livre pensar
Muito além de uma pirralha
Thiago Bergamasco
Conselheiro interino vice-presidente do TCE-MT, Luiz Henrique Lima
Enganam-se aqueles que pensam poder sufocar o debate sobre o agravamento da crise climática simplesmente agredindo ou tentando desqualificar a sua mais conhecida porta-voz, a ativista sueca Greta Thumberg. Foi o que tentou fazer o poderoso Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, durante pronunciamento no Fórum Econômico Mundial em Davos. Não deu certo.
Sua fala foi rechaçada não apenas pela opinião pública mundial, mas também pelas principais lideranças políticas e empresariais presentes ao encontro, a começar pela respeitada chanceler Angela Merkel que, mesmo representando um pensamento conservador, reconheceu a gravidade e a urgência do tema das mudanças climáticas e a importância do movimento de conscientização e protesto que mobiliza milhões de jovens em todos os continentes.
Para usar um termo desgastado, mas que no caso se aplica perfeitamente, o movimento Fridays for Future viralizou. A cada semana, ocorrem centenas de manifestações em dezenas de países. Algumas reúnem um punhado de estudantes, outras envolvem milhares de pessoas de todas as gerações. Embora Greta tenha sido a pioneira em 2018, nada teria essa duração e essa dimensão se o problema não fosse real e se as suas prováveis consequências não representassem uma grave ameaça global para as próximas gerações.
Toda a comunidade científica internacional utiliza como referência para esse debate os relatórios elaborados pelo IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, organização criada em 1988 por iniciativa da Organização Meteorológica Mundial e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente
Cada relatório do IPCC demanda anos de trabalhos e discussões envolvendo centenas de cientistas das mais variadas especialidades (oceanógrafos, geógrafos, geólogos, físicos, epidemiologistas, biólogos, economistas etc.) e antes de ser divulgado é submetido a rigorosas avaliações independentes.
É com base nos diversos cenários apresentados pelo IPCC que se construíram os acordos internacionais, com destaque para a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, assinada no Rio de Janeiro em 1992, o Protocolo de Quioto de 1997 e o Acordo de Paris de 2016.
Diversos países elaboraram seus próprios estudos e levantamentos sobre os efeitos das mudanças climáticas. Um dos principais foi o Relatório Stern, coordenado pelo economista-chefe do Banco Mundial por solicitação do governo britânico. Nele ficou demonstrado que o custo de não enfrentar as mudanças climáticas é várias vezes superior ao custo de medidas de prevenção e mitigação.
No Brasil, trabalho conduzido por pesquisadores da USP, Unicamp, UFRJ, Embrapa e Fiocruz concluiu que o país poderá perder até 2050 cerca de R$ 3,6 trilhões em razão dos impactos provocados pelas mudanças climáticas. Um conjunto de auditorias operacionais do TCU apontou riscos muito graves não apenas para a Amazônia, mas para o agronegócio, o Semiárido e as zonas costeiras.
Em suma, goste-se ou não da imagem e das falas da jovem Greta, que uma irritada autoridade denominou pirralha, o fato é que a causa que ela abraçou diz respeito a um problema real e de máxima importância para todos. Não é à toa que essa foi uma das principais, senão a maior, pauta do Fórum Econômico Mundial de 2020.
Ainda esta semana a maior gestora de fundos de investimentos do planeta, a BlackRock, responsável por uma carteira de 7 trilhões de dólares, anunciou em carta ao mercado que a sustentabilidade será o centro de sua estratégia de investimentos. Centenas de líderes empresariais estão assumindo compromissos neste sentido.
A economia mundial está mudando, não por bondade ou boa vontade, mas por necessidade. Há nisso enormes oportunidades para países e regiões com fartura de biodiversidade, recursos hídricos e florestais, e potencial de geração de energia solar e eólica.
Enquanto isso, a maior autoridade brasileira presente em Davos notabilizou-se pela bizarra afirmação de que a destruição ambiental é provocada pelos pobres…
Luiz Henrique Lima
Auditor Substituto de Conselheiro do TCE-MT. Graduado em Ciências Econômicas, Especialização em Finanças Corporativas, Mestrado e Doutorado em Planejamento Ambiental, Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia.
artigos
Série Governantes: Faça a sua parte
Por Francisney Liberato
“Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país.” John F. Kennedy
Uma das características mais marcantes do brasileiro é a sua criatividade. Ele consegue desenvolver e pôr em prática várias habilidades como: ideias, pensamentos, empreendedorismo, visando o seu bem-estar e o seu conforto, como também o de sua família.
