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A força do cooperativismo brasileiro
Por João Spenthof
O cooperativismo brasileiro vive um momento de grande afirmação. Mais do que um modelo econômico alternativo, consolidou-se como uma das formas mais eficientes de organizar pessoas, gerar riqueza, distribuir resultados e promover desenvolvimento territorial. Segundo dados recentes do Anuário do Cooperativismo Brasileiro, divulgado pelo Sistema OCB com data-base de 2025, o país reúne 29 milhões de associados — praticamente um em cada sete brasileiros — em 4.400 cooperativas, que somam R$ 1,6 trilhão em ativos e geraram R$ 61,3 bilhões em sobras.
Esses números demonstram que o cooperativismo é um sistema empresarial robusto, competitivo e, ao mesmo tempo, profundamente comprometido com a inclusão. Sua principal diferença está no destino da riqueza gerada: nas cooperativas, os resultados retornam aos próprios associados e às comunidades onde são produzidos, fortalecendo economias locais, estimulando investimentos e ampliando oportunidades.
Entre os diversos ramos, o cooperativismo de crédito ocupa papel estratégico. Com cerca de 23 milhões de associados e R$ 1,1 trilhão em ativos, as cooperativas financeiras tornaram-se uma força decisiva de inclusão e democratização do acesso ao sistema financeiro. Sua relevância é ainda maior porque estão presentes de forma exclusiva em 1.072 municípios brasileiros, onde não há outra instituição financeira com atendimento físico. Nesses locais, representam acesso a crédito, serviços financeiros, apoio ao empreendedorismo e fortalecimento das atividades produtivas.
Um dos grandes diferenciais competitivos do cooperativismo é sua presença próxima, enraizada e comprometida com a realidade local. Enquanto muitos modelos concentram decisões e resultados em grandes centros, as cooperativas nascem das necessidades das pessoas e permanecem vinculadas aos territórios onde atuam. A governança democrática, baseada no princípio de “uma pessoa, um voto”, assegura que as decisões sejam orientadas pelo interesse coletivo.
Outro diferencial é a capacidade de combinar desempenho econômico com impacto social. As cooperativas competem, inovam, investem em tecnologia e entregam produtos e serviços de qualidade, mas preservam uma lógica de pertencimento: o cooperado é cliente, dono e beneficiário dos resultados. Essa condição transforma usuários em protagonistas e distribui de forma mais equilibrada os ganhos gerados pela atividade econômica.
Em um país de dimensões continentais e profundas desigualdades regionais, o cooperativismo representa uma arquitetura de desenvolvimento mais equilibrada. Ele mantém recursos nas comunidades, estimula a poupança local, promove educação financeira, fortalece pequenos negócios e amplia a cidadania econômica. Sua atuação no campo, na saúde, no transporte, na infraestrutura, no consumo, no trabalho e no crédito demonstra a diversidade e a força de um movimento que conecta produtividade, inclusão, sustentabilidade e compromisso comunitário.
Portanto, falar da força do cooperativismo brasileiro é reconhecer um modelo que gera valor onde o valor nasce: nas pessoas, nas comunidades e nos territórios. Seus números revelam grandeza econômica; sua essência revela propósito social. O cooperativismo mostra, na prática, que desenvolvimento verdadeiro é aquele que inclui, distribui, permanece e fortalece a sociedade brasileira.
João Carlos Spenthof é presidente da Central Sicredi Centro Norte e vice-presidente da OCB-MT
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Eventos e desenvolvimento
Por Roberto Dahmer
A competitividade de um território não é definida apenas pela produtividade. Depende também de sua capacidade de atrair pessoas, conhecimento, investimentos, negócios e experiências. Nesse cenário, os eventos passaram a integrar a estratégia de posicionamento econômico de cidades e estados.
A dimensão desse mercado ajuda a entender sua relevância. Em 2025, dados do Radar Econômico da Associação Brasileira de Promotores de Eventos (Abrape) apontam R$ 140,9 bilhões em consumo associado ao setor e 202,4 mil empregos formais no núcleo da atividade. É também uma cadeia com forte presença dos pequenos negócios.
As micro e pequenas empresas representam 95,9% do setor de eventos no Brasil, segundo dados do estudo de dimensionamento do segmento realizado pelo Sebrae Nacional em parceria com entidades do setor. Isso acontece porque o impacto de um evento ultrapassa os auditórios e alcança hospedagem, alimentação, transporte, comércio, tecnologia, comunicação, segurança e uma extensa rede de fornecedores. Para os pequenos negócios, isso significa demanda, mercado e oportunidade de crescimento.
Mato Grosso já possui evidências concretas desse efeito. Em 2025, os eventos realizados no Centro de Eventos do Pantanal geraram impacto econômico estimado em R$ 32,9 milhões na economia de Cuiabá, segundo cálculo baseado em metodologia da Embratur. Foram 54 setores impactados e 7.328 postos de trabalho temporários. Dos 162,5 mil participantes recebidos, quase 20 mil vieram de fora da capital.
É sob essa perspectiva que os 26 anos do CEP devem ser observados. Em 2000, o Sebrae Mato Grosso tomou a decisão de construir e inaugurar uma infraestrutura dedicada a eventos. Ao longo dessa trajetória, o espaço se consolidou como um dos principais centros de convenções do estado e passou a integrar uma cadeia que movimenta pequenos negócios, fornecedores, serviços e diferentes setores da economia.
O CEP foi, nesse sentido, um divisor de águas para o setor de eventos em Mato Grosso. Quando foi inaugurado, o estado ainda não contava com uma cadeia tão estruturada de fornecedores, serviços especializados e empresas voltadas a esse mercado. Ao criar uma infraestrutura capaz de receber novas agendas e ampliar a demanda, o Sebrae Mato Grosso também contribuiu para desenvolver esse ecossistema, estimular novos negócios e fortalecer um segmento que, ao longo dos anos, ganhou escala e relevância econômica.
Hoje, o CEP deve ser compreendido como um equipamento de desenvolvimento a serviço de Mato Grosso. Mas a infraestrutura, sozinha, não garante competitividade. Por isso, já atuamos para posicionar o estado como destino de eventos locais, nacionais e internacionais, conectando nossa capacidade de receber grandes agendas às nossas vocações em turismo, gastronomia, cultura, natureza, produção, conhecimento e negócios.
Temos três biomas, uma economia dinâmica e uma identidade própria. Na atração de grandes eventos, a infraestrutura importa, mas a experiência oferecida pelo destino também pesa. O objetivo atual é transformar esses ativos em experiências capazes de ampliar a permanência dos visitantes, gerar novas oportunidades para os pequenos negócios e fortalecer o posicionamento de Mato Grosso como destino de eventos.
Mais do que receber grandes agendas, o desafio é fazer com que cada evento deixe valor no território, fortaleça a economia local e contribua para um novo ciclo de desenvolvimento do estado.
Roberto Dahmer é diretor de Administração e Finanças do Sebrae Mato Grosso
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