artigos
Farmar aura é muito mais que performar
Por Marcio Camilo
Farmar aura é uma expressão da juventude. Uma gíria atual.
Aura é algo único. Por exemplo, o quadro da Monalisa está no Google, num chaveiro, numa camiseta ou num grafite pela cidade. Mas a marca indelével de Leonardo Da Vinci, encontra-se apenas no quadro original, que está exposto no museu do Louvre na França, e anualmente milhões de pessoas, do mundo todo, fazem fila para visitá-lo.
Esse conceito foi elaborado lá na década de 1930, pelo sociólogo alemão Walter Benjamin, em seu ensaio “A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica”.
Já a expressão farmar é um termo que vem do mundo do games, do universo RPG, que significa coletar recursos e experiências para construir edificações, como casas, e progredir cada vez mais no jogo.
Então, “farmar aura”, pode ser entendido como “acumular experiências originais, únicas”, fazer algo que é somente seu, e que te mostra para o outro.
Nas redes sociais, isso pode ser uma via de mão dupla, porque, quando uma pessoa posta a capa de um livro, ela está farmando aura de pessoa culta. Mas será que é mesmo?
Eu, enquanto escrevo esse artigo, e cito Walter Benjamin, estou farmando aura de pesquisador, mas será que eu pesquisei mesmo? Será que eu li a obra de Benjamim? Estou farmando ou performando.
Em Cuiabá, o prefeito Abílio vetou, em espaço público, o primeiro campeonato de farmar aura da cidade. Na mídia, deu declarações homofóbicas a respeito do fenômeno, demonstrando total desconhecimento sobre o assunto, e performando para a sua claque nas redes sociais.
Mas foi um tiro no pé. Sua proibição repercutiu negativamente na imprensa nacional e
projetou ainda mais o evento, que acabou sendo acolhido pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), na última sexta-feira (24/07)
Deveria Abílio parar de performar nas redes e farmar aura, de verdade, na administração da cidade que está à deriva. Serviço é que não falta.
artigos
Estamos vivendo uma nova era no tratamento da obesidade?
Durante muito tempo, falar sobre obesidade significava, quase sempre, falar sobre perda de peso. O sucesso do tratamento era medido quase exclusivamente pelos quilos eliminados na balança, enquanto a própria doença permanecia cercada por estigmas, julgamentos e pela falsa ideia de que bastava “ter força de vontade” para emagrecer.
Nos últimos anos, porém, a ciência vem promovendo uma mudança profunda nessa forma de enxergar a obesidade. Hoje, ela é reconhecida como uma doença crônica, complexa e multifatorial, que envolve alterações hormonais, genéticas, metabólicas e ambientais. Mais do que reconhecer a obesidade como uma doença, passamos a compreender que seu impacto vai muito além do excesso de peso.
A obesidade aumenta significativamente o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão arterial, alterações do colesterol, problemas articulares, alguns tipos de câncer, doenças do fígado, distúrbios do sono e diversas outras condições que comprometem a qualidade e a expectativa de vida.
É justamente nesse contexto que podemos dizer que estamos entrando em uma nova era no tratamento da obesidade.
Pela primeira vez, dispomos de medicamentos que demonstram benefícios que vão além da redução do peso corporal. Grandes estudos clínicos passaram a comprovar que esses tratamentos também são capazes de reduzir complicações diretamente relacionadas à obesidade, modificando a sua evolução e proporcionando ganhos concretos para a saúde.
Um dos avanços mais importantes foi a demonstração da redução do risco de eventos cardiovasculares em pessoas com obesidade e doença cardiovascular estabelecida, um resultado extremamente relevante quando lembramos que infarto e acidente vascular cerebral continuam entre as principais causas de morte no mundo.
Outro benefício importante tem sido observado na apneia obstrutiva do sono, condição que provoca interrupções repetidas da respiração durante o sono e está fortemente associada ao excesso de peso. Além de prejudicar o descanso, a apneia aumenta o risco de hipertensão, arritmias cardíacas e doenças cardiovasculares. A perda de peso promovida pelos novos tratamentos tem mostrado impacto significativo também nessa condição.
As pesquisas também avançam rapidamente em relação à doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), popularmente conhecida como gordura no fígado. Essa condição afeta milhões de pessoas e pode evoluir para inflamação, fibrose, cirrose e até câncer hepático. Os resultados obtidos até o momento são bastante promissores e reforçam o potencial desses tratamentos em diferentes manifestações da obesidade.
Isso representa uma mudança importante de perspectiva. O objetivo do tratamento deixa de ser exclusivamente emagrecer para caber em um determinado padrão estético. A perda de peso continua sendo fundamental, mas passa a ser entendida como parte de uma estratégia maior: reduzir inflamação, proteger órgãos, prevenir complicações e aumentar a expectativa de vida com mais saúde.
Essa evolução também reforça uma mensagem importante: a obesidade não deve ser encarada como falta de disciplina nem como consequência de escolhas individuais isoladas. Trata-se de uma doença que exige acompanhamento médico, mudanças no estilo de vida e, quando indicado, tratamento medicamentoso baseado em evidências científicas.
É importante destacar que nenhuma medicação substitui hábitos saudáveis. Alimentação equilibrada, atividade física regular, sono de qualidade e cuidado com a saúde mental continuam sendo pilares indispensáveis do tratamento. Os medicamentos surgem como aliados, indicados para pacientes específicos e sempre dentro de uma abordagem individualizada.
Talvez a maior transformação dessa nova era não esteja apenas nas novas opções terapêuticas, mas na forma como passamos a compreender a obesidade. Quando deixamos de enxergá-la apenas pela balança e passamos a reconhecer todas as doenças que ela pode provocar, entendemos que tratar a obesidade é, acima de tudo, investir em mais saúde, mais qualidade de vida e mais longevidade.
Estamos vivendo uma nova era porque hoje sabemos que tratar a obesidade significa muito mais do que promover perda de peso. Significa prevenir doenças, proteger a saúde e oferecer às pessoas a oportunidade de viver mais e melhor.
-
esportes5 dias atrásAtlético-MG e Bahia ficam no empate pela 19ª rodada do Brasileirão
-
POLÍTICA MT7 dias atrásCarlos Fávaro aciona Justiça Eleitoral e denuncia campanha difamatória
-
esportes5 dias atrásSantos goleia Universidad Central na Venezuela e abre vantagem nos playoffs da Sul-Americana
-
POLÍCIA6 dias atrásPolícia Civil faz operação contra esquema de extorsão que lesou servidora em mais de R$ 1,1 milhão
-
cultura6 dias atrásSesc Arsenal recebe semana de música gratuita com forró, samba, MPB e rock
-
tce mt5 dias atrásSérgio Ricardo propõe alterar Lei de Licitações para destravar obras paralisadas; MT tem R$ 3,6 bilhões parados
-
POLÍCIA6 dias atrásVereador é sequestrado em chácara, e pai policial aposentado prende suspeito durante buscas
-
POLÍCIA6 dias atrásHomem mata empresário e esposa morre baleada durante a fuga



