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Tenho endometriose e quero engravidar: quais são minhas opções?

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Por Giovana Fortunato

Por muito tempo, receber o diagnóstico de endometriose era quase sinônimo de ouvir que engravidar seria muito difícil ou até impossível. Felizmente, essa realidade mudou. Hoje, graças aos avanços da medicina, a grande maioria das mulheres com endometriose pode realizar o sonho da maternidade, desde que receba um diagnóstico adequado e um tratamento individualizado.

A primeira informação que toda mulher precisa saber é que ter endometriose não significa, necessariamente, ser infértil. Embora a doença possa reduzir a fertilidade em alguns casos, muitas pacientes engravidam naturalmente, especialmente quando o diagnóstico é feito precocemente e a doença está sob controle.

A endometriose é uma condição inflamatória crônica caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero, atingindo ovários, trompas, intestino, bexiga e outras estruturas da pelve. Além das conhecidas dores intensas durante a menstruação, ela pode provocar alterações no funcionamento dos órgãos reprodutivos, dificultando o encontro entre o óvulo e o espermatozóide ou prejudicando a implantação do embrião.

Estima-se que entre 30% e 50% das mulheres com endometriose apresentem alguma dificuldade para engravidar. Isso não significa que todas precisarão recorrer à reprodução assistida. A estratégia depende de uma série de fatores, como idade da paciente, tempo de infertilidade, reserva ovariana, localização e gravidade da doença, além da qualidade do sêmen do parceiro, quando houver.

Em mulheres jovens, com doença leve e trompas preservadas, muitas vezes é possível acompanhar a tentativa de gestação espontânea por um período determinado. Em outras situações, medicamentos para indução da ovulação associados à inseminação intrauterina podem aumentar as chances de gravidez.

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Quando a endometriose é mais avançada ou existem comprometimentos importantes das trompas e dos ovários, a fertilização in vitro (FIV) costuma oferecer os melhores resultados. Nessa técnica, a fecundação acontece em laboratório e o embrião é transferido posteriormente para o útero, contornando parte dos obstáculos causados pela doença.

Outro ponto importante é a cirurgia. Muitas mulheres acreditam que retirar todos os focos de endometriose seja sempre o primeiro passo para engravidar. No entanto, essa decisão precisa ser cuidadosamente avaliada. Em alguns casos, a cirurgia realmente melhora as chances de gestação e reduz os sintomas. Em outros, especialmente quando há comprometimento da reserva ovariana, operar pode diminuir ainda mais a quantidade de óvulos disponíveis. Por isso, cada caso deve ser discutido individualmente, considerando riscos e benefícios.

Também é importante compreender que a idade exerce um papel fundamental. A fertilidade feminina diminui naturalmente com o passar dos anos, principalmente após os 35 anos. Quando essa redução natural se soma à endometriose, o tempo passa a ser um fator ainda mais relevante. Adiar a investigação ou insistir por muitos anos em tentativas sem acompanhamento pode diminuir as possibilidades de sucesso.

Por esse motivo, mulheres com diagnóstico de endometriose que desejam ser mães não devem esperar muito tempo para procurar orientação especializada. Um planejamento reprodutivo permite definir a melhor estratégia para cada fase da vida, inclusive discutindo alternativas como o congelamento de óvulos quando houver indicação.

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Vale destacar que o tratamento da endometriose vai muito além do controle da dor. O objetivo é preservar a qualidade de vida, proteger a fertilidade e oferecer segurança para que a mulher possa tomar decisões conscientes sobre seu futuro reprodutivo.

Mais do que uma doença ginecológica, a endometriose pode impactar projetos de vida, relações familiares, saúde emocional e autoestima. Por isso, o atendimento deve ser acolhedor e multidisciplinar, envolvendo ginecologista, especialista em reprodução humana, nutricionista, fisioterapeuta pélvica e psicólogo sempre que necessário.

A boa notícia é que hoje dispomos de recursos diagnósticos mais precisos, tratamentos modernos e técnicas de reprodução assistida com excelentes taxas de sucesso. O mais importante é não perder tempo convivendo com sintomas considerados “normais” ou adiando a busca por ajuda.

