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Qual o sentido da vida?

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Por Soraya Medeiros

Assisti recentemente a uma palestra que trouxe uma pergunta antiga, aparentemente simples, mas capaz de atravessar gerações, religiões e filosofias: afinal, qual é o sentido da vida?

Saí de lá pensando sobre as diferentes respostas que damos a essa pergunta. Para alguns, viver é conquistar uma casa bonita, um carro novo, viajar, ganhar dinheiro e ter conforto. Para outros, é alcançar sucesso profissional, reconhecimento e prestígio. Há quem encontre sentido na família, no amor, na fé, nos amigos ou no cuidado com o próximo. E há também quem ainda esteja tentando descobrir por que está aqui.

Talvez esse seja um dos grandes dilemas do nosso tempo. Somos ensinados desde cedo a conquistar, produzir, acumular e vencer, mas pouco estimulados a perguntar por que queremos tudo isso.

Vivemos em uma sociedade que frequentemente mede felicidade pelo que pode ser mostrado. O sucesso ganhou endereço, marca, preço e até número de seguidores. Parece que precisamos provar o tempo inteiro que estamos felizes, realizados e vivendo uma vida extraordinária.

Nada há de errado em desejar conforto, crescer profissionalmente ou realizar sonhos. O problema surge quando acreditamos que essas conquistas serão suficientes para preencher todos os nossos vazios.

O psiquiatra austríaco Viktor Frankl, criador da Logoterapia e autor de Em Busca de Sentido, dedicou parte de sua obra à necessidade humana de encontrar significado para a existência. Para ele, esse sentido não é uma fórmula pronta. Pode ser encontrado no trabalho, no amor, nas relações e até na maneira como enfrentamos situações que não podemos mudar.

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E foi justamente aí que a palestra me provocou uma pergunta diferente: passamos tanto tempo pensando “o que eu quero ter?”, mas quantas vezes paramos para perguntar “que vida eu quero viver?”

Porque ter não significa ser.

Podemos conquistar dinheiro e continuar pobres de afeto. Podemos estar cercados de pessoas e nos sentir sozinhos. Podemos receber aplausos e, quando o silêncio chega, não reconhecer quem somos. Podemos acumular bens e descobrir que algumas das coisas mais importantes da vida simplesmente não podem ser compradas.

Talvez estejamos procurando longe demais aquilo que sempre esteve perto.

O sentido pode estar em sentar-se à mesa com quem amamos, abraçar nossos pais enquanto podemos, rir com os amigos, cuidar de um animal, ajudar alguém sem esperar reconhecimento, contemplar um pôr do sol ou simplesmente agradecer por mais um dia.

O problema é que frequentemente adiamos a vida. “Quando eu tiver dinheiro.” “Quando conseguir aquele emprego.” “Quando comprar minha casa.” “Quando encontrar alguém.” “Quando puder viajar.” “Quando as coisas melhorarem.”

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E, de tanto esperar pelo momento ideal, corremos o risco de transformar a existência em uma grande sala de espera.

Mas a vida não espera.

Também acredito que não exista um único sentido para toda a nossa trajetória. Aquilo que parecia essencial aos 20 anos talvez já não seja aos 40 ou aos 60. Nós mudamos. Perdemos pessoas, encontramos outras, acertamos, erramos, amadurecemos e recomeçamos. E cada experiência reorganiza nossas prioridades.

Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja apenas “qual é o sentido da vida?”, mas “qual sentido estou dando à vida que tenho hoje?”

A vida não começa quando conquistarmos tudo aquilo que desejamos. Ela já está acontecendo enquanto trabalhamos, fazemos planos, amamos, choramos, sorrimos, perdoamos, perdemos e encontramos forças para começar novamente.

Talvez não seja necessário descobrir um propósito grandioso para justificar nossa existência. Talvez o verdadeiro sentido esteja nas pequenas coisas que fazemos, nos afetos que construímos e nas marcas que deixamos nas pessoas que passam pelo nosso caminho.

E, no final das contas, talvez baste poder olhar para a própria história e sentir que, apesar de tudo, valeu a pena estar aqui.

Soraya Medeiros é jornalista.

