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Carlos, não se mate

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Andhressa Sawaris Barboza

Andhressa Sawaris Barboza

Não tem muito tempo, talvez só algumas semanas, que um tal ministro desabafou no twitter sobre como homens se sentem intimidados diante da postura das mulheres e seria por isso que muitos recorrem à violência.

 

Era uma data comemorativa à Lei Maria da Penha que representa um marco em políticas públicas de combate à violência contra a mulher. Vamos olhar para alguns dados buscando fundamentar o que quero dizer: homens morrem mais do que mulheres, cerca de 75% dos suicídios são de homens; 91,4% dos homicídios são de homens. “E o governo não faz nada…” Faz sim, piora as coisas com pronunciamentos como o do tal ministro.

 

Sim, homens se matam e homens são assassinados. Mas enquanto 91,4% dos homicídios são de homens, cabe trazer outra variável: homens são assassinados na rua e mulheres em casa. Quem mata homens na rua? Outros homens. Quem mata mulheres em casa? Homens. Homens estão matando e se matando. “Ai mas, nem todo homem é assim, não é mesmo?”

 

O título deste artigo é inspirado em um poema de Carlos Drummond de Andrade, mas o que fez Drummond escrever pra um tal Carlos (pra si mesmo) um pedido de vida? Não se mate, diz o poema que discorre sobre o que seria uma desilusão amorosa e como “vida que segue” deve ser o lema. O “não se mate, Carlos” ecoa há décadas. Por que homens estão matando a si mesmo, aos seus pares, aos seus desiguais e às mulheres?

 

Leia mais:  A falsa solução da violência: reflexões sobre proteção da mulher

A explicação ainda é desconhecida por 75% dos homens brasileiros e é definida pelo termo: masculinidade tóxica. Em 2018, a “palavra do ano” foi masculinidade tóxica. É claro que “nem todo homem”, afinal ser homem não é tóxico. Estamos falando de certos modos de ser homem e aí, amigão, todo mundo tem reflexos disso. Não tô falando aqui do clássico “homem não chora”, mas também dele. A impossibilidade ou retração em manifestar sentimentos como medo, fraqueza, vulnerabilidade seria porque tudo isso é do universo tido como “feminino” e é preciso ocultar a  ameaça de manchar a reputação. Até porque feminino é inferior e ninguém quer ser mulherzinha, né? Não podemos deixar de falar que as questões de raça, de sexualidade e econômicas são muito fortes também e entram na definição de masculinidade tóxica, uma vez que falamos de um perfil de homem tóxico. O patriarcado mata sem dó: mata mulheres e homens negros e pobres, mata as gays, mata as lésbicas, se mata quando não dá conta disso tudo.

Estamos falando aqui de traços como fechamento e competitividade que levam a uma agressividade com tendência à violência e ao uso desmedido da força. Assim, os homens são os que mais se suicidam, mais matam, mais morrem e mais se expõem a situações perigosas. Acontece que tá difícil continuar matando mulheres e sair impune, seja por leis mais rígidas, mas principalmente porque mulheres não estão mais se sujeitando a isso. Aí o tal ministro tem razão que os homens estão se sentindo intimidados. E o que fazer quando não posso matar o feminino corporificado no outro? Mato o feminino em mim. “Carlos, não se mate”.

Leia mais:  Menopausa e hipertensão

 

A escritora, Virginia Woolf, escreveu lá por 1930 que “as mulheres, durante séculos, serviram de espelho aos homens por possuírem o poder mágico e delicioso de refletirem uma imagem do homem duas vezes maior que o natural”. Acontece que o espelho não quer mais refletir sua valentia, sua virilidade, sua masculinidade. O espelho resolveu olhar pra si. É hora de mudar, Carlos, “você é o grito que ninguém ouviu no teatro e as luzes todas se apagam”, como bem disse Drummond. É hora de parar de ter medo de “ser mulherzinha” e virar gente. Acredite, é muito mais agradável que a morte. Mais coragem, homem, cadê aquele Davi contra Golias? Cadê aquele Hércules contra a Hydra de Lerna? Os monstros e gigantes são só as sombras da sua aversão ao feminino. Não se mate, Carlos. Mude.

 

*Setembro Amarelo  é uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio, iniciada em 2015. É uma iniciativa do Centro de Valorização da Vida, Conselho Federal de Medicina e Associação Brasileira de Psiquiatria.

 

Andhressa Sawaris Barboza é Jornalista e cientista social – Mestrado em Comunicação e Mediações Culturais

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Série Governantes: Faça a sua parte

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Por Francisney Liberato

“Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país.” John F. Kennedy

Uma das características mais marcantes do brasileiro é a sua criatividade. Ele consegue desenvolver e pôr em prática várias habilidades como: ideias, pensamentos, empreendedorismo, visando o seu bem-estar e o seu conforto, como também o de sua família.

