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Quem se comunica ganha mais
Por Ana Sampaio
Quando digo que quem se comunica ganha mais, muita gente pensa imediatamente em dinheiro. Não está errado, mas também está longe de ser a história completa.
Quem se comunica ganha mais confiança. Ganha mais credibilidade. Ganha mais espaço. Ganha mais autoridade. Ganha mais oportunidades. E, como consequência de tudo isso, costuma ganhar mais clientes e melhores resultados financeiros.
O problema é que muitas empresas ainda tratam a comunicação como um acessório. Investem quando lançam um produto, quando enfrentam uma crise ou quando percebem que o concorrente está aparecendo mais.
Na prática, a comunicação não deveria ser uma campanha. Deveria ser cultura. Essa talvez seja uma das maiores convicções que construí ao longo da minha trajetória como jornalista: empresas que fazem da comunicação parte de sua estratégia crescem de maneira mais consistente do que aquelas que aparecem apenas de forma esporádica.
Em um mercado onde todos disputam atenção, vence quem conquista confiança. Ela é construída todos os dias, quando um líder compartilha conhecimento, quando uma empresa mostra seus bastidores, quando seus especialistas se tornam fontes para a imprensa ou quando seus valores aparecem nas atitudes, e não apenas em uma placa na recepção.
Muitas organizações ainda acreditam que comunicar é apenas falar sobre si mesmas. Não é. Comunicar estrategicamente é produzir significado. É fazer com que as pessoas entendam por que sua empresa existe, quais problemas resolve e por que merece ser escolhida.
Por isso, gosto de diferenciar três pilares que costumam ser colocados no mesmo pacote: a tríade poderosa. O marketing desperta interesse, a publicidade amplia o alcance e a assessoria de imprensa constrói credibilidade e reputação.
Enquanto uma campanha publicitária diz quem você é, uma reportagem em um veículo respeitado permite que outras pessoas reconheçam o seu valor. Existe uma diferença enorme entre afirmar que sua empresa é referência e ver essa percepção ser validada por terceiros. Essa validação importa ainda mais em um cenário de excesso de informação.
O Edelman Trust Barometer, um dos principais estudos globais sobre confiança, mostra que a credibilidade se tornou um dos ativos mais valiosos para organizações e lideranças. Ao mesmo tempo, cresce a dificuldade das pessoas em distinguir fontes confiáveis em meio ao enorme volume de conteúdo disponível.
É justamente nesse ambiente que a comunicação estratégica deixa de ser um diferencial e passa a ser uma necessidade. E comunicação estratégica não significa apenas estar nas redes sociais, mas construir uma presença integrada, com posicionamento claro e conteúdo relevante.
Faz parte desse processo manter um site atualizado, aparecer na imprensa quando houver valor-notícia e desenvolver relacionamentos com jornalistas, clientes, parceiros e a comunidade. Tudo isso comunica. Inclusive o silêncio, quando usado de forma estratégica.
Porque, quando uma empresa não escolhe se comunicar, alguém fará isso por ela. Pode ser um concorrente, um cliente, uma crise ou uma narrativa construída sem a sua participação. No fim, a reputação também é resultado da comunicação.
Como jornalista, aprendi que a notícia não nasce da autopromoção, mas da relevância, do conteúdo e do diferencial. E, como empresária, aprendi que a reputação não se compra com anúncios. Ela se conquista com consistência. Por isso, acredito tanto que a comunicação deve fazer parte da cultura organizacional de qualquer negócio, dentro ou fora da porteira, de um profissional liberal a uma grande companhia.
Empresas extraordinárias constroem diariamente a percepção sobre quem são. E quem faz isso conquista muito mais do que visibilidade. Conquista confiança. E, no mercado, a confiança continua sendo o ativo que mais gera oportunidades para ganhar mais.
Ana Sampaio é jornalista especializada em assessoria de imprensa e agronegócio, empresária-fundadora da agência Culture Comunicação e diretora da Rede AgroJor.
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Tempo da criação e o calendário ecológico
Por Juacy da Silva
Estamos em pleno período de 1º de setembro a 4 de outubro, quando as Igrejas Cristãs, Católica Romana, Ortodoxa e Evangélicas celebram o Tempo da Criação. Um tempo de reflexão e de orações, mas também um chamado às ações voltadas a um melhor cuidado com a natureza e com a população que sofre as consequências da degradação dos biomas e ecossistemas, principalmente os pobres e excluídos, sobre os quais esses impactos são mais devastadores.
Por isso, desde 2015, com a publicação da Encíclica Laudato Si, o Papa Francisco já nos exortava dizendo que, neste planeta Terra, “tudo está interligado”: a destruição das florestas tropicais afeta o clima mundial; a poluição do ar é responsável por mais de sete milhões de mortes desnecessárias todos os anos; a degradação das águas, tanto de córregos, rios, mares e oceanos, principalmente desses últimos, afeta o clima e o regime das chuvas, provoca secas prolongadas que favorecem os incêndios florestais e a elevação do nível e da temperatura dos oceanos, e contribui para o derretimento das calotas polares e das geleiras, favorecendo desastres “naturais” como temos presenciado nesses últimos dias no Nepal e, com certeza, muitas outras consequências ainda virão nos próximos anos e décadas.
De forma semelhante, também o Papa Francisco, na mesma Encíclica Laudato Si, nos alertava quanto às consequências da destruição dos ecossistemas e biomas que recaem com muito mais impacto sobre as populações vulneráveis, ao afirmar textualmente que “o grito da terra é também o grito dos pobres e excluídos”.
E, para finalizar esta reflexão, não podemos deixar de mencionar que todo este processo de destruição da natureza, da biodiversidade e das águas, somado à poluição dos solos e do ar, é o responsável direto pelo aquecimento global e pelo aumento da temperatura da Terra, que já está impactando a saúde da população e a economia e poderá impossibilitar todos os tipos de vida no planeta, principalmente dos seres humanos.