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Da obra ao pós-venda: como a inteligência artificial está transformando o setor imobiliário

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Por Reinaldo Sima

A inteligência artificial vem ocupando um espaço cada vez mais estratégico dentro das empresas. O que começou como uma ferramenta voltada à automação de tarefas evoluiu para uma tecnologia capaz de transformar a forma como as organizações acessam, compartilham e aplicam conhecimento. A discussão deixou de ser se a IA será adotada e passou a se concentrar em como utilizá-la de maneira eficiente e alinhada aos desafios reais do negócio. Em um mercado tão dependente de informação quanto o imobiliário, essa mudança tem efeitos diretos sobre a experiência do cliente e o sucesso da operação.

Na prática, o impacto da IA já pode ser percebido ao longo de toda a jornada de compra. A aquisição de um imóvel envolve crédito, documentação, regulamentação, etapas construtivas e uma série de decisões que exigem rapidez e segurança. Quando as informações não circulam de forma adequada, os processos se tornam mais lentos, as equipes enfrentam mais dificuldades para atuar e a experiência do cliente perde qualidade.

Na MRV, a adoção da inteligência artificial começou há alguns anos no relacionamento com os clientes, com o lançamento da Mia, assistente virtual voltada ao atendimento e à personalização da jornada de compra. O ganho operacional foi importante, mas o principal aprendizado veio depois: a IA não gera valor apenas por automatizar processos. Seu verdadeiro potencial está em resolver problemas concretos e tornar a experiência das pessoas mais simples.

Esse entendimento abriu espaço para uma transformação mais ampla dentro da companhia. Hoje, diferentes áreas contam com agentes especializados para apoiar demandas específicas. O MIAG, por exemplo, permite criar assistentes personalizados a partir de documentos e conteúdos internos. O MARCO atua como copiloto de vendas para corretores, apoiando dúvidas sobre produtos, financiamento e processos comerciais.

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Nesse ecossistema, também está o MAO, sigla para Melhor Amigo da Obra, desenvolvido para apoiar engenheiros e equipes de campo em tarefas práticas, como consultas a normas técnicas e atividades operacionais. Mais recentemente, a MRV lançou a Susi, criada para tornar o Relatório de Sustentabilidade mais acessível por meio de uma experiência conversacional via WhatsApp para diferentes públicos, entre eles investidores, estudantes e interessados em ESG.

Mais do que multiplicar assistentes, o caminho que perseguimos é o de uma plataforma que organiza o conhecimento da companhia em um único lugar e o disponibiliza de forma orquestrada. O valor não está no número de agentes, mas na capacidade de colocar conhecimento em circulação com mais agilidade, governança, contexto e escala.

Embora tenham objetivos distintos, todas essas iniciativas seguem a mesma lógica: aproximar a informação da tomada de decisão. E os resultados já fazem parte da rotina da companhia. Copilotos respondem a dúvidas sobre financiamento em segundos, soluções de crédito reduzem o tempo de decisão para poucos minutos e ferramentas de IA tornam conteúdos técnicos complexos mais acessíveis. Assim, quando um corretor esclarece rapidamente uma dúvida, um profissional recém-chegado a uma obra recebe suporte imediato ou um relatório de sustentabilidade com mais de 200 páginas pode ser consultado por meio de uma conversa simples, o que está em jogo não é apenas produtividade.

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Esse é, a meu ver, um dos efeitos mais transformadores da inteligência artificial dentro das empresas. Durante décadas, o conhecimento organizacional ficou concentrado em áreas ou profissionais específicos. A experiência das pessoas continua indispensável, mas a tecnologia permite que esse repertório circule com mais facilidade e esteja disponível no momento em que alguém precisa tomar uma decisão, resolver um problema ou atender melhor.

Naturalmente, o avanço da IA também traz responsabilidades. A velocidade com que a tecnologia evolui exige atenção permanente à curadoria de conteúdo, à segurança da informação, à governança e aos vieses algorítmicos. Sem direcionamento estratégico, até mesmo soluções sofisticadas correm o risco de se transformar em distração tecnológica. Por isso, o debate precisa ir além.

O desafio não está em acompanhar todas as ferramentas que surgem a cada dia, mas em desenvolver a capacidade de aprender e se adaptar. Os processos continuarão exigindo revisões, as hipóteses precisarão ser constantemente testadas e as decisões terão de ser tomadas com agilidade em um ambiente cada vez mais dinâmico. Essa não é uma exigência criada pela inteligência artificial, mas uma realidade que ela apenas tornou ainda mais evidente e inegociável.

Reinaldo Sima é  diretor de Tecnologia da Informação e Transformação Digital da MRV

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