Mato Grosso
Setor de tecnologia apresenta carta de prioridades e busca ampliar participação em projetos de MT
Representantes de empresas de tecnologia da informação e inovação de Mato Grosso se reuniram com o governador Otaviano Pivetta, nesta quarta-feira (26), em Cuiabá, para discutir medidas voltadas ao fortalecimento do ecossistema tecnológico do Estado. O encontro foi realizado no Yumit Hub e abordou temas como formação profissional, inovação, compras públicas, transformação digital e participação de empresas locais em grandes projetos.
A reunião foi articulada pela Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Inovação de Mato Grosso (Asseiti-MT), entidade que reúne mais de 70 empresas associadas, com atuação na capital e no interior. O segmento inclui negócios de desenvolvimento de softwares, infraestrutura, conectividade, telecomunicações, segurança da informação, inteligência artificial, educação tecnológica e startups.
Durante o encontro, o presidente da Asseiti-MT e da Log Lab, Fernando Pereira, afirmou que Mato Grosso vive uma fase estratégica para transformar seu capital intelectual em uma referência na área de tecnologia.
“Nós estamos vivendo a maior revolução industrial dos últimos tempos, que é a revolução industrial tecnológica”, declarou.
Segundo Fernando, o desafio é fazer com que as empresas mato-grossenses ultrapassem os limites regionais e conquistem espaço nos cenários nacional e internacional. Ele destacou que a tecnologia permite a atuação competitiva de negócios independentemente da localização, desde que haja profissionais qualificados e condições adequadas para o desenvolvimento das empresas.
Nesse contexto, o presidente ressaltou a importância do Projeto Conecta Jovem, iniciativa voltada à capacitação e à inclusão de jovens no mercado de tecnologia da informação.
“Queremos colocar Mato Grosso no mapa da tecnologia mundial e, para isso, iniciativas como o Projeto Conecta Jovem são fundamentais, pois preparam a nossa juventude para as oportunidades desse mercado em expansão”, afirmou.
Fernando também defendeu a criação de ambientes favoráveis à inovação e destacou a importância do diálogo com o governo estadual para a construção de políticas públicas voltadas ao setor.
“A gente precisa criar ambientes tecnológicos para que possamos nos desenvolver”, disse.
Empresas locais buscam ampliar espaço
O diretor da Asseiti-MT e sócio-diretor da Stelmat, Allan Araújo, defendeu a união entre as empresas como forma de ampliar a competitividade e a capacidade de atuação do setor em Mato Grosso.
Ele lembrou que a associação já participou de negociações que contribuíram para a redução da carga tributária incidente sobre empresas de tecnologia, além de outras medidas voltadas à melhoria das condições de concorrência com negócios de maior porte instalados em outros estados.
De acordo com Allan, a reivindicação apresentada ao governo não representa um pedido de privilégio para as empresas locais. O objetivo, segundo ele, é garantir condições para que os negócios sediados em Mato Grosso possam crescer e disputar projetos públicos e privados de maior complexidade.
A Carta de Prioridades elaborada pela Asseiti-MT está estruturada em sete eixos: compras públicas de tecnologia; política estadual de inovação; formação e retenção de talentos; contratações temporárias do Estado; ambiente tributário e regulatório; governo digital e proteção de dados; e interiorização do setor tecnológico.
“Todos os eixos convergem para um mesmo objetivo: fazer da tecnologia um dos principais impulsionadores da economia mato-grossense”, explicou Allan.
O diretor também ressaltou que a tecnologia está integrada a praticamente todas as atividades econômicas, incluindo o agronegócio, o comércio, o setor automotivo e a área da saúde.
“A tecnologia hoje está no pano de fundo de toda e qualquer atividade. Não importa se é agro, revenda de automóveis, comércio ou hospitais. Hoje ninguém sobrevive sem tecnologia”, afirmou.
Estado sinaliza parcerias
O governador Otaviano Pivetta afirmou que o Estado pretende ampliar a abertura para parcerias com empresas privadas e utilizar a tecnologia como uma das bases para sustentar o crescimento econômico de Mato Grosso.
“Nós vamos abrir o Estado e as empresas públicas para essas parcerias, que são necessárias”, declarou.
Pivetta também projetou que o Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso poderá dobrar nos próximos dez anos. Para ele, a expansão da economia precisará ser acompanhada pela criação de empregos mais qualificados, o que exige investimentos em educação e formação profissional.
O governador afirmou ainda que o Estado deve oferecer condições para que jovens com interesse e aptidão na área possam construir suas carreiras em Mato Grosso.
