MINISTÉRIO PÚBLICO MT
Justiça determina perda de cargo de policial civil condenado por morte de PM
A Justiça de Mato Grosso acolheu, nesta segunda-feira (18), os embargos de declaração apresentados pelo Ministério Público Estadual e determinou a perda do cargo público do investigador da Polícia Civil Mario Wilson Vieira da Silva Gonçalves, condenado pelo Tribunal do Júri pela morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz.
Os embargos foram protocolados pelo promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins, titular da 1ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá e coordenador do Núcleo de Defesa da Vida da Capital. No recurso, o MP apontou que a sentença proferida em plenário na quinta-feira (14) não havia analisado expressamente os efeitos extrapenais da condenação, em especial a possibilidade de perda da função pública, prevista no artigo 92 do Código Penal.
Na manifestação, o Ministério Público sustentou que o próprio réu admitiu, durante interrogatório, que estava no exercício da função de policial civil quando o crime ocorreu, o que caracterizaria abuso de poder ou violação de dever funcional. A instituição também destacou que a pena aplicada ao condenado foi superior a um ano, requisito legal para a decretação da perda do cargo.
Ao analisar o pedido, o juiz Marcos Faleiros da Silva, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, reconheceu a omissão e acolheu os embargos para complementar a sentença, sem modificar a condenação já estabelecida pelo júri popular.
O magistrado destacou que a perda do cargo não é automática, exigindo fundamentação específica, mas concluiu que, no caso concreto, os requisitos legais estão preenchidos. De acordo com a decisão, ficou comprovado que o réu vinculou sua conduta ao exercício da função policial, tendo justificado o porte de arma em razão do cargo e afirmado que tomou a arma da vítima sob o pretexto de averiguação.
A sentença também aponta que as provas produzidas em plenário, incluindo depoimentos e imagens, demonstraram que o acusado estava armado, sob efeito de bebida alcoólica e envolvido em uma situação de conflito, circunstâncias consideradas incompatíveis com os deveres do cargo público. A decisão ressalta ainda que houve grave violação dos deveres funcionais, uma vez que a atividade policial exige equilíbrio, prudência e estrita observância da legalidade.
Com o acolhimento dos embargos, a sentença foi complementada para declarar, como efeito da condenação, a perda do cargo público eventualmente exercido por Mario Wilson, mantendo-se inalterados os demais termos da decisão.
O crime ocorreu na madrugada do dia 27 de abril de 2023, por volta das 3h30, em uma conveniência localizada na rua Estevão de Mendonça, no bairro Quilombo, em Cuiabá. Mario Wilson foi condenado a dois anos de detenção, em regime aberto, pelo homicídio culposo do policial militar Thiago de Souza Ruiz. O caso teve ampla repercussão e o julgamento, realizado no Fórum de Cuiabá, se estendeu por três dias.
MINISTÉRIO PÚBLICO MT
Gaeco deflagra 3ª fase da Operação “Tudo 2” e mira grupo que movimentou R$ 2,8 milhões
O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) de Barra do Garças deflagrou, na manhã desta quinta-feira (7), a terceira fase da Operação “Tudo 2”, voltada ao combate de uma organização criminosa investigada por movimentar cerca de R$ 2,8 milhões em atividades ilícitas nos estados de Mato Grosso e Goiás.
Ao todo, a operação cumpre 40 ordens judiciais, sendo 19 mandados de prisão e 21 de busca e apreensão. As medidas são executadas simultaneamente em Barra do Garças, Primavera do Leste, Rondonópolis, Novo São Joaquim e Cuiabá, em Mato Grosso, além do município de Aragarças, em Goiás.
Segundo o Ministério Público, o grupo é suspeito de obter recursos por meio do tráfico de drogas, cobrança de taxas internas da própria facção e outras práticas criminosas, como golpes virtuais, apostas em plataformas online e jogos de azar. O dinheiro arrecadado era usado para manter e financiar as ações da organização.
As investigações avançaram a partir da segunda fase da operação, realizada em 24 de abril de 2025, quando foram identificados os supostos líderes e demais integrantes responsáveis por administrar as atividades ilegais e tentar ocultar a origem dos valores obtidos.
De acordo com o Gaeco, o esquema funcionava de forma estruturada, com divisão de funções e organização na movimentação financeira. Em alguns casos, foi constatado que transações eram realizadas por pessoas que recebiam benefícios sociais. Em cerca de um ano, os investigados teriam movimentado os R$ 2,8 milhões apurados pela investigação.
A ação conta com apoio das polícias Militar, Civil e Penal de Mato Grosso, além da Polícia Militar de Goiás, em atuação integrada no enfrentamento ao crime organizado. As medidas foram autorizadas pela Comarca de Barra do Garças.
O Gaeco é uma força-tarefa do Ministério Público de Mato Grosso, com participação das polícias Civil, Militar e Penal e do sistema socioeducativo.
O Ministério Público orienta que denúncias sobre atuação de organizações criminosas podem ser feitas de forma anônima pelos canais 127, da Ouvidoria do MPMT, e 197, da Polícia Judiciária Civil.
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