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Tribunal de Contas apresenta novo modelo de acompanhamento contínuo de parcerias com organizações sociais
O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) apresentou, nesta terça-feira (18), o novo modelo de acompanhamento e prestação de contas das parcerias firmadas entre o Poder Público e organizações da sociedade civil. A mudança, regulamentada pela Resolução Normativa nº 20/2025, estabelece o acompanhamento periódico da execução física e financeira dos recursos públicos, desde a celebração da parceria até a conclusão do objeto.
A nova sistemática foi apresentada durante o “Encontro Estadual Diálogos com as Associações”, promovido pela Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPE-MT), na Escola Superior de Contas. O evento reuniu representantes de associações e organizações civis para orientações sobre regularização, participação em editais, gestão e celebração de parcerias com o Poder Público.
Para o presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, a mudança fortalece o caráter preventivo e orientativo do controle externo, ao permitir que eventuais inconsistências sejam identificadas e corrigidas durante a execução das parcerias. “Esse novo modelo representa um avanço importante porque aproxima o Tribunal das organizações da sociedade civil e permite atuar de forma preventiva, orientando os responsáveis antes que os problemas se agravem. Nosso objetivo não é apenas verificar a prestação de contas ao final, mas acompanhar a execução dos recursos públicos, fortalecer a transparência e contribuir para que cada parceria cumpra efetivamente sua finalidade social”, afirmou.

Durante o painel “Parcerias com o Terceiro Setor sob a ótica do controle externo: o novo modelo de registro, monitoramento e prestação de contas do TCE-MT”, o supervisor da área de Saúde, Meio Ambiente e Assistência Social do Núcleo de Políticas Públicas (NPP) do TCE-MT, auditor público externo Denisvaldo Mendes Ramos explicou que a principal mudança está na adoção de um acompanhamento contínuo, e não apenas na análise das contas ao final dos acordos.
“Meu objetivo é apresentar a nova sistemática de prestação de contas e monitoramento das parcerias entre entidades do terceiro setor e o setor público, que passa a ocorrer desde a celebração da parceria e não mais somente no findar do acordo. Nesse sentido, o Tribunal de Contas tem o papel de orientar e alertar os responsáveis, como têm feito com todos os fiscalizados”, explicou.
Para Denisvaldo Ramos, a mudança reforça a importância do cumprimento efetivo do papel de cada associação, que deve atender à sociedade, além da transparência com os gastos públicos. “A principal finalidade é aproximar o Tribunal de Contas das organizações do terceiro setor, reconhecendo sua relevância na prestação de serviços de interesse público, especialmente em áreas nas quais o Poder Público não possui capacidade de execução direta.”
Na ocasião, a defensora pública-geral, Maria Luziane Ribeiro de Castro, destacou o trabalho orientativo que vem sendo prestado pelo TCE-MT. “O grande desafio de toda a organização civil é justamente a formalização, por conta da burocracia. Então, quando orientadas, ficam mais bem preparadas e com condições para poder prestar o melhor serviço. Quem ganha não só somente essas associações, mas toda a sociedade.”
Presente no encontro, a presidente do Instituto Afro Brasileiro, Luciana Magalhaes de França, pontuou que a busca por conhecimento e atualizações sobre as normas que regimentam as associações deve ser constante. “A associação que represento atende a 32 comunidades quilombolas de Mato Grosso, que têm muita dificuldade em questões burocráticas como a consolidação das associações, formar o estatuto e prestar contas, então precisamos sempre aprender e repassar o conhecimento. Certamente este encontro é de muita relevância.”
No mesmo sentido, a presidente da Associação Espinha Bífida de Mato Grosso (AEB-MT), Elisangela Lourdes Laurence, acredita que manter toda a documentação regulamentada viabiliza a ampliação dos serviços oferecidos. “Às vezes, por falta de entendimento, acabamos tendo problemas com a documentação. A nossa intenção é justamente nos aproximar desses órgãos em busca do conhecimento para dar mais visibilidade ao trabalho que fazemos. Acredito que vamos sair deste evento mais preparados para desenvolver nossos projetos e ampliar nosso alcance.”
