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O que é governança digital e por que ela importa para os municípios?
Por Alisson Carvalho de Alencar
A era digital transformou a administração pública. Para os municípios de Mato Grosso, governar não é mais apenas gerir recursos, mas, fundamentalmente, governar dados. A governança digital surge como a bússola essencial para essa jornada, garantindo que a tecnologia sirva ao cidadão de forma eficiente, transparente e segura. Não se trata de uma opção, mas de um dever público e uma responsabilidade inadiável.
No Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, compreendemos essa urgência. Por isso, reestruturamos nossa própria Comissão de Governança de Tecnologia da Informação, alinhando-a às melhores práticas e legislações como a LGPD e a Lei de Acesso à Informação.
Ademais, o TCE-MT por meio da Portaria nº 043/2026, regulamentou a aplicação da Lei Federal que dispõe sobre o Governo Digital e a eficiência pública, inserindo no bojo da Portaria um capítulo específico sobre o controle externo e a atuação preventiva. Estas iniciativas demonstram nosso compromisso em liderar pelo exemplo, estabelecendo padrões de excelência que agora estendemos aos 142 municípios mato-grossenses.
A governança digital, para o gestor municipal, significa ter controle estratégico sobre tecnologia e dados, usar inteligência artificial e ciência de dados para identificar necessidades, otimizar serviços e justificar investimentos. Políticas complementares de segurança, como as aprovadas pelo Tribunal, são a base para garantir a integridade e confidencialidade dessas informações.
Governança digital é, em essência, o conjunto de regras, estruturas e processos que orientam o uso estratégico da tecnologia e dos dados na administração pública, sendo a diferença entre uma gestão que age por intuição e uma que decide com base em evidências, identificando onde investir, quem atender com prioridade e como prestar contas ao cidadão de forma transparente e objetiva.
É nesse contexto que a Comissão Permanente de Transformação Digital e Disrupção – CPT2D do TCE-MT assume um papel crucial. Nosso programa visa não apenas disseminar a cultura digital, mas capacitar os gestores municipais a transformar dados em valor público. A Estratégia Nacional de Governo Digital, reforça a necessidade de os entes federados qualificarem suas gestões digitais.
Por essa razão, o diagnóstico de maturidade digital que a Comissão Permanente lança é a ferramenta para que cada município avalie seu ponto de partida. Não é um ranking. Mas sim, um instrumento para autoconhecimento institucional, permitindo aos municípios identificarem fragilidades, planejar ações e captar recursos para a transformação digital.
Portanto, a governança digital não é mais algo abstrato e opcional, mas sim um dever gerencial. A não consecução impactará negativamente o futuro do município e da gestão, pois a qualidade dos serviços públicos prestados e a responsabilidade com o dinheiro público em benefício do cidadão, passam, inevitavelmente, pela implementação de uma gestão digital madura e eficiente. A transformação digital aqui proposta é fundamental.
E, Mato Grosso, por meio da CPT2D, está à frente dessa agenda nacional!
Alisson Carvalho de Alencar é conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso e Presidente da Comissão Permanente de Transformação Digital e Disrupção (CPT2D) do TCE-MT/Pós-doutor pela Universidade de São Paulo – USP; Doutor em Direito pela Universidade de Salamanca, em convênio com a Faculdade Autônoma de Direito (2020); Mestre em Administração Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas (2015).
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Ultrassonografia dos nervos periféricos: um exame que vai muito além da hanseníase
Por Adriana Costa
Quando pensamos em ultrassonografia, é comum associarmos o exame à gestação, ao abdômen ou às articulações. No entanto, a evolução da tecnologia ampliou significativamente as possibilidades desse método diagnóstico. Um dos exemplos é a ultrassonografia dos nervos periféricos, um exame ainda pouco conhecido pela população, mas que tem desempenhado um papel cada vez mais importante na investigação de doenças que afetam o sistema nervoso.
Durante muitos anos, esse exame ficou bastante associado ao diagnóstico da hanseníase, doença que pode comprometer os nervos periféricos e causar perda de sensibilidade e deformidades quando não identificada precocemente. De fato, a ultrassonografia é uma ferramenta valiosa para essa finalidade, especialmente em estados como Mato Grosso, onde a hanseníase ainda representa um importante desafio para a saúde pública.
Entretanto, limitar esse exame apenas à investigação da hanseníase significa desconhecer todo o seu potencial. Hoje, a ultrassonografia dos nervos periféricos é capaz de auxiliar no diagnóstico de diversas condições que provocam sintomas muito frequentes na população, como dores persistentes, formigamentos, dormência, perda de força muscular e dificuldade para movimentar braços, mãos, pernas ou pés.
Por meio da visualização direta dos nervos em tempo real, o exame permite identificar alterações estruturais que muitas vezes não podem ser percebidas apenas pela avaliação clínica. É possível diagnosticar compressões nervosas, como a síndrome do túnel do carpo, lesões decorrentes de traumas, inflamações, tumores benignos dos nervos, sequelas de acidentes e alterações relacionadas a doenças metabólicas e autoimunes, como o diabetes.
Uma das maiores vantagens desse método é a possibilidade de localizar exatamente o ponto onde o nervo está comprometido e compreender a causa da alteração. Essa informação oferece mais segurança ao médico na definição do tratamento, seja ele clínico, cirúrgico ou de reabilitação.
Além disso, trata-se de um exame confortável para o paciente. A ultrassonografia dos nervos periféricos é indolor, não utiliza radiação ionizante, permite comparar o nervo afetado com o lado oposto do corpo e pode ser realizada de forma dinâmica, acompanhando os movimentos durante a avaliação. Essas características agregam informações importantes que complementam o exame físico e, quando necessário, a eletroneuromiografia.
Outro aspecto relevante é a rapidez com que os resultados podem contribuir para o diagnóstico. Quanto mais cedo a causa de um comprometimento neurológico é identificada, maiores são as chances de iniciar um tratamento adequado, reduzindo o risco de sequelas permanentes e melhorando a qualidade de vida do paciente.
A medicina tem avançado na busca por diagnósticos cada vez mais precisos e menos invasivos, e a ultrassonografia dos nervos periféricos é um excelente exemplo dessa evolução. Mais do que um exame voltado à hanseníase, ela se tornou uma importante aliada na investigação de diferentes doenças neurológicas, permitindo respostas mais rápidas e tratamentos mais direcionados.
Por isso, diante de sintomas como dormência, formigamentos, dores persistentes ou perda de força, é fundamental buscar avaliação médica. Em muitos casos, a ultrassonografia dos nervos periféricos pode ser o exame que faltava para esclarecer a origem do problema e indicar o caminho mais adequado para a recuperação.
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