Cuiabá
Maysa Leão cobra gestão de Abilio por investimentos na saúde e funcionamento da Casa do Autista
A vereadora Maysa Leão (Republicanos) voltou a cobrar, nesta terça-feira (01), respostas da gestão do prefeito Abilio Brunini diante de problemas que, segundo a parlamentar, continuam afetando a população de Cuiabá. Em sua fala na Câmara Municipal, Maysa afirmou que a atuação parlamentar é motivada pelo compromisso de fiscalizar o poder público e defender aqueles que mais precisam.
“Eu não preciso desse cargo financeiramente e não preciso dele por poder. Eu estou aqui porque recebi uma missão, proteger aqueles que não têm vez e não têm voz. Isso não é mantra de campanha, não é narrativa para ganhar voto. É missão de vida. Eu sou uma servidora e estou aqui para servir”, afirmou Maysa.
A vereadora também questionou a condução das políticas públicas de saúde e lembrou reuniões realizadas com profissionais da área para tratar do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) e do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV). Segundo Maysa, em uma reunião com vereadores, o prefeito teria condicionado a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA) à possibilidade de decretar calamidade financeira e, dessa forma, não realizar investimentos previstos para os servidores.
Maysa também cobrou informações sobre a Casa do Autista, especialmente em relação aos recursos necessários para que a estrutura funcione após sua construção. “Eu disse ao prefeito que precisávamos olhar não apenas para a construção da Casa do Autista, mas também para custeio, instalação e equipe de trabalho. Não adianta entregar uma obra sem garantir que ela tenha condições de funcionar e atender as famílias”, destacou.
A parlamentar afirmou ainda que acompanha de perto as informações relacionadas à construção da Casa do Autista e que buscou verificar a origem dos recursos anunciados para a obra. “Foi anunciado que 100% da verba para a construção está garantida. Mas essa obra ainda não começou. Eu fui conferir a informação de que dependeria de liberação do Governo do Estado e constatei que não é dessa forma. É preciso separar anúncio de realidade e promessa de execução”, afirmou.
Ao encerrar, Maysa reforçou que seguirá exercendo seu papel de fiscalização, mesmo diante das dificuldades. “O dia em que eu não me sentir triste ou indignada com a realidade que a população cuiabana está vivendo, eu entrego o cargo e volto para minha casa e para minha empresa. Eu sou realizada na minha vida. Estou aqui porque acredito que esse mandato precisa servir às pessoas e transformar aquilo que precisa ser transformado”, concluiu.
Cuiabá
Cuiabá realiza primeiro procedimento odontológico para paciente com TEA no Pronto-Socorro Municipal
A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), realizou o primeiro procedimento odontológico para uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC), neste sábado (29). A ação foi construída de forma integrada pela Secretaria Adjunta de Atenção Hospitalar e Complexo Regulador e pela Secretaria Adjunta de Saúde Bucal.
O atendimento teve início a partir da procura da família pelo Centro Médico Infantil (CMI) do Pronto-Socorro, após a criança apresentar dor de dente. Por se tratar de um paciente com TEA, a equipe identificou a necessidade de um atendimento diferenciado, considerando as particularidades comportamentais e sensoriais que podem tornar uma consulta ou procedimento odontológico mais desafiador.
A iniciativa para estruturar esse tipo de atendimento surgiu de uma proposta da secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, que mobilizou as equipes para encontrar uma solução diante da necessidade apresentada pela família.
Para Deisi, a realização do primeiro procedimento representa mais do que um avanço na assistência odontológica. É também resultado da união entre profissionais e setores da rede municipal para solucionar uma demanda concreta e garantir que crianças neurodivergentes tenham acesso ao cuidado de que precisam.
“Hoje foi um dia muito especial e emocionante para mim. Primeiro, porque essa ideia foi ouvida e acolhida por uma equipe que acreditou que era possível fazer diferente. Depois, porque cada profissional envolvido colocou sua competência, seu conhecimento e, principalmente, seu compromisso a serviço de uma criança que precisava de nós. Ver todos se unindo, buscando uma solução e indo além do horário de trabalho para fazer esse atendimento acontecer mostra a força que temos quando trabalhamos em equipe. Mais do que realizar um procedimento, conseguimos acolher uma criança e uma mãe que precisavam desse cuidado. É por momentos assim que vale a pena acreditar na nossa rede e nas pessoas que fazem a saúde de Cuiabá acontecer”, afirmou a secretária Deisi Bocalon.
Para crianças com TEA, uma consulta odontológica pode envolver desafios que vão além do procedimento clínico. Alterações na sensibilidade a sons, luzes, cheiros, toques e diferentes texturas podem provocar desconforto ou ansiedade. A dificuldade de compreender antecipadamente o que vai acontecer também pode tornar a experiência mais difícil.
Por isso, o atendimento especializado busca criar um ambiente de maior previsibilidade e segurança para a criança. Uma das estratégias é a realização de visitas de reconhecimento ou aclimatação, nas quais o paciente conhece o consultório, a cadeira odontológica, os profissionais e os materiais antes de qualquer procedimento invasivo.
Também podem ser utilizadas técnicas de manejo comportamental, com comunicação clara, explicação antecipada das etapas do atendimento e recursos visuais ou táteis, permitindo que a criança compreenda o que será realizado e tenha maior familiaridade com a rotina odontológica.
Outro ponto fundamental é a prevenção. A odontologia preventiva, com orientação para escovação, acompanhamento periódico e profilaxias, ajuda a reduzir o surgimento de problemas que podem evoluir para situações de urgência e exigir procedimentos mais complexos.
Em situações específicas, quando há hipersensibilidade importante, resistência extrema ao atendimento convencional ou necessidade de maior suporte, os procedimentos podem precisar ser realizados com sedação ou anestesia geral, sempre mediante avaliação clínica e indicação da equipe especializada.
A realização do procedimento no HPSMC abre caminho para que a rede municipal avance na construção de fluxos específicos para o atendimento odontológico de pacientes neurodivergentes.
A proposta é que a experiência adquirida neste primeiro atendimento contribua para o aperfeiçoamento das equipes e dos protocolos, ampliando a capacidade de resposta da rede diante de situações semelhantes.
A ação também reforça a importância da integração entre as áreas da Secretaria Municipal de Saúde. A partir da chegada da criança ao CMI, profissionais da assistência hospitalar e da Saúde Bucal trabalharam conjuntamente para identificar a melhor alternativa e viabilizar o procedimento de acordo com as necessidades apresentadas pelo paciente.
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