TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Do plantio de árvores à reciclagem: conheça a estratégia verde do Judiciário mato-grossense
A Sustentabilidade está entre os atributos de valor que o Poder Judiciário de Mato Grosso busca entregar à sociedade, conforme previsto no seu Planejamento Estratégico, buscando a sobrevivência dos recursos naturais, das organizações e das pessoas em um mundo onde a natureza grita por socorro.
Esse compromisso é colocado em prática diariamente, por meio de uma série de iniciativas voltadas à destinação correta de resíduos, implementação de ações sustentáveis nas comarcas, compensação das emissões de gases de efeito estufa, plantio de árvores, promoção da educação e conscientização ambiental e incentivo à reciclagem.
Para gerenciar todas essas ações, o Poder Judiciário conta com um Núcleo de Sustentabilidade, coordenado pelo desembargador Rodrigo Curvo. A soma dos resultados de todos esses esforços tem melhorado o desempenho do Tribunal de Justiça de Mato Grosso nos indicadores de sustentabilidade do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No ano passado, o TJMT saltou da 19ª para a 13ª posição no Índice de Desempenho da Sustentabilidade (IDS). A expectativa é avançar ainda mais nesse ranking até o final deste ano.
Conheça os projetos sustentáveis do Judiciário mato-grossense:
Gestão de Resíduos – Tem o objetivo de destinar adequadamente os resíduos gerados pelo Judiciário mato-grossense. Dentre as principais ações e resultados, estão a implantação do Plano de Gestão de Resíduos Sólidos (PGRS), a coleta seletiva e os ecopontos nos prédios do Tribunal e dos fóruns e a realização de campanhas de arrecadação de materiais recicláveis, que são doados à cooperativa de catadores, gerando impacto social, além do ambiental.
Em 2026, chegou-se à marca de 33 comarcas com seu Plano de Gestão de Resíduos Sólidos implantado, destinação de mais de 22,9 mil quilos de materiais recicláveis, sendo que 760 quilos foram recebidos nos ecopontos.
PLS Comarcas – Visa apoiar as unidades judiciárias a implementar ações de sustentabilidade para o cumprimento das metas do Plano de Logística Sustentável (PLS). Isso é feito por meio do monitoramento de indicadores de consumo de energia elétrica e água, de telefonia, copos descartáveis, papel, transporte, impressão, serviços gráficos, além da destinação adequada de esgoto e outros resíduos. Também são realizados planos de ação para cada unidade, bem como capacitações e acompanhamentos.
No ano passado, 23 comarcas foram atendidas pelo Núcleo de Sustentabilidade e, em 2026, 21 comarcas já foram atendidas no primeiro semestre. A meta é concluir o atendimento às 79 comarcas até o final deste ano.
Plano de Descarbonização – O objetivo dessa ação é reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) do Poder Judiciário estadual por meio da realização anual do Inventário de Emissões de GEE, do monitoramento das principais fontes emissoras, do acompanhamento das ações de mitigação, da elaboração e atualização do Plano de Descarbonização e do atendimento às diretrizes da Resolução CNJ nº 594/2024, que institui o Programa Justiça Carbono Zero.
CompensaJud – Criado para compensar parte das emissões de gases de efeito estufa do Poder Judiciário por meio da implantação e manutenção de áreas de compensação ambiental, plantando mudas, monitorando o crescimento das árvores, realizando inventário florestal e acompanhamento da biomassa. Até o momento, aproximadamente 2,5 mil mudas já foram plantadas em áreas de compensação ambiental do TJMT.
Calculadora Itinerante – A educação ambiental e a conscientização sobre o impacto dos hábitos humanos no clima são promovidas com a disponibilização de um totem com uma calculadora, que é levado para os eventos do Tribunal de Justiça para que as pessoas possam estimar suas emissões de carbono, decorrentes de suas atividades cotidianas. Além do cálculo das emissões, a calculadora auxilia na compreensão dos pontos que podem ser melhorados e incentiva práticas mais sustentáveis.
Agentes sustentáveis – Busca fortalecer a implementação das ações de sustentabilidade nas comarcas e unidades administrativas. Na prática, isso ocorre com uma rede de servidores voluntários, que ficam responsáveis por apoiar as campanhas do Núcleo de Sustentabilidade, disseminar boas práticas, acompanhar as ações do PLS e auxiliar na gestão de resíduos. Em todo o estado, 59 agentes sustentáveis desenvolvem essa missão.
Blitz de Sustentabilidade – A blitz consiste em visitas da equipe do Núcleo de Sustentabilidade às unidades do Tribunal para promover ações educativas, orientar e incentivar práticas sustentáveis e o consumo consciente.
ReciclaJud – A campanha institucional de arrecadação de papel, plástico e metal envolve a todos que trabalham no Judiciário e já arrecadou 4,4 toneladas na sede do TJMT e 1,4 tonelada na comarca de Rondonópolis, somente no primeiro semestre de 2026.
Programa Verde Novo – Idealizado pelo desembargador Rodrigo Curvo em 2017, o Programa Verde Novo é uma iniciativa do Poder Judiciário de Mato Grosso voltada à recuperação das florestas urbanas. Ao longo dos anos, já foram distribuídas e plantadas mais de 250 mil mudas de espécies nativas e frutíferas do Cerrado.
