Saúde
Vigilância Epidemiológica descarta surto de meningite em Sinop
A Prefeitura de Sinop, por meio da Secretaria de Saúde e da Vigilância em Saúde e Epidemiologia, descartou surto de meningite bacteriana no município, após cumprir o prazo de monitoramento e contenção de novos casos, estipulado pelo Ministério da Saúde (MS). Nenhum novo caso foi identificado pela secretaria no período, mesmo após rastreamento preventivo em alunos e familiares que tiveram contato direto com as pacientes diagnosticadas com a doença.
O diretor de Vigilância em Saúde e Epidemiologia, Jorge Beviláqua, esclarece que o período utilizado como base para descarte de surto é de 10 dias e leva em consideração evidências epidemiológicas e a biologia da doença. Esse intervalo corresponde ao tempo máximo de incubação da meningite, especialmente na forma meningocócica, que pode variar de 2 a 10 dias após a exposição ao micro-organismo.
“Esse prazo é uma margem de segurança epidemiológica. É nesse período que a pessoa que teve contato com um caso confirmado pode vir a manifestar a doença. Na segunda-feira [27 de abril], cumpriu-se o prazo da primeira paciente e, hoje [28 de abril], o da segunda paciente. Todos os casos que surgirem a partir do 11º dia serão considerados como um novo ciclo, sem relação com os casos já identificados”, explica.
Apesar de o período de 10 dias ter sido concluído sem novos casos confirmados, o monitoramento segue de forma contínua. “A vigilância funciona 24 horas por dia. Qualquer caso suspeito é imediatamente notificado pelas unidades de saúde, pois a meningite é uma doença de notificação compulsória. Isso garante uma resposta rápida e eficaz por parte das equipes”, afirma Beviláqua.
A transmissão da meningite bacteriana ocorre por meio de gotículas respiratórias, como saliva, tosse e espirro, sendo necessário contato próximo e prolongado com a pessoa infectada. Ainda conforme o diretor, após o início do tratamento com antibióticos adequados, o paciente deixa de transmitir a doença em cerca de 24 horas, o que contribui para a rápida interrupção do ciclo de transmissão.
“Por isso, além do tratamento imediato dos casos confirmados, também realizamos a profilaxia, que é a medicação preventiva, em todas as pessoas que tiveram contato próximo. Essa medida reduz significativamente o risco de novos casos e, em Sinop, o tratamento foi eficaz, pois concluímos o período de alerta sem nenhum novo caso”, detalha.
A Vigilância Epidemiológica esclarece que a meningite não é causada por um único agente. A doença consiste na inflamação das meninges — membranas que envolvem o cérebro — e pode ser provocada por bactérias, vírus, fungos ou, mais raramente, por parasitas. A forma bacteriana é considerada a mais grave, podendo evoluir rapidamente e levar a complicações severas ou até óbito em um curto intervalo de tempo, se não tratada precocemente. Já as meningites virais são mais comuns e, em geral, apresentam quadro mais leve, com baixa taxa de complicações.
A Secretaria orienta que a população permaneça atenta aos principais sintomas, como febre alta, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca e vômitos, e procure atendimento médico imediato em caso de suspeita.
As medidas adotadas seguem protocolos do Ministério da Saúde e têm como objetivo principal proteger a população, interromper possíveis cadeias de transmissão e garantir a segurança sanitária em Sinop.
