MINISTÉRIO PÚBLICO MT
Gaeco investiga servidores públicos por ligação com facção
O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) de Sinop, a 451 km de Cuiabá, cumpriu, nesta terça-feira (2), quatro mandados de busca e apreensão contra dois servidores da Prefeitura, que integravam cargos de confiança e são suspeitos de ligação com a facção criminosa Comando Vermelho.
A ação faz parte da Operação “Aliança Oculta”, que investiga a possível influência da organização criminosa na estrutura administrativa do município de Sinop.
As investigações começaram após a apreensão de celulares com traficantes em operações anteriores do Gaeco, com autorização da Justiça. Durante a análise do conteúdo dos aparelhos e de documentos apreendidos, a perícia identificou que festas populares vinham sendo realizadas com recursos da facção.
Esses eventos, embora apresentados como entretenimento, eram usados para promover a organização criminosa, atrair jovens e ampliar sua influência nas comunidades.
Os investigadores identificaram que grupos criminosos promovem ações públicas para ganhar aceitação social e fortalecer a atuação. Os servidores da Prefeitura de Sinop seriam responsáveis por facilitar ações do grupo, inclusive com o uso da estrutura pública para obtenção de vantagens e expansão das atividades criminosas.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos celulares, documentos e mídias digitais, que passarão por perícia e serão objetos de uma nova investigação que segue em andamento.
A ação contou com o apoio do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, do 3º Comando Regional da Polícia Militar, da 26ª Companhia Independente de Força Tática e da Polícia Judiciária Civil de Sinop.
O Gaeco é uma força-tarefa permanente formada por integrantes do Ministério Público, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal e Sistema Socioeducativo, que atuam de forma integrada no combate ao crime organizado.
Mato Grosso
MP e Judiciário lançam Programa Semear para ressocialização
O encerramento do encontro técnico sobre inteligência na execução penal, realizado nesta sexta-feira, marcou um passo decisivo para a segurança pública de Mato Grosso com o lançamento oficial do Programa Semear. A iniciativa, que une o Ministério Público e o Poder Judiciário estadual, busca transformar a realidade dos presídios ao focar na recuperação efetiva de detentos e no apoio a quem deixa o sistema carcerário. A atuação conjunta entre as instituições foi apontada como o diferencial necessário para a implementação da proposta no estado.
O Semear, que significa Sistema Estadual de Métodos para Execução Penal e Adaptação Social do Recuperando, chega a Mato Grosso com o objetivo de dar mais efetividade ao processo de ressocialização. Além de focar na assistência direta aos custodiados, o programa também prevê ações de valorização para os servidores do sistema prisional, reconhecendo-os como peças fundamentais na engrenagem de transformação social dentro das unidades.
A base do projeto vem de uma experiência de quase 11 anos no estado de São Paulo, onde os números impressionam: em 159 unidades prisionais, mais de 52 mil pessoas foram beneficiadas. O dado mais relevante aponta que 82% dos participantes que ganharam a liberdade não voltaram a cometer crimes. Em solo mato-grossense, a viabilização do programa ocorre por meio de um termo de cooperação firmado entre o Ministério Público, Tribunal de Justiça, Defensoria Pública, Governo do Estado e o Instituto Ação pela Paz.
Durante o evento, especialistas reforçaram que o modelo atual de apenas encarcerar sem recuperar é insuficiente. Solange Senese, diretora do Instituto Ação pela Paz, questionou a lógica de expansão contínua de presídios, defendendo que o investimento na recuperação humana gera economia aos cofres públicos e interrompe o ciclo da criminalidade. Segundo ela, atividades como música, esportes e até o xadrez têm se mostrado ferramentas poderosas para reduzir os índices de retorno ao crime.
A visão histórica da punição também foi debatida pelo desembargador Luiz Antonio Cardoso, do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ele destacou que a pena deixou de ser meramente um castigo físico para se tornar um período de preparação para o retorno à sociedade. O magistrado alertou que o trabalho da Justiça e da polícia se perde quando o indivíduo é devolvido à comunidade sem ter passado por qualquer mudança de comportamento, reforçando que a participação da sociedade civil é indispensável nesse processo.
Pelo lado operacional, o coordenador de presídios Jean Ulisses Campos Carlucci trouxe a experiência prática da gestão penitenciária paulista. Ele enfatizou que a reintegração social é uma obrigação legal dos gestores e que o sucesso das ações depende diretamente do engajamento das equipes locais. Carlucci destacou que os projetos são adaptáveis a diferentes estruturas e que o diferencial em Mato Grosso será a capacidade dos diretores de unidades em capitanear essas novas metodologias.
No encerramento, a procuradora de Justiça Josane Fátima de Carvalho Guariente apresentou ainda o Projeto Lótus, focado especificamente na saúde e bem-estar dos profissionais que atuam no sistema penitenciário. O projeto, que será lançado oficialmente em agosto, utiliza a simbologia da luz para incentivar que os servidores sejam agentes de transformação em seu ambiente de trabalho. Para a coordenadora, o Programa Semear nasce com o propósito de oferecer caminhos mais humanos e eficazes para a execução penal no estado.
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