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BRASIL E MUNDO

 Lula e Flávio Bolsonaro vão ao segundo turno da eleição presidencial; senador surpreende e chega à frente

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O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vão decidir a eleição presidencial de 2026 no segundo turno, marcado para 25 de outubro. Com mais de 96% das urnas apuradas neste domingo (4), Flávio Bolsonaro aparecia com 47,72% dos votos válidos, contra 44,70% de Lula — resultado que contrariou a maior parte das pesquisas, que apontavam o petista terminando o primeiro turno na liderança.

Como nenhum candidato alcançou a maioria absoluta dos votos válidos, os dois mais votados seguem para a etapa decisiva. A disputa reproduz, em parte, a lógica de 2022: Lula manteve sua base eleitoral consolidada, enquanto Flávio ocupou o espaço político antes liderado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que deu lugar ao filho na corrida pelo Planalto.

Aos 80 anos, Lula tenta um inédito quarto mandato. Ex-metalúrgico e ex-líder sindical, governou o país entre 2003 e 2011 e voltou ao Palácio do Planalto em 2023, após derrotar Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro, de 45 anos, disputa a Presidência pela primeira vez. Formado em direito, começou a carreira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde cumpriu quatro mandatos, e está no Senado desde 2019. A única experiência anterior em eleição ao Executivo foi em 2016, quando concorreu à Prefeitura do Rio e ficou fora do segundo turno.

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A campanha de cada lado

Foram 49 dias de campanha em um primeiro turno novamente marcado pela polarização entre petismo e bolsonarismo. Lula explorou a ligação de Flávio com o pai, defendeu as ações do governo e tentou associar o adversário às suspeitas do escândalo do Banco Master. Pressionado pelas pesquisas, o presidente recorreu a uma série de medidas com impacto direto no bolso da população, como nova edição do Desenrola Brasil, contenção da alta dos combustíveis e o fim da tributação federal sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada “taxa das blusinhas”.

Flávio, por sua vez, tentou reacender o antipetismo que levou o pai ao Planalto em 2018. Concentrou ataques na gestão petista sobre economia e segurança pública, criticou o Supremo Tribunal Federal e explorou suspeitas envolvendo pessoas próximas ao presidente. Ao mesmo tempo, buscou se apresentar como uma figura diferente do pai — chegou a admitir erros do governo Jair Bolsonaro — e investiu na aproximação com o eleitorado feminino. Na reta final, apostou em ataques a Lula, no pedido de voto útil e no giro pelo Sudeste.

Desacreditado no início da disputa, quando foi escolhido por Jair Bolsonaro para representá-lo nas urnas, o senador enfrentou ainda fogo amigo dentro da própria base, com caciques partidários defendendo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para o Planalto. Mesmo assim, chegou ao primeiro turno sem outros partidos coligados ao PL.

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Terceira via

Além dos dois finalistas, outros 11 candidatos disputaram o Palácio do Planalto: Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Augusto Cury (Avante), Hertz Dias (PSTU), Leonardo Avalanche (PRTB), Renan Santos (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP), Veterinário Wilson Grassi (Democrata) e Romeu Zema (Novo). O escritor Augusto Cury chegou a alcançar dois dígitos de intenção de voto após o primeiro debate, em setembro, mas perdeu fôlego e voltou a disputar o terceiro lugar com o ex-governador goiano Ronaldo Caiado.

A partir desta segunda-feira (5), as duas campanhas passam a disputar diretamente os eleitores dos candidatos que ficaram pelo caminho — e também o apoio do Centrão.

Datas do segundo turno

A campanha recomeça já nesta segunda-feira, com liberação de atos de rua e anúncios na internet. A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV retorna em 9 de outubro e segue até o dia 23, data-limite também para a realização de debates. Em 24 de outubro, véspera do pleito, encerra-se o prazo para carreatas, caminhadas e distribuição de material de campanha. No domingo (25), os eleitores voltam às urnas, das 8h às 17h, para escolher o próximo presidente do Brasil.

 

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Petrobras anuncia nova descoberta de petróleo na Margem Equatorial, a 175 km da costa do Amapá

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A Petrobras confirmou nesta sexta-feira (2) mais uma descoberta de petróleo no poço Morpho, localizado na chamada Margem Equatorial, a 175 quilômetros da costa do Amapá. É a segunda ocorrência na área em menos de dois meses — a anterior havia sido anunciada em meados de agosto.

O poço, identificado como 1-BRSA-1405-APS, opera em águas ultraprofundas, com lâmina d’água de 2.886 metros, na bacia da Foz do Amazonas. A nova descoberta foi identificada por meio de perfis elétricos, indícios em rocha e amostras de fluidos obtidos durante as operações de perfuração.

Segundo a estatal, após a descoberta de agosto, a perfuração prosseguiu com o objetivo de “avaliar intervalos exploratórios mais profundos”. Em nota, a companhia afirmou que a nova ocorrência “amplia o conhecimento sobre o potencial exploratório da área e fornecerá informações adicionais para a avaliação dos sistemas petrolíferos e do potencial de recursos da Bacia Sedimentar da Foz do Amazonas”.

O óleo encontrado em agosto já foi confirmado como de “boa qualidade”. O material da segunda descoberta ainda passará por análises laboratoriais, e a perfuração no Morpho continua, para avaliação das formações identificadas.

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A nova fronteira do petróleo

A Margem Equatorial é considerada a nova fronteira exploratória do setor no Brasil e chega a ser chamada de “novo pré-sal” por causa do potencial esperado. Descobertas significativas recentes na Guiana e no Suriname alimentam essa perspectiva promissora.

Um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, estima que o volume potencial total recuperável da Bacia da Foz do Amazonas pode chegar a 10 bilhões de barris de óleo equivalente — medida que soma petróleo e gás natural. Para efeito de comparação, dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o Brasil encerrou 2025 com cerca de 70 bilhões de barris entre reservas provadas, prováveis e possíveis, somente de petróleo.

A exploração no bloco Foz da Amazônia (FZA-M-59) integra, segundo a Petrobras, a estratégia de longo prazo de recomposição das reservas de petróleo e gás em novas fronteiras, “contribuindo para o atendimento à demanda energética do país”. O pano de fundo é o declínio esperado do pré-sal, na costa do Sudeste: sem novas descobertas, as reservas daquela região devem começar a cair na próxima década.

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A história da área começou em 2013, quando a petrolífera multinacional britânica BP arrematou a licitação do bloco. Por decisão estratégica, a companhia repassou a concessão à Petrobras em 2021.

Licença ambiental e controvérsia

A autorização para perfurar a Margem Equatorial foi obtida em outubro de 2025, concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. A decisão dividiu posições: de um lado, empresas de petróleo e setores do governo; do outro, ambientalistas preocupados com o impacto da exploração na região.

A Petrobras defende que as perfurações são feitas de forma “segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas”. A presidente da companhia, Magda Chambriard, observa que, apesar do nome, o bloco Foz do Amazonas fica a 540 quilômetros da desembocadura do rio propriamente dita.

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