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TCE-MT, MAPA e AMM criam grupo de trabalho para incluir Baixada Cuiabana no Plano Mato Grosso 2050
Iniciativa, liderada pelo conselheiro Sérgio Ricardo, foca no fortalecimento da agricultura familiar, regularização de agroindústrias e desenvolvimento sustentável da região.
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, se reuniu com representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) e definiu a criação de um grupo de trabalho que irá elaborar propostas voltadas à Baixada Cuiabana para inclusão no Plano Mato Grosso 2050. A iniciativa reunirá técnicos e representantes das instituições na construção de políticas públicas focadas no fortalecimento da agricultura familiar, na regularização de agroindústrias e na promoção do desenvolvimento econômico sustentável da região, garantindo que as demandas e potencialidades locais estejam contempladas no planejamento estratégico de longo prazo.
Durante o encontro, foram apresentados dados sobre as cadeias produtivas do Vale do Rio Cuiabá e um guia voltado à regularização de agroindústrias familiares. As informações servirão de base para a formulação de ações e metas que serão incorporadas ao Plano Mato Grosso 2050, iniciativa liderada pelo TCE-MT para planejar o desenvolvimento de longo prazo do estado.
“Nosso plano de Estado contemplará todos os 142 municípios, mas estou determinado em dar ênfase nas necessidades das 13 cidades da Baixada Cuiabana. Aquela população enfrenta desigualdades relevantes com relação a outras regiões como o Nortão e por isso precisa de maior assistência. Formaremos um grupo de trabalho para elaborar políticas que contribuam no desenvolvimento da agricultura familiar”, explicou o presidente.
Entre os principais desafios apontados pelo levantamento “Cadeias Produtivas dos Municípios do Vale Do Rio Cuiabá – Desenvolvimento sustentável e inclusivo”, desenvolvido pela Superintendência de Agricultura e Pecuária em Mato Grosso (SFA-MT) em parceria com a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) e equipes técnicas das prefeituras com apoio da AMM, estão a disponibilidade precária de água, assistência técnica, além da dificuldade de acesso à crédito e ao mercado de distribuição.
“É preciso organizar as instituições e ampliar o debate para coletar todas as informações sobre os entraves como crédito, áreas embargadas e falta de licenciamento ambiental. A ideia é organizar um evento para que um documento seja gerado, auxiliando o governo, bancos e entidades de classe a resolver esses problemas”, destacou o conselheiro, que tem se dedicado ao combate das desigualdades socioeconômicas regionais.
Para o superintendente do Ministério da Agricultura e Pecuária, Edson Paulino de Oliveira, a preocupação do conselheiro com o quadro possibilita atender a região oferecendo possibilidades de qualidade de vida, geração de renda e estabilidade para as famílias.
“O Vale do Rio Cuiabá necessita muito de políticas públicas e o presidente Sérgio Ricardo tem muita vontade de colaborar para que isso aconteça. Nós, do Governo Federal, nos colocamos à disposição para que a gente possa desenvolver atividades e ações que façam com que a agricultura familiar seja o carro chefe para o desenvolvimento econômico das famílias da região”, disse Oliveira.
Também contribuiu com o debate o presidente da AMM, Hemerson Máximo, que apresentou o documento “Como Implantar e Regularizar sua Agroindústria de Produtos de Origem Animal”, produzido pela associação. Máximo classifica o Plano Mato Grosso 2050 como fundamental para que haja planejamento de Estado a longo prazo e acredita que o guia prático contribuirá para a elaboração desse programa.
“Desenvolvemos esse guia através da mesa técnica do TCE sobre agricultura familiar, que foi importante para superar um dos antigos problemas enfrentados pelos pequenos produtores de dificuldade de acesso ao mercado. Notamos que a Baixada Cuiabana tem uma vocação muito grande para a pequena agroindústria, podendo atender toda a região, pois a demanda existe”, acrescentou o presidente da AMM.
Entre os maiores gargalos enfrentados pelos pequenos produtores do Vale do Rio Cuiabá atualmente, está a instabilidade energética. Segundo o consultor técnico-jurídico do TCE-MT, André Baby, a situação já é acompanhada pelo Tribunal de Contas.
