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Torrentes do Neguebe
Por Francisney Liberato
“Restaura, Senhor, a nossa sorte, como as torrentes no Neguebe”. Salmos 126:4
Como é bom ser próspero em todas as áreas da vida, seja na saúde, fé, finanças, relacionamentos, trabalho, família, dentre outras. Conseguir alcançar êxito, em todos os aspectos, é extremamente satisfatório. Entretanto, nem sempre a prosperidade se estabelece de forma permanente em nossas vidas.
As lutas e os desafios de nossa jornada nos colocam ora por cima, ora por baixo, como se estivéssemos vivendo numa gangorra da vida. Essa oscilação nos atrapalha e nos causa tristeza, ansiedade e temor.
O povo de Israel era próspero porque estava ao lado de Deus, porém nem sempre foi assim. Quantas e quantas vezes eles fracassaram. Diante da desobediência a Deus, tiveram que caminhar por anos em um deserto.
As bênçãos de Deus atraem a atenção de todos os indivíduos e povos que estão ao nosso redor. Isso serve para nos conduzir a ter uma vida e uma missão de testemunhos para os que estão ao nosso redor.
Como é difícil estar em meio a um deserto, onde o solo é árido, seco, vazio, improdutivo, sem água, sem plantação e sem flores. É no deserto que encontramos animais selvagens, perigosos e venenosos que estão à procura de alguém para aniquilar. O deserto desta vida às vezes nos reserva grandes desafios.
Você já passou pelo deserto da sua vida? Qual foi o aprendizado que você absorveu durante este período? A sua vida é abundante ou é desértica? Será que você já teve a oportunidade de receber as torrentes do Neguebe?
O Salmos 126:4, escrito pelo homem segundo o coração de Deus chamado Davi, relata: a versão Almeida corrigida é fiel: “Traze-nos outra vez, ó Senhor, do cativeiro, como as correntes das águas no sul”; na Nova versão internacional, temos: “Senhor, restaura-nos, assim como enches o leito dos ribeiros no deserto”. A versão Nova Almeida atualizada, dispõe: “Restaura, Senhor, a nossa sorte, como as torrentes no Neguebe”.
Davi suplicava a Deus para que Ele tirasse o povo daquela situação, do cativeiro, do cabresto dos babilônicos, e que desse uma nova oportunidade para que eles pudessem ser restaurados e que prosperassem novamente.
A analogia utilizada por Davi é sobre o fenômeno denominado torrentes do Neguebe, que também é conhecido como águas do sul, o leito dos ribeiros do deserto. No que consistia o fenômeno do passado e que ainda existe no presente?
Neguebe é o nome do deserto que ocupa cerca de 60% do território de Israel. Uma área de aproximadamente 7.250 quilômetros quadrados. O local está situado no sul de Israel e próximo ao Mar Morto.
Durante o período de chuva, que é raro, as águas são armazenadas em cima das montanhas, e se expandem formando grandes torrentes e riachos.
O fenômeno é de grande importância para a história do sul de Judá, na Palestina. Lá é marcado por um árido deserto durante a maior parte do ano, por um verão sem chuvas e sem águas nos rios e um inverno de chuvas que formam as torrentes. Os ribeiros fluem e uma nova vida recobre, após a evaporação da água dos rios formados temporariamente, o campo se enche como um jardim com belas flores, recoberto pelo verde da vegetação, como as mencionadas no Salmo 126:4.
Restaura, Senhor, a nossa vida como as torrentes do Neguebe. Dê-nos uma nova oportunidade de vida. Faz-nos prosperar. Resgata-nos, Senhor, do deserto da nossa existência.
Davi, na condição de rei e intercessor daquele povo, queria, mais uma vez, que Deus pudesse dar alegria, restauração e prosperidade a eles, assim como ocorre com as torrentes do Neguebe, em que transforma o deserto árido e vazio em um lindo campo com água em abundância.
Se você sente que sua vida se encontra vazia e improdutiva, faça como Davi: suplique pelas torrentes do Neguebe, para que esse fenômeno de milagres possa restaurar a sua vida.