“Para quem tiver vocação e quiser seguir a carreira de tecnologia, o Estado vai ser um ambiente apropriado para isso”, disse.
Pivetta reconheceu a importância do setor para o desenvolvimento estadual e afirmou estar disposto a acelerar as ações relacionadas à inovação e à transformação digital.
“Eu estou disposto a avançar rápido e eu sei que hoje, para avançar rápido, nós precisamos da tecnologia”, afirmou.
Formação e interiorização
Para Fernando Pereira, a participação do governo estadual no diálogo abre uma oportunidade para que Mato Grosso avance na criação de um ambiente capaz de reter profissionais e estimular o crescimento das empresas locais.
“Talento não tem CEP. O talento nasce em qualquer lugar”, destacou.
A expectativa da Asseiti-MT é que as discussões resultem em medidas concretas nas áreas de qualificação profissional, inovação, participação de empresas locais em projetos, digitalização dos serviços públicos e expansão do setor para o interior.
Com quatro décadas de atuação na representação da área de tecnologia e inovação, a associação afirma que pretende contribuir para a construção de um ambiente mais competitivo, no qual os negócios mato-grossenses possam ampliar sua capacidade técnica e participar de projetos que movimentam a economia do Estado.
Mato Grosso
Mato Grosso mantém nota máxima na Capag e recupera vice-liderança em solidez fiscal
Mato Grosso manteve, pelo quarto ano consecutivo, a classificação A+ na Capacidade de Pagamento (Capag), avaliação realizada pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). O Estado também voltou a ocupar a segunda colocação nacional no indicador de Solidez Fiscal do Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), com base nos dados de 2025.
Os resultados são atribuídos à política de responsabilidade fiscal adotada pelo Governo de Mato Grosso, que tem mantido a dívida estadual sob controle em relação à arrecadação.
Segundo o secretário de Fazenda, Fábio Pimenta, o desempenho demonstra a importância da continuidade das medidas de organização das contas públicas.
“Esse resultado consolida um trabalho que trata a responsabilidade fiscal com muita seriedade, mantendo a dívida sob controle e as contas organizadas. E o principal beneficiado é o cidadão, porque um Estado com solidez fiscal e liquidez tem condições de pagar seus compromissos em dia, manter o ritmo das obras e continuar avançando nos investimentos que chegam à população”, afirmou.
Na avaliação da STN, Mato Grosso recebeu nota A nos três indicadores que compõem a Capag: Endividamento, Poupança Corrente e Liquidez. O Estado também alcançou nota A no Indicador da Qualidade da Informação Contábil e Fiscal (ICF), considerado na composição da classificação final.
Com esse desempenho, Mato Grosso obteve pelo terceiro ano seguido a nota A+, considerada a pontuação máxima da avaliação. Antes da inclusão do ICF nos critérios analisados pelo Tesouro Nacional, o Estado já havia conquistado nota A por três anos consecutivos.
A Capag é utilizada para avaliar a situação fiscal dos estados e também serve como referência para a contratação de operações de crédito com garantia da União. Na prática, uma situação equilibrada permite ao governo honrar compromissos, planejar o uso dos recursos e preservar a capacidade de investir em políticas públicas.
O avanço também foi registrado no Ranking de Competitividade dos Estados. Mato Grosso subiu da terceira para a segunda posição no país no pilar de Solidez Fiscal, recuperando a vice-liderança nacional.
De acordo com a Secretaria Adjunta do Tesouro Estadual (Sate), a evolução está relacionada às medidas implementadas desde 2019 para reorganizar as finanças públicas. Entre as ações estão a reestruturação da dívida, alterações na legislação fiscal e tributária, controle de despesas, recuperação da liquidez e fortalecimento dos mecanismos de governança.
As medidas contribuíram ainda para a regularização de compromissos do Estado e para a manutenção de reservas financeiras destinadas a garantir o equilíbrio das contas.
“A manutenção desse equilíbrio contribui para que o Estado tenha condições de dar continuidade aos serviços públicos, executar políticas públicas e realizar investimentos sem comprometer a sustentabilidade das contas estaduais”, destacou a secretária adjunta do Tesouro Estadual, Luciana Rosa.
Os indicadores apontam a continuidade do processo de recuperação fiscal iniciado em 2019. Desde então, Mato Grosso deixou as últimas posições e passou a figurar entre os estados mais bem avaliados do país, mantendo a capacidade de pagamento e um volume significativo de investimentos em áreas como infraestrutura, saúde, educação e segurança pública.
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