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Quando é a hora de adquirir um imóvel

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Por Prycilla Esser

A pergunta sobre o melhor momento para comprar um imóvel é recorrente e, ao contrário do que muitos imaginam, não existe uma resposta única ou universal. Mais do que tentar prever o “timing perfeito” do mercado, é fundamental compreender que a decisão de compra está diretamente ligada ao momento de vida, às necessidades e à organização financeira de cada pessoa.

Fatores econômicos como taxas de juros, inflação e condições de crédito, sem dúvida, exercem influência no setor imobiliário. Em cenários de juros mais elevados, por exemplo, o financiamento pode se tornar mais oneroso no curto prazo. No entanto, é importante destacar que o mercado imobiliário possui características próprias, com valorização consistente ao longo do tempo, o que mantém o imóvel como um investimento sólido e seguro.

Além disso, períodos de maior instabilidade podem, paradoxalmente, abrir oportunidades. É comum que incorporadoras ofereçam condições mais atrativas, negociações facilitadas ou benefícios comerciais que compensam, em muitos casos, o impacto de juros mais altos. Por isso, avaliar o contexto de forma ampla é essencial.

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Outro ponto relevante é observar o comportamento do mercado nos últimos anos. Mesmo diante de oscilações econômicas, o setor imobiliário tem demonstrado resiliência, impulsionado pela demanda contínua por moradia e pela busca por qualidade de vida. Esse cenário reforça a ideia de que adiar a compra esperando condições ideais pode significar perder boas oportunidades.

Do ponto de vista do comprador, alguns sinais indicam que pode ser o momento certo para dar esse passo. Estabilidade financeira, planejamento de longo prazo e clareza sobre as necessidades — seja para moradia ou investimento — são fatores mais determinantes do que qualquer previsão de mercado.

A escolha entre adquirir um imóvel na planta, em lançamento ou pronto também está diretamente relacionada ao momento da compra. Imóveis na planta costumam oferecer condições mais flexíveis e potencial de valorização, enquanto unidades prontas atendem a quem busca imediatismo. Já os lançamentos equilibram oportunidade e inovação, com projetos alinhados às novas demandas de moradia.

Por fim, é importante refletir sobre o risco de esperar pelo “momento perfeito”. Em um mercado dinâmico, essa espera pode resultar em aumento de preços, redução de opções disponíveis ou perda de condições vantajosas. Muitas vezes, o melhor momento não é aquele definido pelo mercado, mas aquele em que o comprador está preparado para transformar planejamento em ação.

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Em resumo, mais do que tentar acertar o tempo exato, a decisão de comprar um imóvel deve ser estratégica, consciente e alinhada aos objetivos pessoais. Com orientação adequada e análise criteriosa, é possível fazer uma escolha segura em diferentes cenários econômicos.

Prycilla Esser é especialista na área de venda de imóveis e atua como Gerente Comercial da Plaenge Cuiabá.

 

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Assédio Sexual no Ambiente de Trabalho

Análise sobre sua caracterização, efeitos nas relações de trabalho e a responsabilidade do empregador.

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Por Andréa Maria Zattar e Graziela Cabral

O ambiente de trabalho, frequentemente associado ao crescimento e à ascensão profissional, também pode ser espaço de discriminação, abusos, importunações e assédio, tanto moral quanto sexual.

Em 2025, a Justiça do Trabalho registrou 12.813 novos processos envolvendo assédio sexual, um aumento de 40% em relação ao ano anterior.

Os números apontam crescimento, mas estão longe de refletir a dimensão real do problema. Muitos casos permanecem restritos ao ambiente de trabalho e sequer chegam ao Judiciário.

Embora a prática atinja majoritariamente mulheres, não se limita a elas. Homens também figuram como vítimas, o que reforça que o fenômeno não se explica apenas por gênero, mas por relações de poder, vulnerabilidade e ambiente organizacional permissivo.

O dever do empregador não se restringe à organização da atividade produtiva. Envolve a gestão das condições de segurança e saúde no trabalho, o que inclui a prevenção de condutas abusivas.