O Neguebe não tinha vida em si mesmo, pois é um deserto. Ele dependia das chuvas dos montes do Líbano para se tornar um lindo jardim. O cristão não tem vida própria, depende exclusivamente do poder restaurador de Cristo Jesus.
Que possamos suplicar como Davi. Que Deus possa nos tirar do cativeiro, da miséria desta vida, do fundo do poço da nossa existência, e que as torrentes do Neguebe sejam uma verdade em sua vida, tornando-a plena, próspera, linda e feliz.
Francisney Liberato Batista Siqueira é Auditor Público Externo do Tribunal de Contas de Mato Grosso e Chefe de gabinete de Conselheiro do TCE-MT. Palestrante Nacional, Professor, Coach e Mentor. Bacharel em Administração, Bacharel em Ciências Contábeis (CRC-MT) e Bacharel em Direito (OAB-MT). Autor dos Livros: “Mude sua vida em 50 dias”, “Como falar em público com eficiência”, “A arte de ser feliz” e “Singularidade”.
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O que muda após o perdão
Por Soraya Medeiros
Há cerca de seis anos, uma inquietação silenciosa começou a me atravessar. Eu me perguntava, repetidamente, por que estava me anulando, por que carregava culpas que pareciam não ter fim e por que certas dores insistiam em permanecer, mesmo quando tudo ao redor já havia mudado. Era como viver presa a um passado que já não existia, mas que ainda determinava meus sentimentos, minhas escolhas e, principalmente, a forma como eu me via.
Foi nesse momento de exaustão emocional que senti um chamado — não externo, mas profundamente interno. Um convite quase urgente para olhar para dentro da minha própria alma. E olhar para dentro nem sempre é confortável. Exige coragem para revisitar feridas, reconhecer fragilidades e encarar verdades que, por muito tempo, preferimos evitar.
Nesse processo, compreendi que havia um passo essencial que eu ainda não tinha dado: o perdão.
Perdoar aqueles que passaram pela minha vida parecia difícil, mas possível. O grande desafio, contudo, era outro — perdoar a mim mesma. Perdoar minhas escolhas, minhas falhas e a versão de mim que fez o melhor que podia com o que sabia naquele momento.
O psicólogo Fred Luskin afirma que “o perdão é uma ferramenta para a saúde, não um presente para quem nos feriu”. Essa ideia reforça que perdoar não é sobre o outro, mas sobre libertar a si mesmo do peso da dor.
A travessia é individual. Ninguém pode percorrer por nós os caminhos mais profundos da nossa existência. Por isso, o acolhimento precisa começar de dentro. No meu caso, esse mergulho se expandiu após uma consagração com Ayahuasca, que me permitiu acessar camadas internas que eu ainda não alcançava.
Muitas pessoas têm preconceito em relação à Ayahuasca — e eu também já tive. Julgava sem conhecer, tinha receios e dúvidas. Mas, ao estudar e me permitir viver a experiência com responsabilidade, encontrei um processo profundo e transformador, que me ajudou a acessar dores antigas e iniciar uma verdadeira cura.
Foi a partir desse realinhamento que consegui me enxergar com mais verdade. E então, em um ato simples, mas profundamente libertador, eu disse em voz alta: “Eu perdoo”. E depois: “Eu me perdoo”.
Foi ali que algo mudou.
O perdão não apaga o passado, mas muda a forma como o carregamos. Ele rompe correntes invisíveis, dissolve culpas e abre espaço para o novo. Após o perdão, a vida ganha leveza. A autocobrança dá lugar à autocompaixão.
Perdoar a si mesmo é um dos maiores atos de amor-próprio. É reconhecer que somos humanos, imperfeitos e em constante aprendizado. Hoje, percebo que aquela versão de mim só precisava de acolhimento. E fui eu mesma quem finalmente ofereceu isso.
O perdão não muda o que aconteceu, mas muda completamente quem nos tornamos depois disso. E, às vezes, é exatamente essa mudança que representa a verdadeira cura.
Soraya Medeiros é jornalista
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