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Prefeitura é autorizada pelo TCE a pagar R$ 1,5 milhão em verbas trabalhistas de terceirizados
O presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, autorizou, nesta sexta-feira (24), a Prefeitura de Cuiabá a pagar salários e verbas rescisórias atrasados a 105 ex-funcionários da limpeza urbana, prejudicados por uma dívida de R$ 2,5 milhões do município com a empresa MD Terceirizados. A decisão responde à demanda apresentada pelo prefeito Abilio Brunini e formalizada pela Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos (Limpurb), abrindo caminho para a solução de conflitos semelhantes em outros municípios.
O impasse envolvia o Contrato nº 167/2024, firmado entre a Limpurb e a MD Terceirizados Ltda. Encerrado em janeiro, ele acumulava débitos desde o fim de 2024, impedindo o pagamento de cerca de R$ 1,5 milhão em direitos trabalhistas.
“O que a empresa tem para receber da prefeitura, ela vai receber em outro momento, vai para a fila. Mas o crédito que é alimentar, o pagamento daqueles que trabalharam, esse foi preservado e vai ser quitado imediatamente”, destacou Sérgio Ricardo ao explicar o acordo. “São pessoas humildes, simples, que estão aguardando há bastante tempo e precisam desse dinheiro para comer, para comprar leite para as crianças”, acrescentou ele.
Conforme a decisão, mediante anuência da empresa contratada e observadas as exigências orçamentárias, é juridicamente possível que a administração pública pague diretamente os trabalhadores terceirizados, abatendo esses valores do crédito que a empresa ainda possui junto ao município.
“Existem situações entre a administração pública e as empresas em que nem quem presta o serviço nem o gestor sabem o caminho para resolver. O prefeito Abílio procurou o Tribunal com vontade de resolver a situação, e nós buscamos uma solução. É um documento inédito que vamos passar para todas as prefeituras”, reforçou o presidente.
Segundo Brunini, sem o procedimento do Tribunal, a prefeitura não tinha segurança para efetuar o pagamento diretamente aos trabalhadores. Além disso, o prefeito destacou que a alternativa encontrada não viola a legislação orçamentária. “Estamos em 2026 tratando de problemas de 2024. A antiga gestão deixou de empenhar essa dívida. Então, tivemos que buscar um órgão mediador, por que como validar uma dívida que sequer tinha reconhecimento do município?”, explicou.
Representando a MD Terceirizados, a advogada Catiane Janjob, salientou a agilidade da resposta do Tribunal. “Hoje, estamos saindo daqui com o coração bem tranquilo porque essa questão foi solucionada. Menos de 15 dias depois de o caso chegar ao Tribunal, já conseguimos resolver a situação dos trabalhadores”, disse. Ainda existem valores que a empresa tem a receber da prefeitura, mas a principal preocupação era garantir o pagamento dos trabalhadores”, completou.
A autorização condiciona o pagamento direto à anuência formal da empresa contratada e ao cumprimento de uma série de exigências administrativas, como a regularização orçamentária da despesa, a comprovação individual dos créditos trabalhistas e a quitação proporcional do valor que a empresa ainda tem a receber do município. Dessa forma, os pagamentos feitos aos trabalhadores são abatidos do crédito da MD Terceirizados, evitando pagamento em duplicidade.
Além de solucionar o caso de Cuiabá, o relatório recomenda que o Poder Executivo regulamente esse procedimento para situações semelhantes, estabelecendo critérios objetivos para o pagamento direto de verbas trabalhistas quando empresas terceirizadas deixarem de cumprir suas obrigações. A medida busca reduzir a insegurança jurídica e evitar novas controvérsias envolvendo contratos administrativos.
Base jurídica
O relatório sustenta que salários e verbas rescisórias têm natureza alimentar e preferência sobre os demais créditos, conforme a Convenção nº 173 da OIT, o artigo 186 do Código Tributário Nacional e o artigo 83 da Lei nº 11.101/2005. Aponta ainda o risco para o poder público: pela Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), o contratante responde de forma subsidiária quando fica comprovada falha na fiscalização das obrigações trabalhistas da empresa.
