livre pensar
O pior ainda está por vir
Por Vinicius Bergamasco
Conforme amplamente divulgados nos meios de comunicação, no dia 20/03/2020 o Congresso Nacional através da decreto legislativo n. 06/2020, decretou estado de calamidade pública em âmbito federal, o que em rápidas linhas, autoriza o Governo Federal deixar de cumprir até o último dia do corrente ano, a meta fiscal previamente estabelecida, para poder destinar recursos ao combate do avanço do coronavírus.
Além do descumprimento da meta fiscal, a decretação de calamidade pública é um fenômeno jurídico previsto em nossa Constituição Federal, que autoriza a criação de um tributo de competência exclusiva da União, conhecido como “empréstimo compulsório”.
O nome do tributo é um tanto quanto contraditório, já que é estranho associar um ato voluntário (empréstimo) com uma ordem (compulsório), no entanto, referido tributo possui essa denominação por uma característica ímpar em detrimento dos demais tributos previstos em nossa Constituição, que é o fato de ser restituível.
O referido tributo tem a finalidade de atender as despesas extraordinárias decorrentes de três hipóteses: guerra externa ou sua iminência; calamidade pública; ou investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional. Essa previsão está expressa no art. 148 da nossa Constituição Federal, e a sua instituição se dá única e exclusivamente por lei complementar.
Tendo em vista que o texto constitucional prevê somente os fatos que autorizam a instituição do tributo, deixando em branco quais são as hipóteses de incidência do tributo bem como quem efetivamente deverá pagar, cabe ao Congresso Nacional através da criação de uma lei complementar, fazer a previsão de quem deverá pagar (sujeito passivo) e porque deverá pagar (hipótese de incidência).
Não demorou muito para a Câmara dos Deputados apresentar o seu primeiro projeto de lei complementar que institui a incidência do empréstimo compulsório. O seu autor é o Deputado Federal Wellington Roberto do PL/PB, através do protocolo 34/2020, realizado no dia 23/03/2020
No texto do projeto é previsto que quem deverá efetuar o pagamento do tributo são as empresas que possui o patrimônio líquido igual ou superior a R$ 1.000.000.000,00 (um bilhão de reais) na data da publicação da lei, e o empréstimo deverá ser em até 10% do lucro líquido apurado nos últimos 12 meses anteriores à publicação da lei.
O prazo para a restituição do tributo aos contribuintes é de 04 anos a contar do fim da situação de calamidade pública, será pago em moeda corrente, corrigida pela taxa SELIC, e poderá ser parcelado em até 12 vezes.
O projeto de lei complementar ainda deverá ser votado pelas duas Casas Legislativas e somente será aprovado se houver maioria absoluta dos votos nas duas Casas (Câmara: 257 Deputados; Senado: 41 Senadores).
O debate é necessário, tendo em vista que estamos vivenciando um caos que será diluído em forma de cascata. Parece óbvio, mas a única forma de se resolver por completo a questão de saúde pública em relação ao coronavírus é a sua cura.
As medidas de isolamento social não irão resolver a situação do coronavírus, mesmo sendo extremamente necessária para evitar a sua propagação em massa.
Acredito que antes mesmo de se pensar em reestruturar a nossa economia evitando maiores prejuízos da enorme resseção econômica que virá, o momento é para que o Estado foque as suas forças em se preparar para a necessidade de utilizar a capacidade máxima do nosso sistema de saúde, abastecendo e incrementando ainda mais os hospitais, deixando preparado estádios e locais públicos para receber e tratar os casos confirmados.
Vidas estão em jogo, não podemos tratá-las como meras estatísticas, no entanto, pelo andar da carruagem, não podemos fechar os olhos para um mal ainda maior que está por vir.
Vamos refletir um pouco. No Brasil, segundo estudos da Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD), divulgados pelo IBGE no dia 28/02/2020, já possuímos aproximadamente 11,9 milhões de desempregados, uma queda de 0,8% em relação ao mesmo período no ano anterior. Dessas milhões de pessoas desempregadas, muitas estão na informalidade e necessitam fazer a sua renda diária.
Além das milhões de pessoas desempregadas e que estão na informalidade, existe os milhões de autônomos, micro e pequenas empresas, que também necessitam de suas rendas diárias, não só para garantirem as suas respectivas sobrevivências, mas para garantir também a sobrevivência dos seus empregados, e da sociedade como um todo através do recolhimento dos tributos.
O nosso sistema tributário gira em torno do consumo, sendo esta a nossa maior fonte de receita, e verificando a estagnação do mercado com a consequente diminuição do consumo, podemos ver onde irá fechar esse ciclo. Na falta de recolhimento de tributo em massa.
Veja, se os milhões de empreendimentos prejudicados não estão dando conta de se manterem em pé já que não estão tendo lucro, muito menos conseguindo manter em dia o pagamento dos seus funcionários, a sua última prioridade será pagar tributos. Analisando a sistemática, será uma grande bola de neve.
Mesmo com o Governo Federal, Estados e Municípios tomando medidas para a postergação do recolhimento dos tributos de suas respectivas competências, vai chegar um momento que nem mesmo os entes federados terão condições de cumprir com as suas atividades essenciais.
Analisando a lógica, estamos em um efeito cascata em que o caos da saúde desagua no caos econômico e que eventualmente irá desaguar no caos fiscal.