Resolução Normativa
Aprovada na sessão extraordinária presencial em 27 de novembro de 2025, a Resolução Normativa nº 20/2025 do TCE-MT dispõe sobre a obrigatoriedade da prestação de contas pelas entidades privadas sem fins lucrativos que recebam recursos públicos por meio de contratos, convênios e outros instrumentos congêneres celebrados com instituições públicas sujeitas à jurisdição do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, e dá outras providências.
De acordo com a norma, a prestação de contas passa a ser dever tanto do órgão ou entidade concedente quanto da entidade parceira, devendo ser executada de forma periódica, destinada a demonstrar a execução física e financeira em intervalos definidos no instrumento ou em normas específicas, enquanto perdurar a vigência. A prestação de contas final deve ser apresentada ao término da vigência ou da execução do objeto, o que ocorrer primeiro, consolidando informações físicas, financeiras e de resultados.
Garantindo transparência à parceria, cabe ao órgão ou entidade concedente divulgar informações atualizadas sobre as parcerias, incluindo entidade parceira, objeto, valores, vigência e situação da execução, além dos instrumentos firmados, aditivos, planos de trabalho e relatórios de execução física e financeira.
À entidade parceira cabe divulgar informações básicas sobre as parcerias mantidas com o poder público, como objeto, valores e principais resultados, além de prestar informações aos órgãos de controle e à sociedade, respeitados os limites legais de sigilo e proteção de dados pessoais.
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Sérgio Ricardo alerta gestores sobre ampliação da arrecadação em encontro sobre Reforma Tributária
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, alertou gestores de todo o estado sobre a importância de ampliar a arrecadação própria até 31 de dezembro de 2026, durante a abertura do 2º Encontro Técnico sobre a Reforma Tributária para Municípios, nesta quarta-feira (14).
Promovido pela Comissão Permanente de Sustentabilidade Fiscal e Desenvolvimento (COPSFID), o evento reúne gestores de 135 municípios na Escola Superior de Contas para discutir os impactos da reforma e orientar as prefeituras sobre medidas que podem influenciar a distribuição de recursos durante a transição para o novo sistema tributário.
“Vamos conversar com os prefeitos para que eles atentem para a arrecadação que vão fazer até o dia 31 de dezembro. O que os municípios irão receber a partir do ano que vem vai depender muito do que arrecadaram de 2019 até 31 de dezembro deste ano”, afirmou o presidente.

O presidente relacionou a preparação para a reforma ao Plano de Metas Mato Grosso 2050, elaborado pelo Tribunal para orientar o desenvolvimento do estado nas próximas décadas, e destacou a situação dos municípios de pequeno porte, que mantêm câmara, prefeitura e secretarias com população reduzida e baixa arrecadação própria. “Temos municípios com 3 mil, 2 mil, 1 mil habitantes que definitivamente não se sustentam. Eles só sobrevivem por causa dos repasses federais e estaduais”, disse.
Na ocasião, o presidente da COPSFID, Valter Albano, reforçou que o encerramento do ano representa um marco para a arrecadação municipal e cobrou maior rigor na cobrança de tributos. “Não haverá mais espaço para facilidades tributárias, para a autoridade gestora fazer de conta que não é o caso de cobrar o imposto. Agora é a hora da verdade, da transparência. Quem administrar bem, for atrás dos devedores e realizar a receita na forma da lei sai bem. Quem não fizer isso terá perdas adicionais. E o limite é 31 de dezembro deste ano”, reforçou.

