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Municípios cobram autonomia financeira e repasses justos na abertura da Marcha a Brasília

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A defesa da autonomia financeira dos municípios e a garantia de repasses suficientes para custear serviços e programas locais marcaram a abertura da XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, realizada nesta terça-feira (19). O evento reuniu gestores de todo o país, com o objetivo de fortalecer a administração municipal e assegurar recursos essenciais para o financiamento das atividades locais.

As principais reivindicações foram apresentadas ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, ao presidente da Câmara, Hugo Motta, ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e a outros representantes dos poderes Executivo e Legislativo. O encontro reforçou o diálogo direto entre prefeitos e autoridades federais em busca de soluções para as necessidades dos municípios.

O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Hemerson Maninho, participou da cerimônia de abertura ao lado de dezenas de prefeitos de Mato Grosso. Ele alertou que diversas matérias em tramitação no Congresso aumentam a pressão sobre as contas públicas municipais, sobretudo quando não há repasse suficiente de recursos para a execução dos serviços.

Mais de 100 municípios de Mato Grosso são de pequeno porte e enfrentam dificuldades de receita para cumprir as atribuições estabelecidas anualmente. Nossa proposta é que haja um compromisso formal de repasse dos recursos necessários para custear aumentos de pisos salariais, criação de programas e outras iniciativas que impactam o caixa das prefeituras, afirmou Maninho.

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Durante a solenidade, o presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, defendeu a revisão do pacto federativo para que a distribuição de recursos e atribuições seja mais equilibrada. Ziulkoski destacou pautas que pressionam as finanças municipais, como a redução da jornada de trabalho, que exigiria a contratação de 730 mil funcionários, e a possível criação de novos pisos salariais para diversas categorias.

São 300 projetos nas duas casas do Congresso criando pisos salariais. Não somos contra o aumento, mas é preciso repassar os recursos para os municípios, alertou.

O vice-presidente Geraldo Alckmin ressaltou a importância de fortalecer o governo local, que conhece de perto a realidade das cidades. Ele afirmou que o governo federal deve apoiar a sociedade civil organizada para potencializar políticas públicas e anunciou que na quarta-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá o presidente da CNM e representantes de associações municipais para ouvir as demandas.

O presidente Lula vai ouvi-los e deliberar sobre os temas colocados neste encontro, adiantou Alckmin.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, destacou avanços como a aprovação da PEC do Sistema Único de Assistência Social, que garante 1% da Receita Corrente Líquida para estados e municípios. Ele citou ainda a PEC 66, que limitou o pagamento de precatórios e permitiu a renegociação de débitos previdenciários, além de iniciativas nas áreas de segurança pública, combate ao crime organizado e transporte público.

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O fortalecimento da agenda municipalista interessa ao país, declarou, salientando que a Marcha a Brasília se consolidou como um dos mais importantes espaços de diálogo e construção coletiva.

Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reafirmou seu compromisso com o municipalismo. Ele destacou que conquistas recentes, como a ampliação do Fundeb, a votação do Marco Legal do Saneamento e projetos que permitiram a renegociação de dívidas municipais, nasceram de diálogos iniciados durante a Marcha dos Prefeitos.

Alcolumbre anunciou ainda que o Congresso Nacional vai apreciar os vetos presidenciais à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 que restringem a transferência de recursos para municípios considerados inadimplentes.

Dos 5.045 municípios abaixo de 65 mil habitantes, mais de 3.100 estão inadimplentes, sem poder acessar recursos de programas e transferências, pontuou.

Com o tema “O Brasil que dá certo nasce nos Municípios”, a mobilização é organizada pela CNM e segue até quinta-feira (21), no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), com mais de 16 mil participantes. A AMM acompanha uma delegação de cerca de 200 pessoas de Mato Grosso, entre prefeitos, vice-prefeitos, primeiras-damas, secretários, técnicos e vereadores.

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Comissão da ALMT retira de pauta projeto que revoga reserva extrativista na Região Norte

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A Comissão de Revisão Territorial dos Municípios e das Cidades da Assembleia Legislativa de Mato Grosso realizou nesta terça-feira (19) a primeira reunião ordinária de 2026. De quatro matérias aptas à discussão e votação, os deputados retiraram de pauta o Projeto de Decreto Legislativo 11/2025, de autoria do deputado Gilberto Cattani (PL).

Essa proposta, susta os efeitos do Decreto nº. 9.521, de 19 de junho de 1996, do Governo do Estado que cria a área da Reserva Extrativista Guariba Roosevelt, localizada nos municípios de Aripuanã e Colniza, totalizando aproximadamente 164 hectares.

O deputado Ondanir Bortolini, Nininho (Republicanos), que é presidente da comissão, defendeu a revisão de medidas ambientais que, segundo ele, têm prejudicado produtores rurais que ocuparam áreas da região amazônica de boa-fé há décadas. Nininho afirmou que muitas famílias enfrentaram dificuldades históricas, como isolamento, doenças e falta de infraestrutura, para desenvolver a produção rural.

Nininho criticou ainda a criação de reservas e parques sem a devida regularização fundiária e indenização aos moradores, alegando que produtores acabam impedidos de trabalhar e responsabilizados até mesmo por incêndios em áreas protegidas. Ele afirmou também que é necessário conciliar a preservação ambiental com justiça social, garantindo segurança jurídica às famílias que vivem e produzem nessas regiões.

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Já o deputado Júlio Campos (União) fez um apelo à Comissão de Revisão Territorial para uma análise com “muito carinho”. Segundo ele, a proposta busca revogar os efeitos do Decreto nº 952/2016, assinado pelo então governador Pedro Taques, que criou a Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt, no município de Colniza, abrangendo uma área de aproximadamente 164 mil hectares.

Durante a defesa do projeto, Júlio Campos relembrou que a região foi destinada à colonização entre os anos de 1983 e 1986, quando governou Mato Grosso, dentro de uma política federal de ocupação da Amazônia Legal. Segundo ele, mais de 200 famílias foram assentadas na área e permanecem produzindo café, cacau e gado há cerca de 40 anos.

O parlamentar afirmou que muitos produtores enfrentaram dificuldades como malária, isolamento e perdas familiares para permanecer na região e criticou a criação da reserva sobre áreas já ocupadas. “Ninguém quer acabar com a reserva, mas não podemos acabar com os produtores rurais”, declarou, defendendo que a unidade de conservação seja rediscutida em áreas devolutas e sem ocupação produtiva.

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Fonte: ALMT – MT

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