POLÍCIA
Sargento da Marinha é executado em Cáceres
Por João Arruda | Cáceres (MT)
O primeiro-sargento Anderson Alencar Batista, de 43 anos, foi morto a tiros na madrugada desta terça-feira (30.09), no bairro Jardim Universitário, em Cáceres – a 210 quilômetros a oeste de Cuiabá. A polícia ainda não informou a motivação do crime.
Segundo relatos iniciais de testemunhas, Alencar já estava em repouso quando ouviu um barulho. Ao sair para a parte externa da casa, percebeu que a fiação da cerca elétrica havia sido cortada e, ao tentar averiguar a situação, foi surpreendido por três homens. Ele recebeu disparos frontais e morreu no local.
Todos os órgãos de segurança estão empenhados na caçada aos autores.
Na Agência Fluvial de Cáceres, a notícia abalou a tropa. Ninguém quis se pronunciar, mas todos lamentaram o ocorrido.
Alencar era natural de Cáceres e saiu jovem da cidade quando ingressou na Escola de Aprendizes-Marinheiros em Florianópolis (SC). Lá se especializou em eletricidade e se tornou submarinista.
Transferido para Cáceres, prestava serviço no Navio-Escola Piquiri. Na Marinha, devido aos seus traços, ganhou o apelido de “Índio”, com o qual convivia naturalmente e até brincava: “Por eu ser índio, fui servir no submarino Tikuna”.
Na Marinha, a consternação é geral. Ao longo da carreira, Alencar recebeu inúmeras honrarias. Tanto que conseguiu servir na Agência Fluvial de Cáceres, uma das organizações em terra da Marinha cujo efetivo exige conceito excelente para compor a tropa.
As autoridades policiais não têm informações sobre a motivação e não descartam nenhuma hipótese nas investigações, inclusive a de morte por engano – o que já teria ocorrido nesse mesmo bairro no ano passado.
(Mais informações em instantes)
POLÍCIA
Fazendeiro é alvo de operação por caça ilegal de tartarugas no Araguaia
A Polícia Civil deflagrou, nesta quarta-feira (30.9), a Operação Iurará, com o objetivo de combater a caça ilegal de várias espécies de tartarugas no Parque Estadual do Araguaia, região leste de Mato Grosso.
Ao todo, são cumpridos 8 ordens judiciais de busca e apreensão. Os alvos dos mandados são cinco propriedades rurais no município de Ribeirão Cascalheira, dois endereços residenciais na cidade de Goiânia e um endereço comercial em Aparecida de Goiânia (GO).
Os suspeitos são investigados pela Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema) por diversos crimes contra a fauna silvestre como venda, comércio, caça e abate de animal silvestre, dano ambiental e associação criminosa.
As investigações conduzidas pela Dema apontam a suspeita de ataques sistemáticos ao Refúgio de Vida Silvestre (RVS) Quelônios do Araguaia, unidade de conservação (UC) na margem direita do Rio das Mortes, localizada nos municípios de Ribeirão Cascalheira, Cocalinho e Nova Nazaré
Conforme apurado, o suposto líder é um fazendeiro e empresário do ramo de cosméticos, dono de uma propriedade na margem esquerda do Rio das Mortes, em Ribeirão Cascalheira, bem em frente à unidade de conservação.
Os outros envolvidos são pessoas ligadas ao fazendeiro. Entre elas, a esposa e funcionários. Os indícios são de que os produtos da caça são vendidos de forma clandestina.
Com base nas investigações, a Polícia Civil representou pelas medidas cautelares de busca e apreensão, que foram decretadas pelo juízo da Vara Única da Comarca de Ribeirão Cascalheira.
Época de desova atrai caçadores
Entre setembro e outubro, na seca, uma das espécies caçadas, a tartaruga-da-Amazônia, sobe às praias que aparecem nos rios da região para se reproduzir. É quando esses animais, também chamados de iurará, fazem a desova. Por isso, esse também é o período mais visado por caçadores ilegais, que vão até a região atrás dos animais.
Além da tartaruga-da-Amazônia, a caça envolve outras espécies de tartarugas (quelônios) como o cágado.
Uma região de alto valor ecológico
A área investigada faz parte de um conjunto de unidades de conservação no Vale do Araguaia. Entre elas, está o Parque Estadual do Araguaia, uma das maiores áreas de conservação estadual.
O parque é de proteção integral e tem mais de 223 mil hectares, situado na faixa de transição entre o cerrado e a floresta amazônica. Por isso, reúne fauna, flora e paisagens muito variadas. Há campos que alagam na cheia, campos de murundus, cerrado, cerradão, mata inundável e mata seca.
Na época das chuvas, os dois rios transbordam e cobrem boa parte da área. A região faz parte da Planície do Bananal, também chamada de Pantanal do Araguaia.
No local, vivem espécies como o lobo-guará, o veado-campeiro, o boto-cor-de-rosa e várias tartarugas. O parque também funciona como corredor ecológico. É o ponto mais ao sul de uma sequência de unidades de conservação e terras indígenas ao longo da margem mato-grossense do Araguaia, com a Ilha do Bananal do outro lado do rio.
Um dos objetivos legais da unidade é justamente permitir que os animais circulem entre essas áreas.
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