matopedia
XAVANTE
Pertencentes à família lingüística Jê, os A’uwe, conforme autodenominação, se caracterizam pelo espírito guerreiro, sendo a população indígena mais numerosa do Estado de Mato Grosso. As primeiras notícias sobre Xavante datam do século XVIII, vivendo na província de Goiás, segundo sua tradição oral seriam oriundos da região litorânea. A intensificação da colonização de Goiás, impulsionada pela exploração de minas de ouro, levou o aldeamento de diversos grupos Xavante, o mais expressivo ficou conhecido como “Carretão”. No início do século seguinte, o aumento das atividades agrícolas, decorrente do declínio da mineração, as epidemias e os conflitos, dentre outros fatores, obrigaram a procurar refúgio em terras distantes, ao oeste, pois ao norte seus caminhos estavam obstruídos pelos Krahô e Timbira e a sudeste por não índios. Nesta ocasião nem todos os A’uwe resolveram atravessar o Rio Araguaia, os que permaneceram em Goiás são reconhecidos na atualidade por Xerente. Efetuada a travessia, os Xavante se instalaram no vale do Rio das Mortes, fundando a sua principal aldeia, Isõrepré ou pedra vermelha, designação indígena para a serra do Roncador. Pedra Vermelha permaneceu durante muitos anos como uma estratégica unidade político-econômica e militar, possibilitando sua inserção no território Bororo. Ancorados em definitivo e com o domínio de uma ampla região, as facções internas existentes em Isõrepré, em decorrência de desentendimentos de ordem conjuntural, resolveram cindir e fundar novas aldeias. O grupo que seguiu a sudeste se fixou nas cabeceiras dos rios Couto Magalhães e Kuluene. Uma outra unidade política se estabeleceu no vale do Rio das Mortes e uma terceira que rumou em direção ao norte fundou Marãiwasede no Rio Suiá-missu. O sistema político faccional responsável pela fragmentação e recomposição dos grupos Xavante se intensificou na década de 1940 com a chegada das frentes de exploração, em decorrência dos embates internos sobre a conveniência ou não de manterem distância dos não índios. Deste cenário figuram a criação de Xavantina como base da expedição Roncador-Xingu, a morte de missionários Salesianos de Santa Therezinha e da frente de atração de Pimentel Barbosa mantida pelo SPI; finalmente, em 1946, ocorreu o primeiro contato da turma de Apowe (Apoena), líder Xavante, e Francisco Meireles, em São Domingos situado no Rio das Mortes. As décadas de 1950 e 1960 caracterizaram-se pela intensa atuação do SPI e das missões religiosas em meio a virulentos surtos de doenças, bem como pela ocupação de seu território através da emissão indiscriminada de títulos pelo Estado de Mato Grosso. No período seguinte, marcado pelo governo militar, fragmentos do seu extenso território foram reconhecidos oficialmente e demarcados. As terras indígenas Parabubure e Marechal Rondon foram reservadas para os grupos que se posicionaram ao poente da aldeia-mãe Isõrepré, localizadas respectivamente nos atuais municípios de Campinápolis e Paranatinga. Oriundas das disputas internas as facções que se deslocaram mais ao sul se juntaram aos Salesianos em São Marcos e Sangradouro/ Volta Grande, áreas próximas às cidades de General Carneiro e Primavera do Leste. Os do norte severamente castigados por epidemias, foram transferidos com o apoio da FAB, cedendo lugar para uma agropecuária estrangeira. Recentemente, os Xavante tiveram seus direitos reconhecidos através da demarcação da Terra Indígena Marãwatsede, porém, só restando ao seu lócus de origem através de ação judicial. Os que permaneceram no vale do Rio das Mortes, tiveram o seu território dividido com a demarcação das Terras Indígenas Areões e Pimentel Barbosa, ficando de fora diversas aldeias, inclusive Isõrepré. Refeitos do contato, os Xavante iniciaram uma campanha pela revisão de suas terras, de modo a incorporar parcelas importantes de sua área ancestral, emergindo fortes lideranças indígenas como Mario Juruna. Em contrapartida, o governo federal, através de projetos desenvolvimentistas, tem procurado conte-los nas áreas reservadas, tentando, assim, compensar o imposto na forma tradicional de reprodução física e cultural, com graves reflexos em sua práticas sociais e conflitos com os regionais. (JEFMC).
b
BARROS (Gilson de)
BARROS (Gilson de). Advogado, militar, servidor público, jornalista, político, professor e apresentador de TV (Cuiabá-MT, 28/02/1941 – 7/03/2008). Vem de tradicional família cuiabana e militou em várias áreas da vida pública e política. Presidiu entidades de interesse público e representou o Estado de Mato Grosso em congressos e encontros nacionais. Elegeu-se vereador por Cuiabá, sendo o mais votado de sua legenda, o MDB. Posteriormente foi eleito deputado federal constituinte, em 1986. No congresso foi 1º vice-presidente da Comissão de Segurança Nacional e da Comissão do Índio. Foi relator do projeto de criação do Estado de Rondônia e publicou mais de uma dezena de livros sobre política e administração pública. No período 1991/1994, no governo Jayme Campos, exerceu o cargo de secretário-chefe da Auditoria Geral do Estado de MT. No governo Blairo Maggi, no período 2003/2004, exerce o cargo de ouvidor-geral do Estado. Atuou como jornalista e apresentador do programa de TV O Bedelho, veiculado pela TV Brasil Oeste, diariamente, no qual Barros falava sobre política contemporânea e “causos” antigos. Era um formador de opiniões. Possuía um forte temperamento que aliado ao seu porte físico avantajado lhe rendeu o apelido de “O Incrível Hulk” ou ainda o “Hulk de Cuiabá”, numa alusão ao personagem de uma série de TV que fez sucesso na década de 1980.
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