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As fantasias virtuais e a violência contra as mulheres
Divulgação
A sociedade tem passado por intensas transformações, mobilizadas, em grande parte, pela internet. Se de um lado, se amplia o acesso às informações, de outro, a hiperconectividade pode produzir alterações no funcionamento psíquico, inclusive em nossas fantasias.
Freud acreditava que as fantasias estavam vinculadas aos desejos inconscientes e determinavam a maneira pela qual o sujeito interpretava sua realidade.
Para Lacan, nossos desejos são formados pelo desejo do Outro. Entendia esse Outro como as insígnias culturais que nos seriam transmitidas desde a infância e que cada um introjetaria a seu modo.
Ocorre que esse Outro da cultura globalizada é guiado pelas “mãos invisíveis” do mercado, e se faz presente nos dispositivos televisuais. Esse Outro tem atuado por meio de um psicopoder tecnológico alimentado pelas pulsões perverso-polimorfas.
Pode parecer um pouco estranho, mas Freud identificou que as crianças desde pequenas possuíam pulsões perversas: sádicas, masoquistas, voyeurísticas e exibicionistas. No entanto, com os processos educativos, parte dessas pulsões seriam convertidas em atividades culturalmente relevantes.
Na sociedade de consumo, ao invés de serem sublimadas, tais pulsões são hiperestimuladas e exploradas comercialmente, se transformando em “matéria-prima” das chamadas fantasias virtuais.
Em meu livro: “O adolescente e a internet: laços e embaraços no mundo virtual” apresento uma pesquisa na qual identifiquei as seguintes fantasias nas meninas: a amada-escolhida; a mãe-bebê e a fantasia de ser celebridade.
São fantasias culturalmente engendradas que podem ser usadas no controle dos corpos femininos. Se definir mulher ao ser escolhida ou não por um homem? Se definir mulher a partir da maternidade? Se definir mulher a partir da oferta de seu corpo ao prazer masculino?
O problema é que muitas meninas se submetem a situações abusivas em função dessas fantasias, sem questioná-las.
Em relação aos meninos identifiquei predominantemente fantasias sádicas e de poder. Desde cedo são estimulados às disputas e aos games violentos. Um deles, o GTA, possui cenas fortíssimas de violência sexual e, apesar de proibido para menores de 18, é amplamente jogado por crianças.
Nos sites de pornografia ou nas salas de bate-papo predominavam vídeos de pedofilia, zoofilia e estupros coletivos, cujas vítimas eram sempre mulheres.
Esse tipo de exposição intensa e precoce pode criar no menino um padrão de satisfação sexual perversa que irá influenciar suas relações, podendo inclusive afetar o investimento nas atividades intelectuais.
Os filósofos Adorno e Horkheimer, nos anos de 1940, demonstraram como a exploração da libido na sociedade capitalista induzia o desprezo à mulher, estimulando um prazer que ao invés de se aliar à ternura, se aliava à crueldade.
Assim, muitos meninos ou mesmo adultos, ao experimentarem repetidamente fantasias virtuais sádicas, podem ser privados de vivências amorosas concretas restauradoras. Ao se submeterem a um padrão de gozo destrutivo também estão mais vulneráveis às pulsões autodestrutivas, pois não desenvolvem a capacidade de cuidar bem de si, nem do outro.
É muito importante que prestemos atenção às fantasias virtuais pois elas podem contribuir para a banalização da violência contra a mulher. Além disso, é essencial que as famílias e as escolas atuem na proteção online das crianças e adolescentes.
Claudia Prioste é Psicanalista, Professora Assistente Doutora do Departamento de Psicologia da Educação da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp – Câmpus Araraquara. Coordena o grupo de pesquisa: “A formação do sujeito na era digital”.
artigos
O dever da Religião
Por Paiva Netto
Declarei ao ilustre jornalista italiano radicado no Brasil Paulo Rappoccio Parisi (1921-2016), na entrevista concedida a ele em 10 de outubro de 1981, que é dever da Religião proclamar a existência do Espírito imortal e efetivar os resultados práticos desse indispensável conhecimento na reforma do planeta.
Eis o pragmatismo que, por força da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, o Brasil oferece à humanidade, pois tais noções amadurecerão a consciência dos povos para a realidade espiritual de que ninguém consegue permanentemente escapar. Não se pode eternamente impedir a manifestação daquilo que nasce com o ser humano,
mesmo quando ateu: o sentido de Religiosidade que se expressa das mais variadas formas. Para além do debatido determinismo histórico, trata-se, acima de tudo, do Determinismo Divino, de que nos falava Alziro Zarur. Antes que fatalmente a Ciência conclua, em laboratório, sobre a perenidade da vida, cumpre à Religião não só abordar com maior objetividade a existência do Espírito após a morte, mas concomitantemente pesquisar o Mundo ainda Invisível.
Parceria Céu e Terra
Ora, a morte não deve ser motivo de assombro nem ser tratada com desdém ou negligência. Diante da eternidade da vida, é essencial extrair seus preciosos aprendizados, que ajudaram a moldar os destinos da humanidade, contribuindo para sua continuação até aqui. Esse intercâmbio entre Terra e Céu, Céu e Terra, quando estabelecido com as forças do Bem, nos dá confiança na vida. Contar com a cooperação bendita daqueles que nos antecederam na jornada espiritual, sabendo que estão mais vivos do que nunca, incentivando-nos a boas ações, no cumprimento de nossas tarefas prometidas antes de aqui renascer, é parceria infalível.
Há décadas, preconizo que o ser humano não é somente sexo, estômago e intelecto, isto é, um saco de sangue, ossos, músculos e nervos, apenas jungido às limitadoras perspectivas do plano material. Reduzi-lo a isso é promover a cultura do fedor. A morte não é o fim; a vida é perpétua. E o Espírito é suprema realidade.
José de Paiva Netto é jornalista, radialista e escritor – [email protected] — www.boavontade.com
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