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BRASIL E MUNDO

Presidnete Lula pede proibição das apostas eletrônicas

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou, nesta quarta-feira (8), sua forte posição a favor da proibição das apostas eletrônicas de quota fixa, popularmente conhecidas como “bets”, em todo o território nacional. Em entrevista ao canal ICL Notícias, o chefe do Executivo expressou profunda preocupação com o crescente endividamento da população brasileira e o agravamento de problemas de saúde pública decorrentes do vício em jogos.

“Se depender de mim, a gente fecha as bets”, afirmou Lula, embora reconhecendo que tal medida exige uma articulação complexa e o apoio do Congresso Nacional. O presidente criticou o que chamou de “jogatina desenfreada”, que, segundo ele, está levando a sociedade a “cometer desvios”.

A proposta presidencial, contudo, esbarra em um cenário político delicado. Lula destacou que o setor de apostas possui considerável influência e financia parlamentares e partidos políticos, tornando o debate ainda mais desafiador.

O presidente argumentou que o endividamento no país é impulsionado pelos baixos salários, mas que a promessa de “ganho rápido” das apostas potencializa essa situação. “Todo mundo quer ganhar um dinheirinho a mais, mas quando a pessoa está viciada no jogo, tem que tratar isso como uma questão de saúde. Eu conheço pessoas que perderam o carro, perderam a casa. Pessoas que se matam”, lamentou. Dados do Banco Central indicam que, apenas no primeiro trimestre de 2025, os apostadores brasileiros destinaram até R$ 30 bilhões por mês às bets.

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Lula traçou um paralelo com a história da proibição de cassinos físicos e do jogo do bicho no Brasil. Para ele, a tecnologia atual derrubou as barreiras que protegiam as famílias. “Eu passei toda minha vida ouvindo dizer que não era possível ter jogo de azar, ter cassino, o jogo do bicho era contravenção. Hoje o cassino está dentro da sua casa, com o seu filho de 10 anos […] utilizando o celular do pai que é contra o jogo de azar, gastando dinheiro desnecessário e enricando as bets”, comparou.

Sobre o argumento de que os clubes de futebol dependem dos patrocínios dessas empresas, o presidente foi taxativo: “o futebol viveu um século e meio sem as bets”.

Contradição: regulamentação e arrecadação crescente

A posição de Lula contrasta com o histórico recente e a atual situação regulatória do setor. As apostas de quota fixa em eventos esportivos foram legalizadas no Brasil em 2018, pela Lei 13.756. Coube ao governo atual regulamentar a atividade em 2023, por meio da Lei 14.790, que também incluiu os jogos online dessa modalidade. O Ministério da Fazenda, agora responsável pela regulação, criou em 2024 a Secretaria de Prêmios e Apostas e tem publicado diversas portarias com regras para o setor.

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Paradoxalmente, enquanto o presidente defende o fim das bets, a regulamentação e a ampliação das cobranças sobre o setor têm impulsionado a arrecadação governamental. Segundo a Receita Federal, a tributação sobre apostas online e jogos de azar gerou R$ 2,5 bilhões em janeiro e fevereiro deste ano, um salto de 236% em comparação com os R$ 756 milhões registrados no mesmo período do ano passado.

A discussão sobre o futuro das apostas eletrônicas promete ser um dos grandes embates no Congresso, colocando em lados opostos as preocupações sociais e de saúde pública levantadas pelo presidente e os interesses econômicos e a crescente arrecadação fiscal do governo.

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BRASIL E MUNDO

FGC ainda tem R$ 1,83 bilhão parado para credores do grupo Master e alerta para perda de valor sem correção

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O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ainda tem um montante de R$ 1,83 bilhão reservado para investidores e correntistas de instituições ligadas ao grupo Master que ainda não pediram o reembolso. Segundo balanço divulgado nesta terça-feira (14), os recursos ainda podem ser resgatados pelo aplicativo do FGC.

O FGC ressalta que o valor parado no fundo permanece sem nenhuma correção pela inflação desde a liquidação dos bancos. Na prática, quanto mais tempo o beneficiário demora para solicitar o pagamento, menor será o poder de compra do valor recebido.

Como resgatar

As pessoas físicas podem solicitar o reembolso diretamente pelo aplicativo oficial do FGC.

O fundo orienta os beneficiários a manterem as notificações do aplicativo ativadas, pois o sistema pode solicitar informações adicionais para concluir o pagamento.

Quanto falta

O maior volume de pagamentos já foi realizado, mas ainda há recursos disponíveis para milhares de beneficiários.

Nos bancos Master, Master de Investimento e Letsbank, o FGC já desembolsou R$ 40,03 bilhões, o equivalente a 98,54% do total previsto. Ainda restam cerca de R$ 590 milhões para serem retirados.

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Mais de 718 mil credores já receberam os valores, o que representa 93,72% do público estimado.

No caso do banco Pleno, antigo Voiter, foram pagos R$ 4,5 bilhões, correspondentes a 93,93% do total esperado. Permanecem disponíveis cerca de R$ 290 milhões, enquanto aproximadamente 135 mil beneficiários já fizeram o resgate.

Já no Will Bank, o FGC desembolsou R$ 5,75 bilhões, ou 94,69% do montante previsto. Ainda há cerca de R$ 950 milhões à espera dos clientes. Mais de 276 mil beneficiários já receberam os recursos.

O que é

O Fundo Garantidor de Créditos é uma entidade privada, sem fins lucrativos, criada para proteger clientes de instituições financeiras em caso de intervenção ou liquidação.

Quando um banco quebra, o FGC reembolsa depósitos e determinados investimentos até o limite de R$ 250 mil por Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), por instituição ou conglomerado financeiro. Existe ainda um teto global de R$ 1 milhão em indenizações por CPF ou CNPJ em um período de quatro anos.

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O objetivo é aumentar a segurança dos investidores e preservar a confiança no sistema financeiro.

O que é protegido

A garantia do FGC cobre diversos produtos financeiros, entre eles:

  • conta-corrente;
  • conta-poupança;
  • CDB e RDB;
  • Letras de Crédito Imobiliário (LCI);
  • Letras de Crédito do Agronegócio (LCA);
  • Letras de Câmbio (LC);
  • Letras Hipotecárias (LH);
  • Letras de Crédito do Desenvolvimento (LCD);
  • operações compromissadas com títulos emitidos por instituições financeiras.

Investimentos como ações, fundos de investimento, debêntures, Tesouro Direto e certificados de operações estruturadas (COEs) não são protegidos pelo FGC.

Patrimônio do fundo

O FGC também divulgou um retrato da cobertura do sistema financeiro brasileiro.

Em abril, os depósitos e investimentos elegíveis à garantia somavam R$ 5,58 trilhões. Considerando o limite máximo de cobertura por cliente, o valor efetivamente protegido era de R$ 2,684 trilhões.

Ao fim de 2025, o patrimônio líquido do fundo estava em R$ 123,2 bilhões, uma queda de 12,25% em relação ao ano anterior, reflexo dos pagamentos realizados após a liquidação de instituições financeiras ligadas ao grupo Master.

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