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Defender a ecologia integral é defender todas as formas de vida
Por Juacy da Silva
Olá, amigas e amigos, bom dia! Desejo um ótimo final de semana e feriadão de carnaval. Lembremo-nos que na próxima quarta-feira (de Cinzas), 4 de março, será o início da Quaresma e também o lançamento oficial da Campanha da Fraternidade em todas as Arquidioceses, Dioceses e Paróquias, uma iniciativa da CNBB, tendo como tema a Ecologia Integral e o lema: “Deus viu que tudo era muito bom”.
A Quaresma é, ou deve ser, um tempo de recolhimento, jejum, reflexão, oração e caridade, terminando no Domingo de Ramos, dia 13 de abril, quando ocorre a Coleta Nacional da Solidariedade, que é a fonte básica do Fundo Nacional de Solidariedade e dos Fundos Arquidiocesanos, Diocesanos e Paroquiais de Solidariedade, que ajudam a Cáritas em seus projetos sociotransformadores. Por isso, precisamos ser generosos e sempre solidários com aqueles que estão à margem da sociedade.
É sempre importante lembrar que, conforme a Cáritas tanto enfatiza, a caridade tem três níveis ou dimensões: a caridade assistencial/emergencial, a caridade promocional e a caridade libertadora. Esta última visa à transformação das estruturas, ações e omissões que geram violência, pobreza, miséria, exclusão social, política e econômica, além da degradação dos biomas, ecossistemas, destruição da biodiversidade, formas de poluição e, enfim, a destruição do planeta. As consequências recaem de forma mais cruel sobre os pobres, excluídos e injustiçados.
Gostaria de chamar a atenção de todos e todas para que, ao longo desses 40 dias, tenhamos diversos eventos relacionados ao calendário ecológico dos meses de março e abril, contemplando momentos significativos para nossas reflexões sobre dimensões especiais da ecologia integral.
Compartilho aqui com vocês o calendário ecológico de março e abril, para que sirva como roteiro para nossas reflexões, ações sociotransformadoras e também nossas mobilizações proféticas. Lembrando que a omissão diante da degradação ecológica e da destruição dos biomas e ecossistemas é um pecado, ou seja, um pecado ecológico, exigindo a conversão ecológica, tanto individual quanto, e principalmente, comunitária e institucional.
Creio que o nosso grande desafio diante das tragédias socioambientais e da crise climática, cujas consequências já recaem sobre todos os povos, visto que, neste planeta, “tudo está interligado”, como tanto nos exorta o Papa Francisco, tanto na Encíclica Laudato Si’, que em 24 de maio próximo completa dez anos de publicação, quanto na Exortação Apostólica Laudate Deum, destinada principalmente aos participantes da COP 28. Repito, creio que o nosso grande e premente desafio é a conversão ecológica da própria Igreja, tanto sua hierarquia eclesiástica quanto seu corpo de fiéis.
Conversão ecológica significa mudança, transformação radical de estilo de vida. Significa substituir os paradigmas que sustentam/embasam a economia da morte por novos paradigmas que representam a economia da vida, incluindo a economia solidária, a economia circular, a agroecologia e práticas verdadeiramente sustentáveis.
Por isso, precisamos combater todas as formas de degradação de nossa casa comum.
Diga não ao consumismo, ao desperdício, aos combustíveis fósseis, aos agrotóxicos e aos plásticos. Só assim conseguiremos salvar os biomas, os ecossistemas, a biodiversidade e cuidar do planeta e de nossa casa comum. A hora de agir é agora! Isso também é conversão ecológica!
Não permita que o desmatamento e as queimadas destruam nossos biomas, ecossistemas e nossa rica biodiversidade. Lutar contra o negacionismo ecológico e a degradação socioambiental faz parte da mobilização profética! Participe!
Só assim estaremos promovendo, verdadeiramente, a Campanha da Fraternidade, tendo como foco a luta em defesa da Ecologia Integral, por isso “Deus viu que tudo era muito bom”. Que a humanidade não destrua as obras da criação!
Calendário Ecológico – Destaque para o Período da Quaresma 2025
Março
01 – Dia do Turismo Ecológico
03 – Dia Mundial da Vida Selvagem
04 – Dia Mundial da Engenharia para o Desenvolvimento Sustentável
05 – Dia Mundial da Eficiência Energética
05 – Quarta-feira de Cinzas – início da Campanha da FraternidadeTema: Fraternidade e Ecologia Integral
08 – Dia Internacional da Mulher, com destaque para a participação da mulher na caminhada da Ecologia Integral
13 – Dia do Conservacionismo
14 – Dia Internacional contra as Barragens
15 – Dia Mundial do Consumidor, importância do consumo consciente e sustentável, momento para combater o consumismo
16 – Dia Mundial da Conscientização sobre as Mudanças Climáticas
21 – Dia Mundial das Florestas
22 – Dia Mundial da Água (ver também 19 de setembro)
23 – Dia Mundial da Meteorologia
30 – Dia Mundial do Lixo Zero (ver também 29 de setembro), importância do combate ao desperdício que contribui para o aumento da geração de resíduos sólidos/lixo e seus impactos na degradação socioambiental
Abril
13 – Domingo de Ramos – Encerramento da Campanha da Fraternidade – Coleta Nacional da Solidariedade
15 – Dia Nacional da Conservação do Solo (ver também 5 de dezembro)
17 – Dia Nacional da Botânica
19 – Dia dos Povos Indígenas – Brasil (ver também 9 de agosto)
22 – Dia da Terra
28 – Início do curso de Animadores Laudato Si’2025
28 – Dia Nacional da Caatinga
Um grande abraço e que Deus esteja conosco, nos iluminando, inspirando e guiando em nossa caminhada em defesa da Ecologia Integral e por um melhor cuidado com a casa comum.
