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TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT

Carlinhos Bezerra é condenado a 36 anos pelo assassinato da ex e namorado dela

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O empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, que foi condenado a 36 anos de prisão por duplo homicídio

O empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra foi condenado, nesta sexta-feira (31.07), a 36 anos de reclusão em regime inicial fechado pelos assassinatos de Thays Machado e de seu namorado, Willian César Moreno, ocorridos em janeiro de 2023, em Cuiabá. O julgamento foi realizado no Fórum da Capital, sob a presidência da juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, titular da 1ª Vara Criminal.

Filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB), Carlinhos enfrentou o júri popular em uma sessão que começou por volta das 9h e se estendeu até as 22h30. Os jurados reconheceram a autoria de dois homicídios qualificados, sendo o de Thays enquadrado como feminicídio. Com a condenação, ele permanecerá preso no Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande.

Além do feminicídio, foram reconhecidas as qualificadoras de motivo torpe e do uso de recurso que impossibilitou a defesa das vítimas, já que os disparos foram feitos de surpresa com arma de fogo.

O crime aconteceu na noite de 18 de janeiro de 2023, em frente ao condomínio onde morava a mãe de Thays, no Bairro Consil, em Cuiabá. Após os homicídios, o empresário deixou a cidade e foi preso em flagrante pela Polícia Civil em uma propriedade rural da família, em Campo Verde.

Durante o interrogatório, Carlinhos afirmou que manteve um relacionamento de aproximadamente três anos e sete meses com Thays, marcado por constantes términos e reconciliações. Ele disse ainda que não há um único dia em que deixe de lamentar o crime.

“Assumo que errei como nunca poderia ter errado na minha vida. Digo com certeza que essa coisa me corrói todos os dias”, declarou.

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Os depoimentos

Ao longo do julgamento, prestaram depoimento o delegado da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Marcel de Oliveira; o delegado que atuava em Campo Verde à época dos fatos, Philipe de Paula da Silva Pinho; a investigadora Luciene Benedita Taques; e a investigadora Lívia Cristina Silva Sales, responsável pela extração dos dados dos quatro celulares apreendidos.

Marcel de Oliveira detalhou as diligências após o crime e afirmou que, depois da prisão de Carlinhos, os investigadores passaram a apurar como o empresário obtinha informações sobre a rotina e a localização de Thays. Segundo o delegado, após um mandado de busca e apreensão na residência do acusado, a Polícia Civil encontrou um vasto conjunto de documentos que demonstrariam uma perseguição sistemática à vítima.

Entre os materiais apreendidos estavam impressões de conversas, anotações com informações sobre a localização de Thays, registros das pessoas com quem ela teria se encontrado, datas, horários, deslocamentos e observações sobre sua rotina e comportamento.

“Era uma perseguição sistemática de tudo o que a vítima fazia. Encontramos um farto material probatório”, afirmou o delegado.

Marcel também relatou que Thays havia sido perseguida por Carlinhos poucas horas antes do crime. Na ocasião, ela procurou atendimento na Central de Ocorrências da Prainha, onde foi recebida pela investigadora Luciene Benedita Taques, que estava de plantão.

Em depoimento, Luciene contou que Thays e Willian compareceram à unidade policial durante a madrugada após perceberem que estavam sendo seguidos pelo empresário. Conforme a investigadora, Thays informou que já possuía um boletim de ocorrência registrado contra o ex-companheiro e solicitou uma análise telefônica, pois acreditava estar sendo monitorada.

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Questionado sobre o episódio, Carlinhos negou que estivesse perseguindo Thays. Segundo ele, apenas queria verificar com quem a ex-companheira estava e entender “o motivo pelo qual ela havia terminado” o relacionamento.

Também ouvida durante o julgamento, a investigadora Lívia Cristina Silva Sales apresentou os resultados da perícia nos quatro celulares apreendidos com o empresário. Segundo ela, entre 31 de dezembro de 2022 e 18 de janeiro de 2023, data dos assassinatos, Carlinhos realizou mais de 900 ligações telefônicas para a ex-companheira, uma média superior a 50 chamadas por dia.

Imbróglio no júri

O processo foi marcado por uma série de tentativas da defesa para adiar ou anular a realização do júri popular. Inicialmente previsto para o dia 21 de julho, o julgamento foi suspenso após os advogados do réu abandonarem o plenário, alegando um “arcabouço de problemas” no processo que comprometeria o direito de defesa.

Posteriormente, a defesa apresentou novo pedido para adiar a sessão e afastar a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira da condução do júri. O requerimento foi rejeitado pela Justiça, que manteve a magistrada à frente do caso e preservou a prisão preventiva do acusado.

Momentos antes do início da nova sessão, a defesa voltou a pedir o adiamento. O advogado Elson Marcelino da Silva alegou supostas irregularidades processuais, afirmou que o réu estava com sarna e chegou a solicitar a mudança do plenário. Todos os requerimentos foram rejeitados pela juíza, que entendeu que o estado de saúde do acusado não comprometia sua participação no júri e que não havia cerceamento ao direito de defesa.

*Com informações do Midia News

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Homem é condenado a 38 anos de prisão por homicídio qualificado

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O Tribunal do Júri de Rondonópolis acolheu a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e condenou Marcos Vinícius Carvalho dos Santos, o “Vinicinho”, a 38 anos de reclusão em regime inicialmente fechado. A sentença foi proferida nesta terça-feira (28) pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e integração de organização criminosa. A promotora de Justiça Ana Flavia de Assis Ribeiro conduziu a acusação em plenário.

Os jurados reconheceram a materialidade e a autoria dos delitos, além das qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. A pena foi fixada em 30 anos pelo homicídio qualificado e mais 8 anos pela participação em organização criminosa, totalizando 38 anos de reclusão.

A vítima, Odair Santos da Silva, foi morta a tiros na noite de 3 de abril de 2024, no bairro Jardim Rondônia, em Rondonópolis. Conforme a denúncia do MPMT, o crime ocorreu no contexto de atuação de uma facção criminosa e teria relação com uma suposta dívida de drogas atribuída à vítima.

As investigações revelaram que Marcos Vinícius exercia a função de “disciplina” da facção em bairros da região, sendo o responsável por aplicar punições e executar determinações internas da organização. Segundo a acusação, foi ele quem ordenou a execução de Odair, que foi atingido por diversos disparos de arma de fogo enquanto pedalava uma bicicleta, sem chance de defesa.

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Na sentença, o magistrado destacou a elevada periculosidade do condenado, mencionando sua posição de liderança regional dentro da facção e os antecedentes criminais. Também foi ressaltado que o réu integra organização criminosa de grande potencial ofensivo, responsável pela prática de crimes violentos.

O Conselho de Sentença, no entanto, não reconheceu a autoria quanto ao crime de porte ilegal de arma de fogo. Em consonância com o posicionamento defendido pelo Ministério Público em plenário, o réu foi absolvido dessa imputação.

Apesar da absolvição parcial, os jurados confirmaram a responsabilidade de “Vinicinho” pelos crimes de homicídio qualificado e organização criminosa, julgando procedente a pretensão punitiva estatal quanto a esses delitos. O condenado não poderá recorrer em liberdade e cumprirá a pena em regime fechado.

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