Lamentavelmente, os responsáveis pelos sistemas políticos e pela economia não percebem que esta visão imediatista — a busca de lucro imediato sem considerar os limites da natureza — é a grande causa de todas as mazelas que estão se abatendo sobre a “mãe Terra”.
Ao longo desses 34 dias do Tempo da Criação, como podemos perceber, existem diversos momentos relacionados diretamente com aspectos importantes da Ecologia Integral. Este deveria ser um tempo de reflexão sobre cada um desses momentos e de busca por compreender melhor este processo de destruição socioambiental, para, de fato, encontrarmos as saídas.
Essas saídas devem ter início com um processo de “conversão ecológica”, como também foi enfatizado na Encíclica Laudato Si, através do qual podemos transformar nossos hábitos consumistas e de desperdício, que tanto impactam o meio ambiente. Da mesma forma, precisamos lutar para que os sistemas econômicos predatórios, que estão exaurindo os recursos naturais e deixando um passivo ambiental impagável, possam ser transformados, tendo a sustentabilidade e o respeito aos consumidores e aos trabalhadores como seus novos paradigmas.
Cabe-nos ressaltar que o tema central do Tempo da Criação deste ano de 2026 é “Água Viva”, o que nos remete à gravidade da crise hídrica que atualmente afeta praticamente todos os países, inclusive o Brasil.
No nosso caso (Brasil), esses impactos já estão sendo sentidos há algumas décadas, mas a omissão de nossos governantes, do empresariado e também da própria população está nos conduzindo para uma verdadeira catástrofe.
Todos os biomas brasileiros têm sofrido os impactos negativos da crise hídrica, que decorre das alterações no clima ao intensificarem os eventos extremos em todo o país, aproximando ecossistemas vitais do chamado “ponto de não retorno”.
Por exemplo, a Amazônia tem sofrido com secas históricas jamais vistas e sentidas ao longo de décadas, com redução do volume de água de seus rios e dos chamados rios voadores, importantes para o clima das demais regiões do país, em decorrência do desmatamento ocorrido ao longo de várias décadas.
O Cerrado tem experimentado períodos de secas mais prolongados, destruição de suas nascentes, afetando diversas bacias hidrográficas, e a destruição de sua rica biodiversidade, em decorrência de um modelo agropastoril que não respeita o bioma.
O Pantanal, considerado um dos mais exuberantes patrimônios da humanidade pela UNESCO, ao longo das últimas quatro décadas já perdeu 30% de sua superfície de água e mais de 20 milhões de hectares pelo desmatamento e incêndios florestais, inclusive de natureza criminosa.
Os rios e bacias que “abastecem” o Pantanal, como os rios Cuiabá, Paraguai, São Lourenço e outros mais, estão morrendo pela destruição de suas nascentes, pela poluição urbana, pelo agrotóxico, pelo mercúrio de garimpos legais ou ilegais e também pela presença de inúmeras PCHs — Pequenas Centrais Hidrelétricas — que estão reduzindo a vazão desses cursos d’água.
Os demais biomas, como a Caatinga, a Mata Atlântica e o Pampa, também enfrentam sérios problemas hídricos, afetando principalmente centros urbanos importantes, com milhões de habitantes, como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
Ao longo desses 34 dias do Tempo da Criação, teremos 20 dias especiais, vários dos quais diretamente ou indiretamente relacionados com a crise hídrica brasileira, e outros que nos remetem à necessidade de um cuidado especial tanto no sentido da preservação quanto da conservação, diante da importância desses momentos no equilíbrio socioambiental.
Tendo em vista a origem das celebrações do Tempo da Criação, julgamos importante que tanto a Igreja Católica quanto as igrejas evangélicas — enfim, o povo cristão — demonstrem na prática, e não apenas com orações, a necessidade de um melhor cuidado com as obras da criação, sendo coerentes com a fé cristã diante do Criador.
Segue a relação dos momentos especiais que devemos, como cristãos, observar e celebrar durante esses 34 dias do Tempo da Criação, de 1º de setembro a 4 de outubro.
SETEMBRO
1º de setembro a 4 de outubro: Tempo da Criação
01 Festa da Criação e momento de abertura do Tempo da Criação
01 Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação
03 Dia do Biólogo
05 Dia da Amazônia
05 Dia Internacional da Sobrecarga de plásticos (Dia Internacional do excesso de plásticos)
07 Dia da Independência do Brasil
07 Dia Mundial do Ar Limpo (Combate à poluição do Ar)
11 Dia Nacional do Cerrado
16 Dia Internacional de luta para a preservação da Camada de Ozônio
19 Dia Mundial de luta pela Limpeza das Águas (ver também 22 de março)
21 Dia da Árvore (ver também 21 de março e 17 de julho)
22 Dia Nacional em defesa da Fauna
25 Dia da Bandeira dos ODS – Objetivos do Desenvolvimento Sustentável
29 Dia Internacional de Conscientização sobre Perda e Desperdício de Alimentos (Dia Internacional do Desperdício Zero). Ver também 30 de março
29 Dia Mundial dos Rios
OUTUBRO
01 Dia Internacional e Nacional das Pessoas Idosas
01 Dia do Vegetarianismo
03 Dia Nacional da Agroecologia
03 Dia Nacional das Abelhas (ver 20 de maio)
04 Dia de São Francisco de Assis e Encerramento do Tempo da Criação
04 Dia da Natureza
04 Dia dos Animais
Juacy da Silva é professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em sociologia, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral. E-mail: [email protected]| Instagram: @profjuacy | WhatsApp: 65 9 9272 0052
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