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O que muda após o perdão

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Por Soraya Medeiros

Há cerca de seis anos, uma inquietação silenciosa começou a me atravessar. Eu me perguntava, repetidamente, por que estava me anulando, por que carregava culpas que pareciam não ter fim e por que certas dores insistiam em permanecer, mesmo quando tudo ao redor já havia mudado. Era como viver presa a um passado que já não existia, mas que ainda determinava meus sentimentos, minhas escolhas e, principalmente, a forma como eu me via.

Foi nesse momento de exaustão emocional que senti um chamado — não externo, mas profundamente interno. Um convite quase urgente para olhar para dentro da minha própria alma. E olhar para dentro nem sempre é confortável. Exige coragem para revisitar feridas, reconhecer fragilidades e encarar verdades que, por muito tempo, preferimos evitar.

Nesse processo, compreendi que havia um passo essencial que eu ainda não tinha dado: o perdão.

Perdoar aqueles que passaram pela minha vida parecia difícil, mas possível. O grande desafio, contudo, era outro — perdoar a mim mesma. Perdoar minhas escolhas, minhas falhas e a versão de mim que fez o melhor que podia com o que sabia naquele momento.

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O psicólogo Fred Luskin afirma que “o perdão é uma ferramenta para a saúde, não um presente para quem nos feriu”. Essa ideia reforça que perdoar não é sobre o outro, mas sobre libertar a si mesmo do peso da dor.

A travessia é individual. Ninguém pode percorrer por nós os caminhos mais profundos da nossa existência. Por isso, o acolhimento precisa começar de dentro. No meu caso, esse mergulho se expandiu após uma consagração com Ayahuasca, que me permitiu acessar camadas internas que eu ainda não alcançava.

Muitas pessoas têm preconceito em relação à Ayahuasca — e eu também já tive. Julgava sem conhecer, tinha receios e dúvidas. Mas, ao estudar e me permitir viver a experiência com responsabilidade, encontrei um processo profundo e transformador, que me ajudou a acessar dores antigas e iniciar uma verdadeira cura.

Foi a partir desse realinhamento que consegui me enxergar com mais verdade. E então, em um ato simples, mas profundamente libertador, eu disse em voz alta: “Eu perdoo”. E depois: “Eu me perdoo”.

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Foi ali que algo mudou.

O perdão não apaga o passado, mas muda a forma como o carregamos. Ele rompe correntes invisíveis, dissolve culpas e abre espaço para o novo. Após o perdão, a vida ganha leveza. A autocobrança dá lugar à autocompaixão.

Perdoar a si mesmo é um dos maiores atos de amor-próprio. É reconhecer que somos humanos, imperfeitos e em constante aprendizado. Hoje, percebo que aquela versão de mim só precisava de acolhimento. E fui eu mesma quem finalmente ofereceu isso.

O perdão não muda o que aconteceu, mas muda completamente quem nos tornamos depois disso. E, às vezes, é exatamente essa mudança que representa a verdadeira cura.

Soraya Medeiros é jornalista

 

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Educação Especial Inclusiva: não feche os olhos, apresente-se

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Por Antonio Joaquim

A construção de um sistema educacional verdadeiramente democrático exige a superação de paradigmas segregadores que, historicamente, afastaram milhares de estudantes do pleno convívio escolar. Nesse contexto, a Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva se consolida como um instrumento fundamental de promoção dos direitos humanos e da igualdade de oportunidades.

Mais do que garantir a presença física dos estudantes nas salas de aula regulares, a inclusão requer uma profunda transformação estrutural, pedagógica e cultural das escolas. Seu objetivo é assegurar acesso, permanência, participação e aprendizagem para todos, respeitando a diversidade humana.

A política de Educação Especial destina-se aos estudantes com deficiência, Transtorno do Espectro Autista, outros transtornos do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. Essas pessoas não devem ser definidas por suas limitações, mas reconhecidas por suas potencialidades. Cabe ao Estado e às instituições de ensino criar as condições necessárias para que elas se desenvolvam plenamente.

O Atendimento Educacional Especializado (AEE) possui caráter complementar e suplementar, jamais substitutivo ao ensino regular. Realizado, preferencialmente, em salas de recursos multifuncionais no contraturno, ele fortalece a aprendizagem e preserva o convívio social, elemento essencial para a construção de uma cultura inclusiva.

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O maior desafio, contudo, está em transformar os avanços legais em realidade concreta. Isso exige investimentos contínuos na eliminação de barreiras arquitetônicas, na ampliação das tecnologias assistivas e na garantia de recursos adequados para as escolas. Igualmente indispensável é a formação continuada dos professores.

Capacitar educadores para elaborar estratégias individualizadas e desenvolver práticas colaborativas é condição essencial para que a inclusão aconteça de forma efetiva. Somente a combinação entre vontade política, investimento público e qualificação profissional permitirá transformar a inclusão de um princípio legal em um direito plenamente exercido.

Com esse propósito, o Gabinete de Articulação para a Efetividade da Política de Educação (GAEPE-Brasil) e o GAEPE-MT, com a participação ativa do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT),  por meio da Comissão Permanente de Educação e Cultura (COPEC) e a parceria da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (ATRICON), do Instituto Rui Barbosa e do Instituto Articule, promoverão, em Cuiabá-MT, nos dias 17 e 18 de junho, no auditório do SENAI (Avenida XV de Novembro, bairro Porto), o SEMINÁRIO NACIONAL: EDUCAÇÃO ESPECIAL INCLUSIVA.

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O evento será um espaço de reflexão, diálogo e mobilização em defesa de uma educação mais justa, acessível e humana, em defesa de uma educação verdadeiramente inclusiva.

O convite está feito: não feche os olhos para quem mais precisa. Apresente-se.

Antonio Joaquim é conselheiro, ouvidor-geral e presidente da Comissão Permanente de Educação e Cultura do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT).

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