Ainda haverá muito debate no que se refere a necessidade do empréstimo compulsório e certamente este é o cenário que nenhuma pessoa gostaria de vivenciar, no entanto, caso ainda houver a necessidade de uma longa prorrogação do isolamento social, o caos econômico irá começar a apresentar os seus efeitos de forma mais alarmante, e nesse cenário, a figura do empréstimo compulsório será uma das poucas opções da União.
Diante desse cenário o que nos resta é torcer para que a cura do coronavírus venha o mais rápido possível, já que tanto de um lado, quanto de outro, haverá prejuízos.
*Vinicius Bergamasco, é advogado tributarista, sócio do escritório Cardoso de Andrade Advogados Associados. [email protected]
artigos
Série Governantes: Faça a sua parte
Por Francisney Liberato
“Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país.” John F. Kennedy
Uma das características mais marcantes do brasileiro é a sua criatividade. Ele consegue desenvolver e pôr em prática várias habilidades como: ideias, pensamentos, empreendedorismo, visando o seu bem-estar e o seu conforto, como também o de sua família.
Segundo o site “Terra”, em 30/09/2019, é apresentada uma pesquisa a qual conclui: “A pesquisa Amway Global Entrepreneurship Report (AGER) revela que 56% dos brasileiros desejam ser donos do seu próprio negócio. Destes, 74% são jovens entre 18 e 35 anos. O índice do Brasil é maior que a média global, que está em 47%”.
Vejam que no Brasil os jovens desejam criar e empreender, eles querem ter o seu próprio negócio. Isso é muito positivo para nossa nação. Infelizmente, uma coisa é desejar e querer ser um empresário, outra, bem diferente, é efetivar esse desejo.
Não podemos permitir que o conceito autocrático, isto é, esperar que as ideias, iniciativas e as respostas sejam exclusivamente do chefe, do líder, do diretor escolar, do pai e da mãe, do governante, do presidente, uma vez que, se agirmos dessa maneira, veremos falecer a nossa liberdade de criar.
É fundamental para todos que tenham uma mentalidade aberta e moderna que as pessoas criem e empreendam mais, pois é por intermédio disso que é gerada riqueza para o nosso país.
Você deve olhar para dentro de si e se perguntar: Qual é a sua vocação para melhorar a sua vida, a vida da sua família, dos seus entes queridos e do país onde reside? Essa reflexão é de extrema importância.
A responsabilidade é única e exclusivamente sua. Aqui existe um conceito fundamental que devemos ter como prisma em nossas vidas, que é chamado de Autorresponsabilidade. Em síntese, é necessário trazer para si a responsabilidade, e não a de colocar sobre o encargo do outro, como: os seus pais, seus familiares, seus empregadores e seus governantes. Em outras palavras, o sucesso ou fracasso da sua vida está em sua alçada.
Se pensarmos a vida dessa forma, saiba que teremos uma nação moderna e próspera, com índices de desenvolvimento econômico e humano semelhantes aos de países do primeiro mundo.
Entretanto, muitos indivíduos têm dificuldades de entender o seu propósito para esta vida. Muitos estudantes que estão cursando uma faculdade já pensam em desistir, por entender que não é bem isso o que sonham para sua vida. Enquanto existem muitos indivíduos desejando crescer evoluir, por outro lado, têm, infelizmente, os que esperam “a comida, o emprego, o dinheiro caírem do céu”.
John Fitzgerald Kenedy ou JFK foi um político norte-americano que governou os Estados Unidos (1961-1963), o seu nome está registrado como o 35° presidente daquela nação. Ele é considerado uma das grandes personalidades do século XX.
Kennedy se tornou o segundo presidente mais jovem do seu país, depois de Theodore Roosevelt. Infelizmente, não conseguiu terminar o seu mandato, uma vez que foi assassinado em 1963.
O presidente John Kennedy proferiu uma célebre frase que ainda tem uma enorme relevância para os nossos dias: “Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país”.
Podemos parafrasear essa afirmação do ex-presidente americano para o nosso contexto: o que nós brasileiros podemos fazer pelo Brasil? O que estamos fazendo para melhorar o nosso país? Qual tem sido a minha e sua contrapartida para desenvolver e aperfeiçoar esta nação? Como podemos abandonar determinadas atitudes paternalistas e viver de forma mais racional, visando o bem comum? O Estado pertence a todos nós. Devemos fazer a nossa parte, e não exigir que Estado seja o responsável e provedor por tudo.
Nosso país é formado pela diversidade cultural, étnica e social de milhares de brasileiros, que nem sempre concordam com as decisões dos nossos governantes, mas todos fazemos parte da nação, e devemos caminhar em um mesmo sentido. A nossa Constituição de 1988 dispõe que todo poder se origina do povo. O poder está nas mãos de cada ser habitante deste país. Nós podemos e devemos fazer o melhor pelo Estado, independentemente de questões políticas e partidárias.
Não diga o que o país deve fazer por você, use a sua criatividade, empreendedorismo, e faça o seu melhor na medida de suas condições, e de acordo com as suas circunstâncias. Seja presente e deixe o seu legado para esta nação. A responsabilidade pelo sucesso ou fracasso do Brasil está em nossas mãos. Está disposto a tomar uma iniciativa para contribuir com a República Federativa do Brasil?
Francisney Liberato Batista Siqueira é Auditor Público Externo do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Chefe de gabinete de Conselheiro do TCE-MT, Palestrante Nacional, Professor, Coach, Mentor, Advogado e Contador, Autor dos Livros “Mude sua vida em 50 dias”, “Como falar em público com eficiência” e “A arte de ser feliz”.
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