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O corpo da mulher muda após a maternidade e isso não deveria ser tabu
A maternidade transforma a vida da mulher em muitos aspectos. Mudam as prioridades, a rotina, as emoções e, naturalmente, o corpo. Apesar disso, ainda existe um silêncio muito grande quando o assunto são as alterações físicas e íntimas que podem surgir após a gestação e o parto.
Flacidez abdominal, incontinência urinária, diástase, dores pélvicas e mudanças na vida sexual são situações comuns no pós-parto, mas muitas mulheres convivem com esses sintomas sem buscar ajuda, seja por vergonha, medo ou pela falsa ideia de que “é normal sofrer depois de ter filhos”.
É importante esclarecer: algumas mudanças realmente fazem parte do processo da maternidade, mas isso não significa que a mulher precise aceitar desconfortos físicos e emocionais sem acompanhamento ou tratamento adequado.
Durante a gestação, o corpo feminino passa por adaptações intensas. O crescimento do útero, as alterações hormonais e o ganho de peso provocam impactos importantes na musculatura abdominal, na região pélvica e na pele. Após o nascimento do bebê, o organismo inicia um processo de recuperação que varia de mulher para mulher.
Uma das alterações mais frequentes é a diástase abdominal, que acontece quando há afastamento dos músculos do abdômen. Esse quadro pode causar flacidez, sensação de fraqueza na região abdominal, dores lombares e até dificuldades posturais. Em muitos casos, exercícios orientados e fisioterapia pélvica ajudam significativamente na recuperação, embora algumas pacientes necessitem de tratamentos complementares.
Outro tema bastante comum, mas pouco discutido, é a incontinência urinária. Muitas mulheres relatam perda involuntária de urina ao tossir, rir, espirrar ou praticar atividades físicas. Isso ocorre porque a gestação e o parto podem enfraquecer a musculatura do assoalho pélvico, responsável pela sustentação dos órgãos da pelve e pelo controle urinário.
Apesar de frequente, a incontinência não deve ser encarada como algo inevitável da maternidade. Atualmente existem tratamentos eficazes, que vão desde fisioterapia especializada até procedimentos minimamente invasivos, dependendo de cada caso.
As dores pélvicas também merecem atenção. Alterações musculares, cicatrizes cirúrgicas, mudanças hormonais e sobrecarga física podem provocar desconfortos persistentes no pós-parto. Muitas vezes, essas dores acabam impactando diretamente a qualidade de vida, o sono, a disposição e até o vínculo emocional da mulher consigo mesma.
Além das mudanças físicas, existe ainda um aspecto frequentemente negligenciado: a autoestima feminina. O corpo após a maternidade nem sempre corresponde às expectativas criadas socialmente, e isso pode gerar insegurança, sofrimento emocional e dificuldades na relação da mulher com sua própria imagem.
As alterações na vida sexual também são comuns nesse período. Ressecamento vaginal, desconforto durante a relação, diminuição da libido e insegurança corporal podem surgir principalmente nos primeiros meses após o parto. Questões hormonais, cansaço físico e adaptação à nova rotina influenciam diretamente nessa fase.
Por isso, o acolhimento médico e emocional da mulher no pós-parto é fundamental. O acompanhamento ginecológico não deve se limitar apenas ao período da gestação, mas continuar também após o nascimento do bebê, oferecendo orientação, diagnóstico e tratamento individualizado para cada necessidade.
Falar sobre o corpo após a maternidade é necessário. Quanto mais informação e acolhimento existirem, maior será a possibilidade de as mulheres compreenderem que cuidar de si mesmas também faz parte da maternidade.
A mulher não deve sentir culpa por buscar qualidade de vida, bem-estar e autoestima após ter filhos. O cuidado com a saúde física e emocional da mãe é igualmente importante para toda a família.
Por Lélia Brun
Dados e informações ajudam a apontar caminhos, orientar estratégias e compreender, com mais profundidade, a realidade de quem empreende. No Sebrae Mato Grosso, realizamos pesquisas periódicas para apoiar decisões mais conscientes, tanto dos empreendedores quanto das instituições que atuam pelo desenvolvimento dos pequenos negócios.
