que tem como missão oferecer água de qualidade para todo o povo de Várzea Grande. Mas, por outro lado, me senti desafiado a ajudar a resolver esse problema”, afirmou Pivetta à imprensa ao término da visita.

Segundo o governador, os moradores de Várzea Grande terão notícias em breve sobre as ações conjuntas que serão implementadas. A intenção, segundo ele, é iniciar um trabalho intenso e determinado para “virar essa página” e libertar o município do que chamou de “flagelo” — a ausência de água nas casas. Pivetta relatou ainda que, em agendas recentes pela cidade, foi procurado por diversas moradoras que relataram as dificuldades cotidianas com o fornecimento. “Eu ouvi de muitas donas de casa, nos últimos dias que andei por aí, esse pedido, esse clamor. Isso realmente sensibiliza qualquer governante”, afirmou.

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O problema do abastecimento em Várzea Grande se arrasta há décadas. Apesar de o município contar com mananciais suficientes para atender à demanda, a rede de distribuição deficiente, a carência de investimentos e os entraves administrativos do DAE fazem com que milhares de famílias convivam com interrupções constantes no serviço.

A declaração do governador coincide com o agravamento da crise institucional que envolve a autarquia. Na semana passada, o conselheiro Antonio Joaquim, do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, reiterou ao procurador-geral de Justiça, Rodrigo Fonseca Costa, o pedido para que o Ministério Público de Mato Grosso ajuíze uma ação de intervenção no órgão. O ofício enviado pelo conselheiro fundamenta o pedido na precariedade recorrente dos serviços, no elevado endividamento, na inadimplência, em irregularidades apuradas nas contas de sucessivos exercícios e no descumprimento reiterado de determinações expedidas pelo Tribunal de Contas para reequilibrar a situação financeira e administrativa do DAE.

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