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Avanços da ginecologia ampliam possibilidades no tratamento da infertilidade feminina

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Por Acir Novaczyk
A infertilidade feminina ainda é um desafio que impacta milhares de mulheres e casais, mas os avanços da medicina têm ampliado significativamente as possibilidades de diagnóstico e tratamento. Hoje, doenças ginecológicas que antes comprometiam de forma importante a fertilidade podem ser identificadas mais precocemente e tratadas com técnicas menos invasivas, mais precisas e com recuperação mais rápida.

Nos últimos anos, a ginecologia minimamente invasiva passou a ocupar papel importante nesse cenário, especialmente em casos relacionados a alterações como endometriose, miomas, adenomiose, pólipos uterinos, aderências pélvicas e obstruções nas trompas. Muitas dessas condições evoluem silenciosamente e só são descobertas quando a mulher começa a investigar dificuldade para engravidar.

A endometriose, por exemplo, é considerada uma das doenças ginecológicas mais associadas à infertilidade feminina. O problema ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, podendo atingir ovários, trompas, intestino e outras estruturas da pelve. Além da dor intensa e das alterações menstruais, a doença pode provocar inflamação, aderências e alterações anatômicas que dificultam a gestação.

Os miomas uterinos também merecem atenção, principalmente quando alteram a cavidade uterina ou comprometem a implantação do embrião. Já a adenomiose, muitas vezes confundida com outras doenças ginecológicas, pode afetar a qualidade do endométrio e dificultar a gravidez. Há ainda casos relacionados a alterações nas trompas, aderências provocadas por processos inflamatórios ou cirurgias anteriores e pólipos que interferem no ambiente uterino.

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Com o avanço da tecnologia, procedimentos minimamente invasivos passaram a oferecer novas possibilidades terapêuticas para essas pacientes. Técnicas como videolaparoscopia, histeroscopia e cirurgia robótica permitem abordagens mais precisas, com pequenas incisões, menor trauma cirúrgico e recuperação mais rápida quando comparadas às cirurgias convencionais.

Além do benefício estético e da redução do tempo de recuperação, a principal vantagem está na preservação da anatomia e da função reprodutiva da mulher. Em muitos casos, a correção cirúrgica de alterações ginecológicas pode contribuir para restaurar condições mais favoráveis à gestação, sempre respeitando as particularidades de cada paciente.

É importante destacar que nem toda mulher com infertilidade terá indicação cirúrgica e que cada caso deve ser avaliado de forma individualizada. Em algumas situações, a reprodução assistida será necessária; em outras, o tratamento clínico ou a abordagem cirúrgica podem representar etapas importantes para melhorar as chances de gravidez e a qualidade de vida da paciente.

Outro ponto fundamental é o diagnóstico precoce. Cólicas menstruais incapacitantes, dor durante as relações sexuais, alterações menstruais, sangramentos intensos e dores pélvicas persistentes não devem ser normalizados. Muitas mulheres convivem durante anos com sintomas importantes sem imaginar que podem estar relacionados a doenças que impactam diretamente a fertilidade.

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Antes restritos a grandes centros do país, procedimentos ginecológicos minimamente invasivos e tecnologias mais modernas já fazem parte da realidade de pacientes em Cuiabá, ampliando o acesso a tratamentos especializados e mais seguros. O avanço da medicina tem permitido não apenas tratar doenças ginecológicas com maior precisão, mas também oferecer mais qualidade de vida e novas perspectivas para mulheres que desejam engravidar.

Ao final, o mais importante é compreender que infertilidade não significa ausência de possibilidades. Com diagnóstico adequado, acompanhamento especializado e tratamentos individualizados, muitas mulheres conseguem encontrar caminhos mais seguros e eficazes para realizar o desejo da maternidade.

Dr. Acir Novaczyk é ginecologista e endoscopista ginecológico, especialista em cirurgia minimamente invasiva e robótica ginecológica

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Pequenos no colo, gigantes no mundo

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Por Claiton Cavalcante

Este relato é fantasioso e verídico ao mesmo tempo. Aconteceu comigo e com minha família em um fim de semana no Malai Manso Resort, na Chapada dos Guimarães. Fantasioso, porque a memória de pai sempre colore os fatos com encantamento. Verídico, porque, em meio àquele cenário grandioso, descobri o verdadeiro tamanho dos meus dois filhos, ainda bebês.

Um dia antes da viagem, conheci a história do texugo-do-mel. Pequeno no tamanho, gigante na coragem. Habitante da África ao sul da Índia, é considerado um dos animais mais destemidos do mundo. Enfrenta presas maiores e suporta venenos de serpentes. Quase “imortal”, tamanha resistência. Essa imagem ficou comigo e virou pano de fundo para o texto e lente para enxergar meus próprios “gigantes em miniatura”.

Outra coincidência veio do sul da Índia. Em tâmil, “malai” significa abundância, grandeza e montanha. Não deixa de ser simbólico que o Malai Manso Resort, cercado de morros e exagero, traga no nome essa ideia de superlativo. Mas percebi que a verdadeira abundância daquele lugar não estava apenas nas instalações, e sim nas experiências que vivemos ali.

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Chamar de “descanso” um fim de semana com bebês gêmeos é otimismo puro. Enquanto o resort oferecia fartura e piscinas, nós corríamos atrás de dois pequenos exploradores. Em um fim de tarde, descemos para o gramado com uma bola.

No campo improvisado, Álvaro e Mateus, corriam atrás da bola como se disputassem uma final de copa do mundo. Caíam, levantavam, riam alto, chutavam torto. A cada chute, o campo parecia pequeno demais para a alegria deles. Foi ali que entendi que a grandeza não estava no tamanho do resort, mas na intensidade com que aqueles dois ocupavam o mundo.

Durante a estadia, participamos do lançamento da biografia de Blairo Maggi. O livro conta sua trajetória como engenheiro agrônomo, empresário, governador, senador e ministro da agricultura. Ali estava mais um gigante, agora do agronegócio, alguém cuja história se estende por muitas páginas e se mistura com a de um Estado inteiro.

Na sessão de autógrafos, a metáfora ganhou corpo. Ao nos aproximarmos para a foto, nossos dois pequenos se posicionaram, quase instintivamente, um de cada lado do biografado, como se o estivessem acolhendo. Cena simples. Bebês cercando, com naturalidade, alguém acostumado ao poder e à responsabilidade.

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Em certo momento, um deles tocou os cabelos grisalhos de Blairo. Ele sorriu e disse: “A dedicatória deste livro é para vocês dois, para que daqui a dez anos comecem a escrever as suas próprias histórias.”

De um lado, a biografia de um gigante já escrita. Do outro, duas histórias em branco. No meio, um pai percebendo que seus filhos, mesmo de fralda, já encaram um mundo enorme com uma coragem silenciosa, muito parecida com a do texugo-do-mel.

Que nossos dois pequenos cresçam fortes, corajosos, destemidos e tementes ao nosso Pai Maior. Que a grandeza deles não seja medida apenas em altura ou cargos futuros, mas na capacidade de manter o coração firme, a curiosidade acesa e a fé viva.

Porque, se aprendi algo naquele fim de semana entre montanhas, gramados, biografias e um animal improvável, é que os maiores gigantes da minha vida, e da Bianca, ainda usam fraldas, mas já nos ensinam diariamente o que é bravura.

Claiton Cavalcante é membro da Academia Mato-Grossense de Ciências Contábeis e do Instituto dos Contadores do Brasil.

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