Se você tem endometriose e deseja engravidar, saiba que existem caminhos. O primeiro deles é procurar um ginecologista com experiência no tratamento da doença e no planejamento reprodutivo. Com informação, acompanhamento especializado e uma estratégia personalizada, a maternidade pode deixar de ser uma preocupação distante para se tornar um projeto possível e bem planejado.

Dra. Giovana Fortunato é ginecologista e obstetra, especialista em endometriose e infertilidade e professora da UFMT.
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Celebrar a ortopedia é enaltecer o movimento e a qualidade de vida

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Por Mara Gonçalves

No dia 19 de setembro, celebramos o Dia do Ortopedista. Mais do que uma data dedicada a homenagear os profissionais que escolheram cuidar do sistema musculoesquelético, é também um momento para refletirmos sobre a história da especialidade, sua evolução e, principalmente, sobre a importância que a ortopedia exerce na vida das pessoas.

A própria escolha da data está diretamente ligada à história da ortopedia brasileira, pois em 19 de setembro de 1935 foi fundada a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), entidade que, ao longo de nove décadas, se consolidou como uma referência na formação, atualização científica e representação dos especialistas no país. Pouco tempo depois, foi realizado o primeiro Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia, marcando o início de uma trajetória de organização e desenvolvimento da especialidade no Brasil.

Mas a história da ortopedia é muito mais antiga e acompanha a própria busca da humanidade por compreender o corpo, tratar deformidades, corrigir lesões e devolver autonomia às pessoas. Ao longo dos séculos, o conhecimento médico evoluiu de métodos ainda rudimentares para técnicas cada vez mais precisas, impulsionadas pelo avanço da cirurgia, da anestesia, dos exames de imagem, dos implantes e, mais recentemente, das novas tecnologias.

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Hoje, a ortopedia está presente em diferentes momentos da vida e é a especialidade que acompanha o desenvolvimento das crianças, trata lesões e deformidades, auxilia atletas e praticantes de atividade física, atende vítimas de traumas e acidentes e contribui para a preservação da mobilidade e da independência ao longo do envelhecimento. Cuidar dos ossos, articulações, músculos, ligamentos e tendões é, em essência, cuidar de algo fundamental: a capacidade de se movimentar.

E movimento não significa apenas caminhar, mas também trabalhar, brincar, praticar esportes, realizar atividades simples do cotidiano e manter a autonomia. Por isso, o trabalho do ortopedista não deve ser lembrado apenas quando surge uma dor, uma fratura ou uma lesão. A especialidade também tem um papel importante na prevenção, na orientação e na promoção da saúde musculoesquelética.

Vivemos, inclusive, um momento em que esse olhar preventivo se torna cada vez mais necessário. O aumento do sedentarismo, o excesso de tempo diante das telas, o envelhecimento da população e a prática inadequada de atividades físicas são alguns dos desafios que reforçam a necessidade de conscientização sobre os cuidados com o corpo e a importância de buscar orientação especializada.

Neste contexto, a atualização constante do médico é indispensável. A ortopedia é uma especialidade ampla, que reúne diferentes áreas de atuação e está em permanente transformação. Novas técnicas, tecnologias, materiais e conhecimentos científicos surgem continuamente, exigindo estudo e aperfeiçoamento ao longo de toda a carreira.

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Em Mato Grosso, a SBOT-MT desempenha um papel essencial ao aproximar os especialistas, estimular a troca de experiências e contribuir para a atualização científica e o fortalecimento da ortopedia no Estado. Uma sociedade regional forte representa não apenas um espaço de integração entre colegas, mas também uma oportunidade permanente de crescimento profissional e de construção coletiva de uma medicina cada vez mais qualificada.

Celebrar o Dia do Ortopedista, portanto, é reconhecer uma profissão que exige conhecimento técnico, dedicação, atualização e, acima de tudo, compromisso com as pessoas. Por trás de cada tratamento, existe alguém que deseja voltar a caminhar sem dor, retornar ao trabalho, praticar um esporte, recuperar sua independência ou simplesmente realizar atividades que fazem parte da vida.

Neste 19 de setembro, fica a nossa homenagem a todos os médicos ortopedistas de Mato Grosso e do Brasil, que diariamente colocam seu conhecimento e experiência a serviço da saúde, da mobilidade e da qualidade de vida.

Dra. Mara Gonçalves é médica ortopedista, especialista em Ortopedia, Traumatologia e Cirurgia da Mão. Atual Presidente da SBOT-MT.

 

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