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Presidente do TCE-MT recebe denúncias de irregularidades em obras e contratações feitas pela prefeitura
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, recebeu denúncias sobre falhas no abastecimento de água e suspeitas de irregularidades em obras e contratações feitas pela prefeitura de Alta Floresta. Os apontamentos foram feitos por vereadores do município nesta quarta-feira (8), ocasião em que o presidente apresentou os sistemas de monitoramento do Tribunal e garantiu que todas as situações relatadas serão analisadas.
Segundo os parlamentares, mesmo com reajustes anuais de tarifa, a população sofre com desabastecimento recorrente. No episódio mais recente, a cidade ficou sem água por cinco dias, sob a justificativa de manutenção do equipamento.
“Deixar uma cidade cinco dias sem abastecimento é de uma incompetência fora do comum. A empresa tem que ter um sistema sobressalente para operar a distribuição quando houver manutenção”, afirmou Sérgio Ricardo. “Todas essas informações já viraram documentos, e nós vamos, no momento certo, fazer com que todas essas entidades prestem contas e se expliquem sobre essas denúncias”, acrescentou.
De acordo com o vereador Dida Pires, como o contrato vigora até 2032, a preocupação é que o atendimento ruim se mantenha até o fim da concessão. Diante disso, ele solicitou auditoria na empresa responsável pelo serviço. “Não é justo continuar prestando um serviço de má qualidade. Pedimos ao presidente uma equipe do TCE para fazer a auditoria e ajudar para que a empresa cumpra o contrato e atenda bem a população.”
Ele também chamou a atenção para a compra de energia fotovoltaica. “Já se pagou R$ 7,5 milhões e o sistema não foi instalado, porque o formato adquirido pelo município não tem condições, e a Energisa se nega a fazer a implantação. Achamos a situação extremamente irregular”, declarou.
Foram citados ainda questionamentos sobre os gastos com transporte escolar, a compra de livros e a construção de salas modulares. Neste contexto, o vereador Darlan Trindade destacou as dificuldades em fiscalizar a gestão municipal. “Não temos uma assessoria tão grande, com capacidade técnica para ir mais a fundo nessas denúncias. Por isso, é muito importante que o TCE faça uma auditoria e uma análise técnica para verificar se existe sobrepreço, porque, se existe, quem é penalizada é a população”, pontuou.
Por sua vez, o vereador Luciano Silva ressaltou a importância da abertura do TCE-MT para as demandas dos municípios. “A valorização do dinheiro público está sendo demonstrada de forma clara através desse tipo de trabalho. Eu nunca tinha visto uma atuação dessa magnitude. Essa abertura vai fazer com que quem gere o dinheiro público tenha mais cuidado e mais eficiência, para que o recurso que sai do pagamento de imposto seja aplicado de forma adequada”, acrescentou.
Ferramentas de fiscalização
Na reunião, o presidente apresentou dados levantados por meio do Platão, inteligência artificial do TCE-MT voltada à análise de dados e leitura automatizada de diários oficiais e editais, e dos sistemas Geobras e Radar, detalhando informações de setores como saúde e infraestrutura. “Os vereadores ficaram admirados porque aqui tem mais informação que na própria Câmara. Cada vez mais estamos popularizando esse acesso, trazendo os gestores aqui e mostrando como está a situação da cidade deles”, disse ele.
Foi apontado por exemplo que a receita prevista atualizada de Alta Floresta para 2026 é de quase R$ 500 milhões. As despesas empenhadas do município somavam R$ 183 milhões e as liquidadas, R$ 140 milhões. Na área da saúde, a despesa paga por habitante aparece em R$ 568.
Sérgio Ricardo reforçou o papel do Legislativo na fiscalização e o compromisso do TCE com a população. “As informações são prestadas pelos vereadores, que são os fiscais do município. O vereador é o fiscal da cidade. Espero que outros vereadores de outras cidades venham trazer ao Tribunal as informações de como está a gestão e de como está sendo investido o dinheiro público. O Tribunal está sempre de portas abertas para a sociedade e para os agentes públicos”, concluiu.
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Tribunal pede intervenção estadual em Várzea Grande por irregularidades financeiras
O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) encaminhou ao Governo do Estado uma recomendação para a intervenção no Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande. A medida, formalizada pelo conselheiro Antônio Joaquim, tem como base o relatório técnico que aponta desequilíbrio fiscal, dívidas acumuladas e falhas na prestação de serviço à população.
De acordo com o documento do Tribunal, a autarquia soma um passivo de R$ 315 milhões. O montante é composto por R$ 172 milhões em débitos com a concessionária de energia elétrica e R$ 143 milhões em obrigações judiciais. O relatório também detalha a não arrecadação de R$ 158 milhões, referentes a créditos de consumidores inadimplentes, o que contribuiu para a deterioração das finanças do órgão.
O pedido de intervenção está atrelado às investigações conduzidas pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que apura indícios de crimes contra a administração pública. Entre as ocorrências sob análise, constam possíveis fraudes em sistemas de TI, manipulação de dados e registros de cortes e religações de água incompatíveis com a rotina operacional.
Conforme a apuração do Ministério Público, tais inconsistências podem ter sido utilizadas para justificar o pagamento de produtividade indevida a servidores. A denúncia aponta ainda que, após o início de auditorias internas, houve exonerações de pessoal técnico e a interrupção de sistemas de controle, o que dificultou o rastreamento de evidências.
A situação financeira e administrativa do DAE reflete-se na operação de abastecimento de Várzea Grande. O TCE destaca a persistência da falta de água em diversas regiões do município e registra o descumprimento, por parte da autarquia, de diretrizes determinadas anteriormente pelo órgão de controle para a reestruturação da gestão.
O encaminhamento do Tribunal agora depende de avaliação pelo Poder Executivo estadual. A intervenção judicial é proposta como mecanismo para a correção das contas e a normalização do fornecimento de água na cidade. O DAE, até o momento, não apresentou posicionamento formal sobre os apontamentos do Tribunal de Contas.
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