Segundo o site “Terra”, em 30/09/2019, é apresentada uma pesquisa a qual conclui: “A pesquisa Amway Global Entrepreneurship Report (AGER) revela que 56% dos brasileiros desejam ser donos do seu próprio negócio. Destes, 74% são jovens entre 18 e 35 anos. O índice do Brasil é maior que a média global, que está em 47%”.
Vejam que no Brasil os jovens desejam criar e empreender, eles querem ter o seu próprio negócio. Isso é muito positivo para nossa nação. Infelizmente, uma coisa é desejar e querer ser um empresário, outra, bem diferente, é efetivar esse desejo.
Não podemos permitir que o conceito autocrático, isto é, esperar que as ideias, iniciativas e as respostas sejam exclusivamente do chefe, do líder, do diretor escolar, do pai e da mãe, do governante, do presidente, uma vez que, se agirmos dessa maneira, veremos falecer a nossa liberdade de criar.
É fundamental para todos que tenham uma mentalidade aberta e moderna que as pessoas criem e empreendam mais, pois é por intermédio disso que é gerada riqueza para o nosso país.
Você deve olhar para dentro de si e se perguntar: Qual é a sua vocação para melhorar a sua vida, a vida da sua família, dos seus entes queridos e do país onde reside? Essa reflexão é de extrema importância.
A responsabilidade é única e exclusivamente sua. Aqui existe um conceito fundamental que devemos ter como prisma em nossas vidas, que é chamado de Autorresponsabilidade. Em síntese, é necessário trazer para si a responsabilidade, e não a de colocar sobre o encargo do outro, como: os seus pais, seus familiares, seus empregadores e seus governantes. Em outras palavras, o sucesso ou fracasso da sua vida está em sua alçada.
Se pensarmos a vida dessa forma, saiba que teremos uma nação moderna e próspera, com índices de desenvolvimento econômico e humano semelhantes aos de países do primeiro mundo.
Entretanto, muitos indivíduos têm dificuldades de entender o seu propósito para esta vida. Muitos estudantes que estão cursando uma faculdade já pensam em desistir, por entender que não é bem isso o que sonham para sua vida. Enquanto existem muitos indivíduos desejando crescer evoluir, por outro lado, têm, infelizmente, os que esperam “a comida, o emprego, o dinheiro caírem do céu”.
John Fitzgerald Kenedy ou JFK foi um político norte-americano que governou os Estados Unidos (1961-1963), o seu nome está registrado como o 35° presidente daquela nação. Ele é considerado uma das grandes personalidades do século XX.
Kennedy se tornou o segundo presidente mais jovem do seu país, depois de Theodore Roosevelt. Infelizmente, não conseguiu terminar o seu mandato, uma vez que foi assassinado em 1963.
O presidente John Kennedy proferiu uma célebre frase que ainda tem uma enorme relevância para os nossos dias: “Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país”.
Podemos parafrasear essa afirmação do ex-presidente americano para o nosso contexto: o que nós brasileiros podemos fazer pelo Brasil? O que estamos fazendo para melhorar o nosso país? Qual tem sido a minha e sua contrapartida para desenvolver e aperfeiçoar esta nação? Como podemos abandonar determinadas atitudes paternalistas e viver de forma mais racional, visando o bem comum? O Estado pertence a todos nós. Devemos fazer a nossa parte, e não exigir que Estado seja o responsável e provedor por tudo.
Nosso país é formado pela diversidade cultural, étnica e social de milhares de brasileiros, que nem sempre concordam com as decisões dos nossos governantes, mas todos fazemos parte da nação, e devemos caminhar em um mesmo sentido. A nossa Constituição de 1988 dispõe que todo poder se origina do povo. O poder está nas mãos de cada ser habitante deste país. Nós podemos e devemos fazer o melhor pelo Estado, independentemente de questões políticas e partidárias.
Não diga o que o país deve fazer por você, use a sua criatividade, empreendedorismo, e faça o seu melhor na medida de suas condições, e de acordo com as suas circunstâncias. Seja presente e deixe o seu legado para esta nação. A responsabilidade pelo sucesso ou fracasso do Brasil está em nossas mãos. Está disposto a tomar uma iniciativa para contribuir com a República Federativa do Brasil?
Francisney Liberato Batista Siqueira é Auditor Público Externo do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Chefe de gabinete de Conselheiro do TCE-MT, Palestrante Nacional, Professor, Coach, Mentor, Advogado e Contador, Autor dos Livros “Mude sua vida em 50 dias”, “Como falar em público com eficiência” e “A arte de ser feliz”.
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