livre pensar
O pão e o comunista
André Barriento
Há vários anos atrás, quando eu começava a carreira de jornalista, trabalhei numa pequena emissora de TV a Cabo, em São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Foram tempos difíceis, mal tinha dinheiro para comer.
Lembro que, naquele período, recebia uma um “salário” de R$ 200. Era o que eu tinha para passar o mês, embora a mensalidade da faculdade fosse três vezes esse valor. Era um dinheiro que pagava o quarto onde dormia (em condições indescritíveis) e algumas esfirras do Habibs, que comia a noite por 28 centavos a unidade. Com o tempo, consegui um “cargo melhor” e outros trabalhos. Mas, até isso acontecer a fome me assombrava.
Na pequena emissora de TV, ligada a uma Fundação de Pesquisa (sinceramente não entendida muito bem aquilo ali) havia um diretor que chamávamos carinhosamente de Professor Eduardo. O velho comunista adorava as histórias sobre revoluções, os ideais marxistas e outras teorias que meu pragmatismo jornalístico insistia em ignorar. Entretanto, uma coisa era impossível me passar despercebido: o pão que ele trazia toda tarde.
Assim como alguns colegas da emissora (éramos cinco ou seis jovens com pouco dinheiro), todos os dias eu visitava a cozinha e tirava pedaços do pão do Professor Eduardo. Era pão com torresmo, pão caseiro, às vezes com ingredientes que a fome nem deixava a gente perceber direito. Entretanto, produtos de qualidade, fazendo a cozinha virar um oásis naquele prédio pequeno e sem estrutura. Ocorre que, por diversas vezes, ouvíamos a reclamação em tom paternal: “vocês acabaram com meu pão! Deixem ao menos um pedaço pra mim”.
O Professor Eduardo era um cara memorável, agia com temperança diante das dificuldades e deixava a gente ousar, aprender a fazer televisão ao vivo, no ar. Confiança que beirava a irresponsabilidade. Afinal, éramos jovens com pouco juízo e muitas ideias. Aprendi muito naquele lugar.
Fiquei quase um ano ali, depois tive a oportunidade de partir, conhecer outras empresas, cidades e estados. Mas, um dia, antes de ir embora eu perguntei a ele se não ligava de a gente, todo dia, come o pão que ele trazia. Confessei em tom agradecido que muitas vezes era minha única refeição durante o dia. O velho comunista me olhou nos olhos, sorriu e falou com simplicidade: “eu sei, é por isso que eu trago o pão. Pra vocês. Mas, não conta para os outros”. Há algum tempo soube que o Professor havia falecido. Fiquei triste, depois lembrei de algumas histórias que me fez sorrir.
Refleti sobre eu nunca ter gostado das ideias de Marx. Menos ainda dos ideais dos seguidores dele, os marxistas. Eu confesso que não acredito que o ser humano, de modo geral, seja capaz de dividir tudo o que tem com os outros. O mundo atual não funcionaria assim, principalmente quando a pessoa é obrigada a fazer isso.
Algo me ocorre hoje: sem a visão míope dos extremismos seria possível enxergar a beleza do agir sincero em busca do bem, do bom e do belo, independentemente da ideologia política? Isso ajudaria a desbastar a pedra bruta do nosso ser? Visitando minhas lembranças posso afirmar que aquele homem, que jurava ser ateu, tinha um comportamento mais cristão do que muita gente. O agir falava por ele.
Hoje, se realmente queremos um mundo melhor, se estamos empenhados em promover o Progresso da Humanidade, devemos agir com as ferramentas que temos, com o que possuímos de melhor. Seja conservador ou liberal, capitalista ou comunista, mas seja do bem.
*André Luiz Barriento é jornalista, mestre em Comunicação e Mediações Culturais pela UFMT e assessor de comunicação.
artigos
Série Governantes: Faça a sua parte
Por Francisney Liberato
“Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país.” John F. Kennedy
Uma das características mais marcantes do brasileiro é a sua criatividade. Ele consegue desenvolver e pôr em prática várias habilidades como: ideias, pensamentos, empreendedorismo, visando o seu bem-estar e o seu conforto, como também o de sua família.
Segundo o site “Terra”, em 30/09/2019, é apresentada uma pesquisa a qual conclui: “A pesquisa Amway Global Entrepreneurship Report (AGER) revela que 56% dos brasileiros desejam ser donos do seu próprio negócio. Destes, 74% são jovens entre 18 e 35 anos. O índice do Brasil é maior que a média global, que está em 47%”.
