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TCE julga improcedente representação sobre suposta irregularidade em acúmulo de cargo

O prefeito deveria ter enviado ao TCE-MT, documentos e informações sobre o suposto acumulo ilegal de cargos pela Sra. Ana Maria Vicente Barbosa, enfermeira na Prefeitura (30 horas semanais) e na Secretaria de Estado de Saúde (40 horas semanais).

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Thiago Bergamasco | TCE-MT

Conselheiro Interino Corregedor-Geral - Isaias Lopes da Cunha

Conselheiro Interino do TCE-MT, Isaias Lopes da Cunha

O Tribunal de Contas do Estado, por meio da sua Segunda Câmara de Julgamentos, considerou improcedente a Representação de Natureza Interna formulada pelo titular da Secretaria de Controle Externo em função de suposto descumprimento de Acórdão nº 3.647/2015-TP por parte da administração da Prefeitura Municipal de São José do Rio Claro, sob a gestão de Natanael Casavechia.

 

Pelo Acórdão, o prefeito deveria ter enviado ao TCE-MT, documentos e informações solicitadas referentes ao cumprimento das determinações exaradas pelo Acórdão nº 3.647/2015 sobre o suposto acumulo ilegal de cargos pela Sra. Ana Maria Vicente Barbosa, enfermeira na Prefeitura Municipal de São José do Rio Claro (30 horas semanais) e na Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (40 horas semanais), cumulados com o exercício de função comissionada de dedicação exclusiva naquele ente municipal.

 

ASSISTA AO JULGAMENTO

 

No entanto, ao analisar os autos, o conselheiro interino Isaías Lopes da Cunha constatou que, tendo em vista a especificidade de jornada diária e semanal dos cargos públicos na área de saúde, não se vislumbra, a principio, ilegalidade no cumprimento da jornada de trabalho pela servidora que acumulou dois cargos públicos de enfermeira, com carga horária total de 70 horas semanais.

 

O relator também constatou que, no presente caso, além da acumulação dos cargos públicos ter sido considerada licita, a carga horaria e plenamente factível de ser atendida, tendo em vista tratar-se de dois cargos públicos de profissional da área de saúde, bem como não verificou indício de má-fé da servidora.

 

“Assim, em que pese o gestor não tenha instaurado procedimento específico, para fins de apurar a jornada de trabalho da servidora, e considerando que ela já foi exonerada de um dos vinculo, em observância ao principio da razoabilidade e da proporcionalidade, afasto a presente irregularidade”, concluiu o conselheiro.

 

O relator encaminhou seu voto de mérito em divergência com o parecer proposto pelo Ministério Público de Contas, a fim de conhecer e julgar improcedente a RNI, determinando seu arquivamento. O voto do relator foi seguido pela unanimidade dos demais membros da Câmara de Julgamentos.

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Cuiabá

Prefeitura de Cuiabá não paga empresa e 105 funcionários ficam sem receber; TCE-MT media solução

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O presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, informou que o Tribunal já está buscando uma solução junto com a Prefeitura | Foto: Alair Ribeiro

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, recebeu trabalhadores e representantes da empresa MD Terceirizados, nesta segunda-feira (13), para tratar do impasse que deixou 105 ex-funcionários da limpeza urbana de Cuiabá sem receber verbas rescisórias e salários. Segundo a empresa, os atrasos decorrem de uma dívida de R$ 2,5 milhões da Prefeitura de Cuiabá.

De acordo com representantes da empresa, que teve o contrato com a prefeitura encerrado em janeiro deste ano, os débitos se acumulam desde o fim de 2024 e inviabilizaram o pagamento dos trabalhadores. Para quitar as obrigações trabalhistas, seriam necessários cerca de R$ 1,5 milhão.

“O caso específico que recebemos hoje é de uma empresa que prestava serviços para a Prefeitura de Cuiabá e contava com cerca de 500 funcionários responsáveis pela limpeza urbana, como varrição e pintura de meio-fio. É uma situação em que um município deixa de pagar uma empresa, que acaba sem condições de quitar seus compromissos com os trabalhadores”, afirmou Sérgio Ricardo.

Na ocasião, o presidente informou que o Tribunal já está buscando uma solução junto com a Prefeitura. “Nossa equipe já trabalha na busca de uma solução desde a semana passada. Nossa prioridade é garantir que esses trabalhadores recebam o quanto antes. Depois, será tratada a questão do pagamento da empresa”, enfatizou.

Colapso financeiro

Representando a MD Terceirizados, a advogada Catiane Janjob afirmou que o colapso financeiro resulta da falta de pagamentos referentes a novembro e dezembro de 2024. “Durante todo esse período, a empresa continuou arcando com os custos da operação, pagando funcionários, fornecendo mão de obra e equipamentos. Na prática, financiou a prestação dos serviços públicos sem receber a contrapartida do município.”

A advogada explicou ainda que as negociações não avançaram e que o presidente do TCE-MT foi acionado pelo próprio Executivo municipal para contribuir na construção de uma solução consensual. Para ela, a mediação do Tribunal é essencial para viabilizar o pagamento dos trabalhadores.

“A atuação do Tribunal de Contas surgiu justamente nesse contexto. Estávamos buscando uma solução junto à Prefeitura de Cuiabá, e o presidente do Tribunal de Contas, conselheiro Sérgio Ricardo, foi acionado pelo próprio prefeito para contribuir na construção de uma alternativa. Fomos muito bem recebidos e saímos esperançosos de que o problema será solucionado”, afirmou.

Direitos trabalhistas

Aneliet Gamboa atuava como agente de conservação na empresa antes do encerramento do contrato. Cubana, a ex-funcionária e os filhos dependem da quitação do salário atrasado e das verbas trabalhistas para honrar compromissos financeiros, como aluguel e cartão de crédito.

“Hoje, nossa situação está muito difícil. Ainda não recebemos as verbas rescisórias nem o salário referente ao período do aviso-prévio. Isso trouxe muitas dificuldades financeiras para todos nós. Conseguimos chegar até o presidente do Tribunal de Contas, conselheiro Sérgio Ricardo, que nos recebeu muito bem e está buscando uma alternativa para resolver esse problema. Somos muito gratos por essa iniciativa”, relatou na reunião.

Para a ex-agente de roçagem Suellen Cristina Guimarães Alves, a atuação do Tribunal de Contas traz esperança aos trabalhadores. “Procuramos a Prefeitura de Cuiabá, mas não conseguimos uma resposta. Agora, fomos recebidos pelo presidente Sérgio Ricardo, que está conduzindo esse diálogo para que possamos receber nossos direitos. Não estamos pedindo nenhum favor. Queremos apenas receber pelo trabalho que realizamos e superar essa situação com dignidade.”

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