Cabe à empresa adotar medidas concretas para coibir o abuso de poder nas relações de trabalho e impedir práticas de assédio moral e sexual. A omissão nesse dever configura violação ao dever objetivo de cuidado e revela conduta culposa, com repercussões jurídicas.

No plano conceitual, é necessário distinguir institutos que não se confundem.

O assédio sexual possui natureza específica e está tipificado como crime. Consiste em constranger alguém com o objetivo de obter vantagem ou favorecimento sexual, valendo-se de posição de superioridade hierárquica ou ascendência funcional.

Já a importunação sexual refere-se à prática de atos libidinosos sem consentimento, como toques, apalpamentos ou outras condutas de natureza física.

O assédio moral tem natureza própria e não se confunde com o assédio sexual. É caracterizado pela repetição de condutas que degradam o ambiente de trabalho e atingem a dignidade do trabalhador ao longo do tempo. O assédio sexual, por sua vez, pode se configurar a partir de um único ato, desde que haja investida de cunho sexual indesejada e potencialmente intimidatória.

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O assédio sexual pode assumir diferentes formas.

Há situações em que se manifesta por chantagem, quando vantagens ou prejuízos profissionais são condicionados à aceitação de investidas de natureza sexual. Em outras, ocorre por intimidação, por meio de comentários, gestos, insinuações ou contatos físicos indesejados que constrangem a vítima.

Pode ocorrer de forma vertical, a partir de superior hierárquico, mas também de forma horizontal, entre colegas de trabalho. Em ambos os casos, a motivação sexual associada à violação da liberdade e da dignidade da vítima é o elemento central.

Embora o assédio sexual seja tipificado como crime e submetido à competência da Justiça Comum, seus efeitos alcançam diretamente o Direito do Trabalho.

A conduta pode caracterizar falta grave do empregador, ensejando a rescisão indireta do contrato de trabalho, nos termos do artigo 483 da Consolidação das Leis do Trabalho. Nessa hipótese, a vítima pode extinguir o vínculo e receber as verbas rescisórias devidas como se dispensada sem justa causa.

Além disso, a prática configura ato lesivo à honra e à dignidade, autorizando a reparação por dano moral, com fundamento no artigo 927 do Código Civil. A competência para análise dessa pretensão é da Justiça do Trabalho, uma vez que o dano decorre da relação de trabalho.

Importa destacar que, embora a configuração do crime no âmbito penal exija relação hierárquica, a responsabilidade civil trabalhista não se limita a essa hipótese. O assédio praticado entre colegas também gera dever de reparação, sendo a empresa responsável pelos atos de seus prepostos, com possibilidade de ação regressiva contra o agente.

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A prova do assédio sexual apresenta desafios específicos.

Em regra, a conduta ocorre em ambientes reservados, sem testemunhas diretas, o que exige uma análise que vá além da prova tradicional. Mensagens, áudios, registros de ligações e outros elementos digitais assumem papel relevante.

Nesse contexto, ganha importância a análise do conjunto probatório por meio de indícios convergentes. A constelação de indícios permite a reconstrução dos fatos a partir de elementos que, analisados em conjunto, revelam coerência.

Também se mostra relevante a aplicação do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero, que orienta a análise das provas a partir das assimetrias presentes nas relações de trabalho, evitando interpretações que reforcem o silêncio ou a revitimização.

O enfrentamento do assédio sexual não pode se limitar à atuação do Poder Judiciário.

É necessário que as empresas adotem uma postura ativa, com mecanismos efetivos de prevenção, canais seguros de denúncia e resposta adequada diante de qualquer indício de abuso.

A ausência dessas medidas permite que a prática se mantenha no ambiente de trabalho e continue produzindo efeitos sobre a liberdade, a dignidade e a saúde do trabalhador.

Andréa Maria Zattar, advogada trabalhista, previdenciarista, membro da Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica – ABMCJ; membro efetivo da Comissão de Direito do Trabalho da OAB/MT, articulista e ativista em causas sociais.

Graziela Cabral, Juíza do Trabalho da 23ª Região, professora.

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