A legalidade do pagamento direto já foi reconhecida pelo Tribunal de Contas da União (TCU), no Acórdão nº 1.214/2013, e pela Advocacia-Geral da União (AGU), no Parecer nº 073/2013. Municípios como Ortigueira, no Paraná, e Marília, em São Paulo, adotaram a medida, mas por meio de autorização judicial. Em Cuiabá, a saída foi construída na esfera administrativa.
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Sérgio Ricardo avança na estruturação do plano Mato Grosso 2050 com propostas para o Vale do Rio Cuiabá
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, se reuniu, nesta quinta-feira (23), com representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e da Comissão Permanente de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Copmas), presidida por ele, para avançar na estruturação de propostas voltadas ao desenvolvimento econômico da região do Vale do Rio Cuiabá por meio da agricultura familiar. As diretrizes irão integrar o Plano de Metas Mato Grosso 2050, que avança para a fase de participação social, com o recebimento de contribuições.
“A primeira fase do plano foi concluída e agora avançamos para o diálogo com os diversos setores da economia. Estamos recebendo contribuições de entidades da agricultura, como o MAPA, do comércio e de instituições representativas para construir um planejamento participativo e que reflita as demandas de quem contribui para o desenvolvimento de Mato Grosso”, declarou Sérgio Ricardo.
Durante a reunião, o conselheiro também destacou o potencial da região, que ainda enfrenta entraves para alcançar seu pleno desenvolvimento econômico. “Precisamos iniciar uma nova tradição produtiva nesta região. O que todo município, seja rico ou pobre, tem em comum é a terra. O que precisamos é criar condições para que esse potencial se transforme em oportunidades, fortalecendo a agricultura familiar, gerando renda e garantindo que as pessoas possam viver e prosperar onde estão. O Plano Mato Grosso 2050 mostra que a Baixada Cuiabana reúne características muito favoráveis para a produção de alimentos”, disse.

Para o superintendente do Ministério da Agricultura e Pecuária, Edson Paulino de Oliveira, a união de esforços é fundamental e já gerou resultados, como a facilitação para a certificação do Sisbi-POA (Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal).
“O presidente Sérgio Ricardo e o Tribunal de Contas como um todo, são grandes parceiros, que têm nos dado todo o suporte e ajudado muito. Já fizemos a parceria na questão da certificação do Sisbi-POA, dando condição para todos os produtores desenvolverem uma comercialização dentro dos municípios e até fora do Estado. Então, tem sido fundamental essa parceria”, ressaltou Oliveira.
Metas com base em dados
Durante o encontro, tanto o MAPA quanto a Copmas apresentaram estudos com levantamento de informações sobre a situação econômica da região do Vale do Rio Cuiabá a fim de cruzar os dados e construir metas consolidadas. Para Edson de Oliveira, o mapeamento evidencia a carência dos pequenos produtores.
“Agora, vamos unir os dados do Ministério da Agricultura com o levantamento feito pelo Tribunal para construir um projeto definitivo para a região. O Vale do Rio Cuiabá tem vocação para a agricultura familiar, e precisamos criar políticas públicas para que o pequeno produtor possa crescer, gerar renda e permanecer na sua propriedade”, relatou o superintendente.
Para a chefe de gabinete da Comissão, Georgia Bumlai, os relatórios se complementam e fortalecem a tomada de decisão. “Enquanto o nosso estudo reúne dados quantitativos, o do MAPA traz uma análise qualitativa. Por meio da Comissão, realizamos uma pesquisa nas 54 comunidades ribeirinhas em 13 municípios da Baixada Cuiabana, ouvimos seus moradores e identificamos os principais desafios, como o acesso à energia, à água e à regularização fundiária. Com essas informações, vamos reunir os diferentes atores para promover o desenvolvimento do Vale do Rio Cuiabá”, esclareceu.
A parceria para a elaboração de propostas voltadas à Baixada Cuiabana inclui ainda a Associação Mato-grossense de Municípios (AMM) e o Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico e Social Vale do Rio Cuiabá (CIDES-VRC).
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