Segundo o site “Terra”, em 30/09/2019, é apresentada uma pesquisa a qual conclui: “A pesquisa Amway Global Entrepreneurship Report (AGER) revela que 56% dos brasileiros desejam ser donos do seu próprio negócio. Destes, 74% são jovens entre 18 e 35 anos. O índice do Brasil é maior que a média global, que está em 47%”.

Vejam que no Brasil os jovens desejam criar e empreender, eles querem ter o seu próprio negócio. Isso é muito positivo para nossa nação. Infelizmente, uma coisa é desejar e querer ser um empresário, outra, bem diferente, é efetivar esse desejo.

Não podemos permitir que o conceito autocrático, isto é, esperar que as ideias, iniciativas e as respostas sejam exclusivamente do chefe, do líder, do diretor escolar, do pai e da mãe, do governante, do presidente, uma vez que, se agirmos dessa maneira, veremos falecer a nossa liberdade de criar.

É fundamental para todos que tenham uma mentalidade aberta e moderna que as pessoas criem e empreendam mais, pois é por intermédio disso que é gerada riqueza para o nosso país.

Você deve olhar para dentro de si e se perguntar: Qual é a sua vocação para melhorar a sua vida, a vida da sua família, dos seus entes queridos e do país onde reside? Essa reflexão é de extrema importância.

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A responsabilidade é única e exclusivamente sua. Aqui existe um conceito fundamental que devemos ter como prisma em nossas vidas, que é chamado de Autorresponsabilidade. Em síntese, é necessário trazer para si a responsabilidade, e não a de colocar sobre o encargo do outro, como: os seus pais, seus familiares, seus empregadores e seus governantes. Em outras palavras, o sucesso ou fracasso da sua vida está em sua alçada.

Se pensarmos a vida dessa forma, saiba que teremos uma nação moderna e próspera, com índices de desenvolvimento econômico e humano semelhantes aos de países do primeiro mundo.

Entretanto, muitos indivíduos têm dificuldades de entender o seu propósito para esta vida. Muitos estudantes que estão cursando uma faculdade já pensam em desistir, por entender que não é bem isso o que sonham para sua vida. Enquanto existem muitos indivíduos desejando crescer evoluir, por outro lado, têm, infelizmente, os que esperam “a comida, o emprego, o dinheiro caírem do céu”.

John Fitzgerald Kenedy ou JFK foi um político norte-americano que governou os Estados Unidos (1961-1963), o seu nome está registrado como o 35° presidente daquela nação. Ele é considerado uma das grandes personalidades do século XX.

Kennedy se tornou o segundo presidente mais jovem do seu país, depois de Theodore Roosevelt. Infelizmente, não conseguiu terminar o seu mandato, uma vez que foi assassinado em 1963.

O presidente John Kennedy proferiu uma célebre frase que ainda tem uma enorme relevância para os nossos dias: “Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país”.

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Podemos parafrasear essa afirmação do ex-presidente americano para o nosso contexto: o que nós brasileiros podemos fazer pelo Brasil? O que estamos fazendo para melhorar o nosso país? Qual tem sido a minha e sua contrapartida para desenvolver e aperfeiçoar esta nação? Como podemos abandonar determinadas atitudes paternalistas e viver de forma mais racional, visando o bem comum? O Estado pertence a todos nós. Devemos fazer a nossa parte, e não exigir que Estado seja o responsável e provedor por tudo.

Nosso país é formado pela diversidade cultural, étnica e social de milhares de brasileiros, que nem sempre concordam com as decisões dos nossos governantes, mas todos fazemos parte da nação, e devemos caminhar em um mesmo sentido. A nossa Constituição de 1988 dispõe que todo poder se origina do povo. O poder está nas mãos de cada ser habitante deste país. Nós podemos e devemos fazer o melhor pelo Estado, independentemente de questões políticas e partidárias.

Não diga o que o país deve fazer por você, use a sua criatividade, empreendedorismo, e faça o seu melhor na medida de suas condições, e de acordo com as suas circunstâncias. Seja presente e deixe o seu legado para esta nação. A responsabilidade pelo sucesso ou fracasso do Brasil está em nossas mãos. Está disposto a tomar uma iniciativa para contribuir com a República Federativa do Brasil?

Francisney Liberato Batista Siqueira é Auditor Público Externo do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Chefe de gabinete de Conselheiro do TCE-MT, Palestrante Nacional, Professor, Coach, Mentor, Advogado e Contador, Autor dos Livros “Mude sua vida em 50 dias”, “Como falar em público com eficiência” e “A arte de ser feliz”.

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