Já o conselheiro José Carlos Novelli questionou se haverá tempo para os municípios ampliarem a receita própria até o fim do prazo e avaliou que a regra pode precisar de alteração. Além disso, questionou se as emendas parlamentares, responsáveis por grande parte dos investimentos das prefeituras, serão consideradas no cálculo. “Municípios como Jangada, Rosário Oeste, Barão de Melgaço e Nortelândia tiveram receita de mais de R$ 60 milhões em 2025, mas a receita própria de todos eles está abaixo de 10%. Dos 60 milhões, arrecadaram 6. Estamos em outubro e o prazo é 2026. O que os municípios têm de fazer para aumentar essa receita?.”
Nesse cenário, o secretário de Estado de Fazenda, Fábio Pimenta, apontou os possíveis efeitos sobre a autonomia financeira de Mato Grosso. Segundo ele, cerca de 80% da receita estadual é própria, mas as regras da reforma podem aumentar a dependência de transferências federais. “Com a Reforma Tributária, se tudo continuar como está, corremos o risco de perder essa autonomia e depender de repasses federais”, disse. “Hoje, o Estado e os municípios são parceiros na melhor forma de implementação da Reforma Tributária e na garantia da continuidade dos serviços à população”, acrescentou.
Atuação conjunta

Na cerimônia de abertura, a subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), promotora de Justiça Anne Karine Louzich, defendeu a cooperação entre as instituições durante a transição e destacou a atuação do MPMT no combate à sonegação fiscal. “O Ministério Público tem uma atuação firme e consolidada, sobretudo em Mato Grosso, no enfrentamento às fraudes fiscais e no combate à sonegação. Temos desafios que estão por vir e precisamos cada vez mais dessa integração. Coloco o Ministério Público como parceiro deste Tribunal e dos fiscos estadual e municipais”, afirmou.
O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Hemerson Máximo, destacou a participação dos municípios no encontro. “A presença de prefeitos, vereadores e secretários demonstra o compromisso dos municípios mato-grossenses para que a reforma seja implantada da melhor forma possível”, disse.
Para o presidente da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Silvio Rangel, o debate também deve buscar alternativas para compensar os efeitos da reforma sobre estados com elevada produção e grande volume de mercadorias destinadas a outros mercados. “É importante discutir cada vez mais esse tema para trazer um alento às prefeituras e buscar alguma compensação dentro da reforma para Mato Grosso, que tem uma grande produção, mas precisa levar seus produtos para fora do Estado”, avaliou.
O deputado estadual eleito e ex-presidente da AMM Leonardo Bortolin destacou a importância da cobrança do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), tributo municipal que integra a transição para o novo modelo. “Até o final de 2026 se fecha o ciclo que vai dar base para o seguro-receita dos municípios, e isso vai impactar diretamente no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Por isso é importante que o ISS, que é competência do município, seja muito bem cobrado.”
No mesmo sentido, o membro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) Yendis Costa destacou que o IBS será cobrado no destino e repassado às prefeituras por um comitê gestor nacional, e que os municípios terão de planejar a aplicação desses recursos. “O objetivo deste evento é demonstrar aos prefeitos e gestores municipais como será essa arrecadação a partir do ano que vem e qualificar o ente municipal para que tenha maior planejamento da sua arrecadação tributária.”
Também participaram da mesa de abertura o conselheiro Campos Neto, a controladora-geral da Defensoria Pública de Mato Grosso, Bárbara Natália Nogueira Garnica, e o primeiro vice-presidente da AMM, prefeito de Rondolândia, José Guedes.
Programação
O encontro reúne especialistas para orientar prefeitos, vereadores e equipes técnicas sobre os efeitos da reforma e as medidas necessárias para preparar as administrações municipais. A programação segue até quinta-feira (15), com transmissão pela TV Contas (canal 30.2) e pelo canal do TCE-MT no YouTube.
A programação inclui palestras do procurador do Estado Rogério Gallo e do secretário Fábio Pimenta, do economista Alberto Mendes, responsável pelo anuário Multi Cidades, e de gestores fazendários do município de Serra (ES).
Na quinta-feira, estão previstas palestras de integrantes do Grupo de Trabalho sobre a Reforma Tributária da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), entre eles o auditor público externo do TCE-MT Joel Bino Júnior.
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