Vejam que no Brasil os jovens desejam criar e empreender, eles querem ter o seu próprio negócio. Isso é muito positivo para nossa nação. Infelizmente, uma coisa é desejar e querer ser um empresário, outra, bem diferente, é efetivar esse desejo.
Não podemos permitir que o conceito autocrático, isto é, esperar que as ideias, iniciativas e as respostas sejam exclusivamente do chefe, do líder, do diretor escolar, do pai e da mãe, do governante, do presidente, uma vez que, se agirmos dessa maneira, veremos falecer a nossa liberdade de criar.
É fundamental para todos que tenham uma mentalidade aberta e moderna que as pessoas criem e empreendam mais, pois é por intermédio disso que é gerada riqueza para o nosso país.
Você deve olhar para dentro de si e se perguntar: Qual é a sua vocação para melhorar a sua vida, a vida da sua família, dos seus entes queridos e do país onde reside? Essa reflexão é de extrema importância.
A responsabilidade é única e exclusivamente sua. Aqui existe um conceito fundamental que devemos ter como prisma em nossas vidas, que é chamado de Autorresponsabilidade. Em síntese, é necessário trazer para si a responsabilidade, e não a de colocar sobre o encargo do outro, como: os seus pais, seus familiares, seus empregadores e seus governantes. Em outras palavras, o sucesso ou fracasso da sua vida está em sua alçada.
Se pensarmos a vida dessa forma, saiba que teremos uma nação moderna e próspera, com índices de desenvolvimento econômico e humano semelhantes aos de países do primeiro mundo.
Entretanto, muitos indivíduos têm dificuldades de entender o seu propósito para esta vida. Muitos estudantes que estão cursando uma faculdade já pensam em desistir, por entender que não é bem isso o que sonham para sua vida. Enquanto existem muitos indivíduos desejando crescer evoluir, por outro lado, têm, infelizmente, os que esperam “a comida, o emprego, o dinheiro caírem do céu”.
John Fitzgerald Kenedy ou JFK foi um político norte-americano que governou os Estados Unidos (1961-1963), o seu nome está registrado como o 35° presidente daquela nação. Ele é considerado uma das grandes personalidades do século XX.
Kennedy se tornou o segundo presidente mais jovem do seu país, depois de Theodore Roosevelt. Infelizmente, não conseguiu terminar o seu mandato, uma vez que foi assassinado em 1963.
O presidente John Kennedy proferiu uma célebre frase que ainda tem uma enorme relevância para os nossos dias: “Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país”.
Podemos parafrasear essa afirmação do ex-presidente americano para o nosso contexto: o que nós brasileiros podemos fazer pelo Brasil? O que estamos fazendo para melhorar o nosso país? Qual tem sido a minha e sua contrapartida para desenvolver e aperfeiçoar esta nação? Como podemos abandonar determinadas atitudes paternalistas e viver de forma mais racional, visando o bem comum? O Estado pertence a todos nós. Devemos fazer a nossa parte, e não exigir que Estado seja o responsável e provedor por tudo.
Nosso país é formado pela diversidade cultural, étnica e social de milhares de brasileiros, que nem sempre concordam com as decisões dos nossos governantes, mas todos fazemos parte da nação, e devemos caminhar em um mesmo sentido. A nossa Constituição de 1988 dispõe que todo poder se origina do povo. O poder está nas mãos de cada ser habitante deste país. Nós podemos e devemos fazer o melhor pelo Estado, independentemente de questões políticas e partidárias.
Não diga o que o país deve fazer por você, use a sua criatividade, empreendedorismo, e faça o seu melhor na medida de suas condições, e de acordo com as suas circunstâncias. Seja presente e deixe o seu legado para esta nação. A responsabilidade pelo sucesso ou fracasso do Brasil está em nossas mãos. Está disposto a tomar uma iniciativa para contribuir com a República Federativa do Brasil?
Francisney Liberato Batista Siqueira é Auditor Público Externo do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Chefe de gabinete de Conselheiro do TCE-MT, Palestrante Nacional, Professor, Coach, Mentor, Advogado e Contador, Autor dos Livros “Mude sua vida em 50 dias”, “Como falar em público com eficiência” e “A arte de ser feliz”.
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