Foi com esse olhar que analisamos o Panorama do Empreendedorismo Feminino em Mato Grosso 2026 e a Pesquisa de Intenção de Consumo para o Dia das Mães. Entre tantos indicadores relevantes, um dado específico me chamou a atenção: 36,6% das mães que empreendem no estado se identificam como mães atípicas. Cuidam de filhos com necessidades específicas e, mesmo assim, estão construindo um negócio.
Esse dado convida a uma pergunta que os números sozinhos não respondem: quem é essa mulher? Existe uma versão romantizada da mãe empreendedora, a que “faz tudo”, que “se reinventou”, que “é uma inspiração”. Essa narrativa tem sua função, mas não retrata a complexidade do cenário. O empreendedorismo feminino cresceu cerca de 20% entre 2025 e 2026, totalizando cerca de 224 mil mulheres empreendedoras em Mato Grosso. A maioria delas, 68,2%, são mães e boa parte, chefes de família, responsáveis pelo sustento da casa.
Esse perfil tem contornos precisos. A maior parte está entre 25 e 44 anos, fase em que maternidade e negócio se acumulam. Uma em cada quatro empreende dentro de casa. Para as mães solo, o quadro é ainda mais desafiador: menos estabelecimentos fixos, mais atendimentos na casa de clientes, mais formatos improvisados. O negócio sustenta a família em 44,9% dos casos, o que significa, na prática, que, se ele parar, a família fica desamparada.
Diante desse cenário, vale entender o que as trouxe até aqui. A necessidade financeira e a percepção de oportunidade aparecem praticamente empatadas como motivações principais, cerca de 40% cada. Mas o terceiro motivo é revelador: 18,6% relatam frustração com o mercado de trabalho formal. Em muitos casos, o negócio próprio surgiu porque a empregabilidade falhou. O mercado não comportou a maternidade com o devido apoio e a flexibilidade necessária.
Se as motivações são múltiplas, as barreiras também são. A que mais me impressionou não é a falta de capital, mas a conciliação da maternidade atípica com os desafios de tocar um negócio. Trata-se de ausência de estrutura, falta de redes que entendam essa realidade e de políticas que reconheçam que empreender com um filho que demanda cuidado constante é uma equação diferente, que merece soluções diferentes. Soma-se a isso o fato de que mães solos enfrentam os maiores índices de discriminação de gênero e racial entre todos os grupos pesquisados.
São esses desafios que tornam o empreendedorismo feminino uma pauta prioritária nas decisões estratégicas do Sebrae Mato Grosso. Tanto que já atendemos mais de 432 mil mulheres no estado, por meio de programas como o Sebrae Delas, o Força Mulher, Mulheres Incríveis e Inteiras para Liderar, Encontros de mães atípicas, entre outras iniciativas que fortalecem o protagonismo feminino e conectam desenvolvimento pessoal, profissional e econômico.
Além do suporte estrutural, há uma janela de oportunidade concreta neste momento. O Dia das Mães deve movimentar cerca de R$ 409 milhões na economia de Mato Grosso, com mais da metade dos consumidores dispostos a comprar e pequenos comércios liderando a preferência de compra.
E vale ressaltar que entre os negócios comandados por mães, a maioria é exatamente isso: pequenos comércios, serviços, produtos artesanais, atendimentos personalizados. A data que celebra a maternidade é também a maior janela de vendas para quem é mãe e empreendedora ao mesmo tempo. Uma oportunidade real, que precisa ser planejada e aproveitada.
Neste Dia das Mães, minha homenagem a todas. Às que empreendem por sonho e às que empreendem por necessidade. Às que têm rede de apoio e às que constroem sozinhas. Às que seguem mesmo quando o tempo, a estrutura e as oportunidades ainda não são suficientes.
Feliz Dia das Mães. Que este dia seja de afeto, reconhecimento e compromisso real com as mulheres que sustentam tantos negócios e tantos futuros.
Lélia Brun é diretora-superintendente do Sebrae/MT
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