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Infarto não acontece de repente: o papel da Endocrinologia na saúde do coração
Por Mariana Ramos
É comum associarmos o infarto a um evento súbito, inesperado, que acontece sem aviso. No entanto, na prática, ele costuma ser o resultado de um processo silencioso e progressivo, que se desenvolve ao longo dos anos. Diversos fatores participam dessa construção e, entre eles, alterações hormonais e metabólicas têm papel relevante, ainda que nem sempre recebam a devida atenção.
A endocrinologia é a especialidade médica dedicada ao estudo dos hormônios e do metabolismo. Alterações nesse sistema podem influenciar a saúde cardiovascular, frequentemente de forma silenciosa. Condições como diabetes mellitus, obesidade, dislipidemia e distúrbios da tireoide estão bem estabelecidas como fatores de risco para doenças cardiovasculares e fazem parte da prática clínica diária.
Nem sempre os sinais são evidentes. Em muitos casos, os sintomas são inespecíficos, como fadiga persistente, dificuldade para perder peso, alterações no sono, oscilações de humor ou mudanças no apetite. Embora não sejam exclusivos de doenças endócrinas, esses sinais podem estar associados a alterações metabólicas que merecem investigação adequada.
Do ponto de vista cardiometabólico, desequilíbrios hormonais podem contribuir para alterações na glicemia, no perfil lipídico, na pressão arterial e na composição corporal, especialmente com aumento de gordura visceral. Esse conjunto de fatores está associado ao maior risco de aterosclerose e eventos cardiovasculares ao longo do tempo.
É nesse contexto que a ideia de que o infarto “acontece de repente” precisa ser revista. Na maioria das vezes, quando o evento se manifesta, o organismo já vinha passando por uma série de transformações progressivas. Frequentemente, há sinais prévios, ainda que discretos, de que algo não está em equilíbrio.
Por isso, sintomas aparentemente inespecíficos não devem ser ignorados, especialmente quando persistentes. Uma avaliação clínica adequada permite identificar fatores de risco e direcionar a investigação de forma individualizada, evitando tanto o subdiagnóstico quanto intervenções desnecessárias.
A avaliação endocrinológica inclui história clínica detalhada, exame físico e exames laboratoriais direcionados. Exames de imagem podem ser indicados em situações específicas. O tratamento depende da condição identificada e deve ser individualizado, com foco na redução de risco cardiovascular global e na melhora da qualidade de vida.
Cuidar da saúde cardiovascular vai além de hábitos como alimentação equilibrada e prática regular de atividade física, que seguem como pilares fundamentais. O manejo adequado de condições hormonais e metabólicas também é parte importante dessa estratégia. O infarto não acontece de repente: trata-se, na maioria das vezes, do desfecho de um processo construído ao longo do tempo e, justamente por isso, potencialmente prevenível com diagnóstico precoce e acompanhamento médico adequado.
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Plano Diretor: o tempo da cidade não pode esperar
Por Jean Barros
O Plano Diretor é, por excelência, o principal instrumento de planejamento urbano de um município. Mais do que um documento técnico, ele traduz a visão de futuro de uma cidade, organiza seu crescimento e estabelece diretrizes para garantir desenvolvimento sustentável, inclusão social e qualidade de vida à população. Diante disso, a condução de sua atualização exige não apenas responsabilidade técnica, mas também celeridade administrativa e compromisso com a participação popular.
No cenário atual, a proposta do novo Plano Diretor representa uma oportunidade estratégica para reposicionar a cidade frente aos desafios contemporâneos, entre eles, a expansão urbana desordenada, mobilidade, déficit habitacional, infraestrutura e preservação ambiental. Seus impactos socioeconômicos são diretos: um plano bem estruturado atrai investimentos, fortalece o ambiente de negócios, gera empregos e melhora a distribuição de renda, ao mesmo tempo em que reduz desigualdades e promove o uso mais eficiente dos recursos públicos.
Entretanto, o avanço desse processo depende de um fator essencial: tempo. E, neste momento, o tempo urge. O cronograma inicialmente previsto apontava para a realização de quatro audiências públicas regionais, além de um debate final, ainda neste mês corrente, etapa fundamental para garantir transparência, escuta ativa e participação democrática. No entanto, essas agendas ainda não se concretizaram, o que acende um alerta legítimo na sociedade.
É imprescindível que o Poder Executivo, sob a liderança do prefeito, imprima maior celeridade aos trâmites. A imediata convocação das audiências públicas é não apenas uma formalidade legal, mas um compromisso com a governança participativa. A população precisa ser ouvida, e o acesso ao conteúdo da proposta deve ser amplamente garantido, abrindo espaço para sugestões, críticas e contribuições que enriqueçam o texto final.
Após essa fase, o Plano seguirá para análise técnica da Procuradoria-Geral do Município e dos conselhos especializados, como o Conselho Municipal de Desenvolvimento Estratégico, antes de ser encaminhado à Câmara de Vereadores. Considerando a previsão de votação já no próximo mês de maio, qualquer atraso neste momento compromete todo o cronograma e, consequentemente, o planejamento da cidade como um todo.
Mais do que cumprir prazos, trata-se de respeitar o futuro urbano. Cada dia de indefinição representa uma cidade que segue sem diretrizes atualizadas para crescer de forma ordenada e justa. Investidores aguardam segurança jurídica, cidadãos esperam melhorias concretas e o poder público precisa dar respostas à altura dessas expectativas.
A cidade não pode ficar refém da morosidade. É hora de agir com responsabilidade, transparência e agilidade. O Plano Diretor não é apenas uma pauta administrativa, é um pacto coletivo pelo futuro. E esse futuro começa agora, com decisões firmes e participação efetiva da sociedade. Não podemos perder tempo: cada dia de atraso é uma oportunidade que se esvai e um futuro que deixa de ser construído.
Jean Barros é advogado e vereador suplente de Cuiabá
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