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Programa do TCE Pró-Mulher reúne especialistas e gestores nesta quarta
O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) promove, nesta quarta-feira (8), a capacitação “Implantação e Implementação dos Planos de Metas”, voltada à execução de planos municipais de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. Vinculada ao programa TCE Pró-Mulher, a iniciativa reunirá gestores de todo o estado no auditório da Escola Superior de Contas a partir das 8h.
As inscrições estão abertas no Sistema de Gestão Acadêmica (SGA) e podem ser feitas clicando aqui.
Realizado pela Comissão Permanente de Segurança Pública (Copesp), o encontro reunirá especialistas e integrantes de diferentes instituições para discutir estratégias de fortalecimento das políticas públicas de proteção às mulheres.
“O TCE Pró-Mulher funciona como um instrumento de transformação social. Não se trata apenas de fiscalizar, mas de orientar, induzir políticas públicas e garantir que cada município tenha metas concretas para proteger as mulheres e promover a igualdade de gênero”, declarou o presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo.
Já o presidente da Copesp, conselheiro Waldir Júlio Teis, destacou que a qualificação será uma oportunidade para prefeitos e secretários municipais conhecerem o Plano de Metas do Estado, instituído pelo Decreto nº 1.708/2025. “Dessa forma, os gestores estarão melhor preparados para elaborar e acompanhar a implementação dos planos municipais. Será apresentado também o Programa Mato Grosso em Defesa das Mulheres, do Governo Estadual.”
A programação aprofundará o entendimento sobre a Lei nº 14.899/2024, que estabelece diretrizes para elaboração dos planos de metas, além de abordar a estruturação e a execução das políticas de enfrentamento integrado da violência doméstica e familiar contra a mulher.
Ao longo do dia, os participantes acompanharão cinco módulos temáticos conduzidos por representantes do Governo do Estado, do Ministério Público e especialistas na área. O evento terá início com a apresentação do Plano de Metas do Estado de Mato Grosso e do Programa Mato Grosso em Defesa das Mulheres, abordando as ações integradas previstas no pacto estadual de enfrentamento à violência contra a mulher.
Na sequência, serão detalhados os dispositivos da Lei nº 14.899/2024, com orientações sobre a estrutura mínima dos planos municipais, definição de metas, indicadores de monitoramento e responsabilidades dos entes públicos. O conteúdo também tratará das medidas previstas na legislação para prevenção da violência, atendimento humanizado às vítimas, capacitação das forças de segurança e fortalecimento das políticas de proteção.
Outro eixo da capacitação será dedicado à estruturação das Redes de Enfrentamento e de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, apresentando estratégias para integração entre órgãos de segurança, justiça, saúde, assistência social, educação e sociedade civil. Também serão compartilhadas experiências exitosas desenvolvidas em Mato Grosso e orientações para formalização dessas redes nos municípios.
No período da tarde, os gestores conhecerão as etapas para elaboração dos Planos Municipais de Metas, desde a constituição de grupos intersetoriais e realização de diagnósticos locais até a definição de prioridades, metas e mecanismos de monitoramento e avaliação contínua, respeitando as particularidades de cada município.
Encerrando a programação, será debatido o papel dos Organismos de Políticas para Mulheres (OPMs) e dos Conselhos Municipais dos Direitos da Mulher na coordenação, acompanhamento e controle social dos planos. O módulo também apresentará o cenário atual de Mato Grosso, destacando a importância da criação e do fortalecimento dessas estruturas para ampliar a efetividade das políticas públicas de proteção às mulheres.
Com apoio do Governo do Estado, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), da Defensoria Pública do Estado (DPE-MT), da Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica (ABMCJ), da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) e do Ministério Público do Estado (MPMT), a capacitação terá transmissão ao vivo pelo canal do TCE-MT no YouTube e pela TV Contas (Canal 30.2).
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Presidente do TCE-MT, Sergio Ricardo, abre mesa técnica para liberar R$ 100 bilhões travados na Sema
O presidente do Tribunal de Contas (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, determinou, nesta quinta-feira (02,07), a criação de uma mesa técnica para solucionar entraves no licenciamento ambiental de atividades agropecuárias desenvolvidas por agricultores familiares e pequenos produtores.
A intervenção ocorre após denúncias de que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) estaria descumprindo leis que simplificam o processo de regularização, mantendo 631 assentamentos — entre federais e estaduais — sob embargos ambientais e sem acesso a políticas públicas.
O bloqueio administrativo impacta diretamente cerca de 700 mil pessoas em Mato Grosso. Sem a regularização ambiental, esses produtores ficam impedidos de acessar o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), que destinou R$ 97,3 bilhões para custeio e investimento no ciclo 2026/2027. O presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, classificou a situação como um gargalo econômico e social que exige solução imediata.
“Estamos falando de 700 mil pessoas que correm o risco de perder o acesso a quase R$ 100 bilhões em recursos federais. A burocracia não pode impedir o desenvolvimento e prejudicar a sobrevivência dessas famílias”, afirmou o conselheiro. Segundo o Tribunal, 83% das propriedades rurais em Mato Grosso possuem menos de 500 hectares, configurando o perfil de pequena produção que, na prática, está sendo tratada com o mesmo rigor burocrático de grandes latifúndios.
Descumprimento de leis – A mesa técnica foi instaurada após provocação do deputado estadual Valdir Barranco (PT), que denunciou a inércia da Sema diante de normas aprovadas pela Assembleia Legislativa. O parlamentar sustenta que o órgão ignora a Lei Complementar nº 830/2025, que define protocolos para o desembargo de assentamentos, e a Lei Ordinária nº 13.349/2026, que substitui a Autorização Provisória de Funcionamento (APF) pelo Certificado Ambiental Simplificado.
“As leis foram aprovadas justamente para simplificar o processo, mas, na prática, não são aplicadas. O pequeno produtor não pode continuar sendo penalizado e impedido de produzir por uma gestão que ignora a legislação vigente”, pontuou Barranco. Como ponto de partida, o deputado propôs que o assentamento Jonas Pinheiro, em Sorriso, seja utilizado como projeto-piloto para a mediação do TCE. O local enfrenta risco de reintegração de posse movida pelo Ministério Público Federal devido a pendências que a Sema, até o momento, não solucionou.
Soluções consensuais A mesa técnica reunirá representantes do TCE-MT, da Sema, do Incra e da Assembleia Legislativa para buscar soluções para o acúmulo de Cadastros Ambientais Rurais (CARs) parados. Para o Incra, representado pelo ouvidor agrário Daniel Araújo, a mediação é a única via para garantir segurança jurídica às famílias assentadas.
Araújo reforçou a necessidade de um tratamento diferenciado para a agricultura familiar, observando que a legislação já prevê critérios distintos dos aplicados ao agronegócio de grande escala. “Não se pode tratar da mesma forma quem possui poucos hectares e quem produz em larga escala. O princípio da diferenciação é essencial para que a regularização ocorra com a agilidade que a economia do estado exige”, concluiu.
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