Micro-organismos que podem causar inflamação das meninges
Principais bactérias:
- Neisseria meningitidis
- Streptococcus pneumoniae
- Haemophilus influenzae tipo b
- Listeria monocytogenes
- Escherichia coli (principalmente em recém-nascidos)
- Mycobacterium tuberculosis (meningite tuberculosa)
- Salmonella (casos raros)
Principais vírus:
- Enterovírus (mais comum)
- Vírus herpes simples
- Vírus da caxumba
- Vírus do sarampo
- Vírus varicela-zoster
Principais fungos:
- Cryptococcus neoformans
- Candida albicans
- Histoplasma capsulatum
Exemplos de parasitas:
- Naegleria fowleri
- Toxoplasma gondii
Saúde
Novas máquinas de hemodiálise contínua entram em operação no Hospital Central de Mato Grosso
O Hospital Central de Alta Complexidade de Mato Grosso é a primeira unidade do Sistema Único de Saúde (SUS) do estado com equipamentos de hemodiálise contínua em operação. O uso dessas máquinas visa garantir mais estabilidade aos pacientes com quadros graves que passaram por procedimentos de alta complexidade, como cirurgias cardíacas e neurocirurgias.
Ao todo, a unidade conta com cinco equipamentos – dois na UTI Pediátrica e três na UTI Adulta -, responsáveis por assumir temporariamente o trabalho dos rins quando eles deixam de funcionar adequadamente, ajudando a manter o organismo em equilíbrio. Porém, o que uma máquina convencional faz num período curto, de cerca de 4h, os novos equipamentos do Hospital Central realizam por prazos de até 72 horas, de forma contínua. Esse período mais longo dá mais estabilidade ao organismo do paciente, o que contribui para uma recuperação mais assertiva.
“Quando você retira muito rápido sangue e toxinas do organismo, o estado de saúde do paciente grave pode piorar e, muitas vezes, é preciso interromper o tratamento. Com essa máquina, é possível fazer essa retirada de forma mais lenta e segura. Isso dá tempo para que os antibióticos façam efeito e para que a equipe consiga estabilizar o organismo do paciente, aumentando as chances de ele atravessar esse período crítico com mais segurança”, esclarece o coordenador médico da UTI Adulta, Eduardo Gomes.
O procedimento de hemodiálise pode, por exemplo, causar pressão baixa nos pacientes, dentre outras variáveis que descompensam o organismo. No caso de pacientes em quadro crítico, perfil atendido pelo Hospital Central, alterações dessa natureza, quando acontecem de forma mais abrupta, podem tornar o caso ainda mais grave, ampliando o risco. Já com as máquinas de diálise contínua, a chance de instabilidade diminui.
“O paciente no pós-operatório de uma cirurgia cardíaca, por exemplo, já passou por um procedimento complexo e de alto risco. Quando os rins não conseguem funcionar adequadamente, fazer a diálise de forma convencional pode ser mais difícil, porque ele ainda está em um momento de grande fragilidade. Com esse equipamento, a retirada de líquidos acontece de maneira lenta e contínua, o que traz mais segurança durante o tratamento”, acrescenta Eduardo Gomes.
O equipamento também pode auxiliar na retirada do excesso de gás carbônico do organismo. O recurso é importante para pacientes com problemas pulmonares graves, nos quais os pulmões não conseguem eliminar adequadamente esse gás, que se acumula no sangue e agrava o quadro clínico. Com a nova tecnologia, essa remoção pode ser feita de forma contínua e controlada, ampliando o suporte oferecido aos pacientes em estado crítico.
Para a entrada em funcionamento dos equipamentos, profissionais do Hospital Central passaram por uma qualificação técnica, com a fabricante, e com a equipe do Einstein Hospital Israelita, organização filantrópica responsável pela gestão da unidade pública
“Preparamos os profissionais para utilizar os novos equipamentos e, também, para aplicar protocolos e práticas assistenciais já adotados pelo Einstein. O objetivo foi padronizar o cuidado e garantir aos usuários do SUS de Mato Grosso o mesmo padrão de excelência assistencial que orienta a atuação da organização”, frisa a diretora do Hospital Central, Alessandra Bokor.
O Hospital Central de Alta Complexidade é uma unidade pública de saúde que atende pacientes do SUS de Mato Grosso, encaminhados pela Central Estadual de Regulação.
Confira neste link um vídeo sobre o funcionamento do equipamento.
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