Cidadãos e instituições interessados em receber mudas ou promover ações de plantio podem entrar em contato com o programa pelo e-mail [email protected] ou pelo ZapMudas, no telefone (65) 3617-3090. Também é possível se cadastrar como voluntário e participar das próximas iniciativas de arborização.
TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Carlinhos Bezerra é condenado a 36 anos pelo assassinato da ex e namorado dela
O empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra foi condenado, nesta sexta-feira (31.07), a 36 anos de reclusão em regime inicial fechado pelos assassinatos de Thays Machado e de seu namorado, Willian César Moreno, ocorridos em janeiro de 2023, em Cuiabá. O julgamento foi realizado no Fórum da Capital, sob a presidência da juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, titular da 1ª Vara Criminal.
Filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB), Carlinhos enfrentou o júri popular em uma sessão que começou por volta das 9h e se estendeu até as 22h30. Os jurados reconheceram a autoria de dois homicídios qualificados, sendo o de Thays enquadrado como feminicídio. Com a condenação, ele permanecerá preso no Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande.
Além do feminicídio, foram reconhecidas as qualificadoras de motivo torpe e do uso de recurso que impossibilitou a defesa das vítimas, já que os disparos foram feitos de surpresa com arma de fogo.
O crime aconteceu na noite de 18 de janeiro de 2023, em frente ao condomínio onde morava a mãe de Thays, no Bairro Consil, em Cuiabá. Após os homicídios, o empresário deixou a cidade e foi preso em flagrante pela Polícia Civil em uma propriedade rural da família, em Campo Verde.
Durante o interrogatório, Carlinhos afirmou que manteve um relacionamento de aproximadamente três anos e sete meses com Thays, marcado por constantes términos e reconciliações. Ele disse ainda que não há um único dia em que deixe de lamentar o crime.
“Assumo que errei como nunca poderia ter errado na minha vida. Digo com certeza que essa coisa me corrói todos os dias”, declarou.
Os depoimentos
Ao longo do julgamento, prestaram depoimento o delegado da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Marcel de Oliveira; o delegado que atuava em Campo Verde à época dos fatos, Philipe de Paula da Silva Pinho; a investigadora Luciene Benedita Taques; e a investigadora Lívia Cristina Silva Sales, responsável pela extração dos dados dos quatro celulares apreendidos.
Marcel de Oliveira detalhou as diligências após o crime e afirmou que, depois da prisão de Carlinhos, os investigadores passaram a apurar como o empresário obtinha informações sobre a rotina e a localização de Thays. Segundo o delegado, após um mandado de busca e apreensão na residência do acusado, a Polícia Civil encontrou um vasto conjunto de documentos que demonstrariam uma perseguição sistemática à vítima.
Entre os materiais apreendidos estavam impressões de conversas, anotações com informações sobre a localização de Thays, registros das pessoas com quem ela teria se encontrado, datas, horários, deslocamentos e observações sobre sua rotina e comportamento.
“Era uma perseguição sistemática de tudo o que a vítima fazia. Encontramos um farto material probatório”, afirmou o delegado.
Marcel também relatou que Thays havia sido perseguida por Carlinhos poucas horas antes do crime. Na ocasião, ela procurou atendimento na Central de Ocorrências da Prainha, onde foi recebida pela investigadora Luciene Benedita Taques, que estava de plantão.
Em depoimento, Luciene contou que Thays e Willian compareceram à unidade policial durante a madrugada após perceberem que estavam sendo seguidos pelo empresário. Conforme a investigadora, Thays informou que já possuía um boletim de ocorrência registrado contra o ex-companheiro e solicitou uma análise telefônica, pois acreditava estar sendo monitorada.
Questionado sobre o episódio, Carlinhos negou que estivesse perseguindo Thays. Segundo ele, apenas queria verificar com quem a ex-companheira estava e entender “o motivo pelo qual ela havia terminado” o relacionamento.
Também ouvida durante o julgamento, a investigadora Lívia Cristina Silva Sales apresentou os resultados da perícia nos quatro celulares apreendidos com o empresário. Segundo ela, entre 31 de dezembro de 2022 e 18 de janeiro de 2023, data dos assassinatos, Carlinhos realizou mais de 900 ligações telefônicas para a ex-companheira, uma média superior a 50 chamadas por dia.
Imbróglio no júri
O processo foi marcado por uma série de tentativas da defesa para adiar ou anular a realização do júri popular. Inicialmente previsto para o dia 21 de julho, o julgamento foi suspenso após os advogados do réu abandonarem o plenário, alegando um “arcabouço de problemas” no processo que comprometeria o direito de defesa.
Posteriormente, a defesa apresentou novo pedido para adiar a sessão e afastar a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira da condução do júri. O requerimento foi rejeitado pela Justiça, que manteve a magistrada à frente do caso e preservou a prisão preventiva do acusado.
Momentos antes do início da nova sessão, a defesa voltou a pedir o adiamento. O advogado Elson Marcelino da Silva alegou supostas irregularidades processuais, afirmou que o réu estava com sarna e chegou a solicitar a mudança do plenário. Todos os requerimentos foram rejeitados pela juíza, que entendeu que o estado de saúde do acusado não comprometia sua participação no júri e que não havia cerceamento ao direito de defesa.
*Com informações do Midia News
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