“Apesar da renovação contratual feita pelo Governo Federal, a companhia não tem atendido a contento. Nós tivemos aqui relatos de perdas imensuráveis de produção de queijos e carnes por queda ou oscilação de eletricidade. Todo o estado e o próprio distrito industrial de Cuiabá têm sofrido com isso e vamos continuar lutando, junto com a Assembleia Legislativa e o próprio Governo, para que a Energisa preste um bom serviço e a gente possa se desenvolver”, disse Baby.
O debate deve seguir adiante com a participação de novos atores institucionais. “Conforme deliberado pelo presidente Sérgio Ricardo, vamos organizar um evento para que façamos um debate cada vez mais amplo com a participação dos municípios, consórcios e associações. Por meio de consulta ou audiência pública, vamos colher todas as informações necessárias para a elaboração do Plano, sanando todas as necessidades de políticas públicas”, concluiu o consultor jurídico.
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Guilherme Maluf defende fiscalização do impacto social dos gastos em saúde durante evento do TCU
O presidente da Comissão Permanente de Saúde, Previdência e Assistência Social do Tribunal de Contas de Mato Grosso (Copspas/TCE-MT), conselheiro Guilherme Antonio Maluf, defendeu, nesta segunda-feira (31), que o controle externo acompanhe o resultado social do gasto em saúde, e não apenas a sua regularidade.
A declaração foi dada no seminário “SUStentabilidade: financiamento da saúde e as redes de atenção”, promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O evento reúne gestores, órgãos de controle, especialistas em busca de soluções para os desafios relacionados ao financiamento e à organização do Sistema Único de Saúde (SUS).
“Não basta ter a política de saúde e não basta ter o recurso. É preciso fiscalizar o ganho social, se esse dinheiro não está indo para o ralo”, disse Maluf ao ressaltar o papel dos tribunais. “Não há, no meu ponto de vista, nada que impacta tanto na sustentabilidade dos gastos quanto uma política pública, seja ela eficiente ou ineficiente”, acrescentou.
Para ele, que é diretor de Desenvolvimento do Controle Externo e Transparência da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), essa atuação se torna ainda mais relevante em um cenário de aumento de gastos municipais com a saúde, motivados por fatores como o envelhecimento da população e o agravamento das mudanças climáticas globais.
“Temos que ser muito versáteis no gastar e muito eficientes. E aí que eu trago a importância dos tribunais de contas dos estados trabalharem articulados com o TCU e com o Ministério da Saúde”, pontuou.
Outros temas em debate
Entre os temas em debate na Copspas, Maluf citou os hospitais de pequeno porte, que segundo ele podem ser mais resolutivos a um custo menor do que os grandes hospitais regionais, e a política de primeiro atendimento nas unidades básicas de saúde, que avaliou não estar corretamente direcionada em parte da rede.
Sobre a transformação digital do SUS, disse que parte dos municípios não tem estrutura para acompanhar o processo, por falta de equipamentos, de pessoal técnico e de prontuário eletrônico em uso na atenção ao paciente. “Será que todos os municípios estão preparados para ter essa maturidade da revolução digital? No meu estado não acontece”, afirmou.
O seminário
O seminário segue até 1º de setembro, no Auditório Ministro Pereira Lira, na sede do TCU, e é realizado em parceria com o Ministério da Saúde, o Instituto Rui Barbosa (IRB), o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e o Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross).
A programação trata do modelo de financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS), dos critérios de rateio dos recursos previstos na Lei Complementar 141/2012, dos desafios da regionalização e da organização das redes de atenção.
A mesa de abertura reuniu ainda o ministro do TCU Augusto Nardes, o secretário-executivo do Conass, Jurandi Frutuoso, o presidente do Conasems, Hisham Hamida, o secretário de Saúde do Distrito Federal, Juracy Cavalcante, a secretária de Controle Externo do TCU, Juliana Moraes, o vice-presidente de Desenvolvimento de Políticas Públicas do IRB, Helvécio de Castro, e a diretora de Ensino e Admissão de Novos Associados do Ibross, Virgínia Angélica.
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