Atenciosamente,
Prof. Juacy da Silva, Articulador da Pastoral da Ecologia na Região Centro-Oeste.
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Inteligência Artificial não substitui pessoas, acelera processos
Por Dayane Nascimento
Nos últimos meses, a inteligência artificial deixou de ser apenas uma tendência para se tornar tema central nas decisões empresariais. Ao mesmo tempo em que grandes companhias anunciam reestruturações e associam ganhos de produtividade ao avanço da tecnologia, pequenas e médias empresas fazem uma pergunta mais prática e urgente: como usar IA sem perder a essência do atendimento?
Essa questão é especialmente relevante em mercados como Cuiabá e Mato Grosso, onde o relacionamento ainda é ativo estratégico. Aqui, negócios crescem pelo nome, pelo aperto de mão, pela confiança construída ao longo do tempo. E é justamente por isso que precisamos ajustar uma percepção equivocada: inteligência artificial não substitui pessoas, acelera processos.
O debate público muitas vezes coloca a IA como ameaça imediata ao trabalho humano. Mas, na prática, o que estamos vendo em diversas empresas é algo mais complexo. A tecnologia vem sendo utilizada para reorganizar operações, automatizar tarefas repetitivas, reduzir desperdícios e melhorar a eficiência. Em muitos casos, ela não elimina talento, mas expõe processos lentos, estruturas inchadas e modelos de gestão que já precisavam evoluir.
É importante separar duas discussões. Uma delas é o uso estratégico da inteligência artificial para ampliar produtividade e competitividade. A outra é o uso da IA apenas como justificativa para cortes apressados e decisões de curto prazo. Nem sempre essas agendas são a mesma coisa.
Quando aplicada com inteligência, a tecnologia tem papel fundamental nos bastidores do negócio. Pode apoiar a previsão de estoque, a análise de comportamento de compra, a gestão do relacionamento com clientes, a automação de campanhas, o atendimento inicial e a geração de relatórios em tempo real. Empresas globais como Amazon e Zara já utilizam recursos desse tipo para prever demanda e ganhar eficiência operacional.
No entanto, há um ponto essencial nessa discussão: a tecnologia está no processo e o encantamento continua na relação. Experiência do cliente não se resume à simpatia. Trata-se da percepção construída em cada interação com a marca, do primeiro contato ao pós-venda. Em mercados competitivos, preço e produto se igualam rapidamente. O que diferencia uma empresa é como o cliente se sente. E sentimento não se automatiza.
No cenário internacional, esse debate também avança. Em Marketing 7.0, lançado neste mês, Philip Kotler, pesquisador norte-americano considerado o pai do marketing moderno, aponta que o futuro da área não estará apenas na inteligência artificial ou na performance orientada por dados, mas na capacidade de compreender emoções, percepções e vieses que influenciam decisões de consumo. Em outras palavras, a tecnologia ganha escala, porém o fator humano segue no centro da escolha.
Uma ferramenta pode responder perguntas frequentes em segundos, mas não percebe insegurança na fala de um cliente. Um sistema pode gerar indicadores instantaneamente, mas não interpreta as nuances de uma negociação delicada. Uma automação pode acelerar rotinas sem conseguir construir confiança.
Por isso, empresas que enxergam a inteligência artificial apenas como mecanismo de redução de equipe podem estar olhando para uma parte muito pequena da oportunidade. O uso mais maduro da tecnologia acontece quando ela libera tempo das equipes para aquilo que realmente gera valor: escuta qualificada, criatividade, relacionamento, estratégia e atendimento memorável.
Para empresas locais, existe uma vantagem importante nesse cenário. Enquanto grandes corporações discutem escala global e estruturas gigantescas, negócios regionais podem unir agilidade tecnológica com proximidade humana. Essa combinação é poderosa. Em outras palavras: a IA organiza. As pessoas encantam.
Nos próximos anos, praticamente todos os negócios terão acesso a ferramentas semelhantes. O diferencial competitivo não estará apenas no sistema contratado, mas na capacidade de transformar eficiência em experiência, velocidade em confiança e automação em valor percebido. A decisão, portanto, não é entre humano ou inteligência artificial. É sobre como usar a tecnologia para que o humano tenha mais tempo para ser humano. Empresas que compreenderem isso não apenas acompanharão a transformação digital — elas liderarão.
Dayane Nascimento é consultora de marketing com formação pela UFMT, especialista em planejamento estratégico e economia do comportamento pela ESPM/SP, e empresária.
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