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BRASIL E MUNDO

Lei torna futebol feminino prioridade na política de esporte

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Entrou em vigor a lei que torna o desenvolvimento do futebol feminino prioridade na política pública esportiva nacional, com foco na profissionalização e na igualdade de oportunidades. Publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (29), a norma estabelece atribuições para o Estado, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), federações e clubes e define diretrizes nacionais para o desenvolvimento da modalidade.

De acordo com a Lei 15.522, de 2026, as entidades formadoras de atletas de futebol deverão manter também equipes femininas. A exigência, no entanto, entrará em vigor 180 dias após a publicação da norma e poderá ser prorrogada por igual período. As organizações esportivas formadoras de futebol feminino terão os mesmos direitos e benefícios assegurados às entidades formadoras do futebol masculino.

A nova lei também altera a Lei das Sociedades Anônimas do Futebol (SAF) para determinar que o clube interessado em se constituir como SAF forme atletas de futebol feminino e masculino, ou apenas feminino.

Ministério do Esporte

Segundo a lei, compete ao Ministério do Esporte promover condições favoráveis ao desenvolvimento do futebol feminino profissional e amador. Entre as atribuições estão o estímulo à participação de meninas na modalidade, o fortalecimento das competições de formação em todas as idades e o apoio à criação e à manutenção de equipes profissionais e de base.

O ministério deverá ainda estimular a inclusão do futebol feminino em programas de formação esportiva e incentivar a elaboração de calendários de competições com antecedência, de forma a favorecer o planejamento de clubes, atletas e demais profissionais.

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Também caberá ao ministério, em articulação com a CBF, federações, clubes e outras entidades públicas e privadas, elaborar protocolos de prevenção e enfrentamento ao racismo, à discriminação, ao preconceito e à violência contra as mulheres no futebol. As medidas abrangem atletas, árbitras, treinadoras, torcedoras, gestoras, profissionais de educação física e outras mulheres que atuam na modalidade.

A norma prevê ainda o estímulo a parcerias entre escolas, universidades e clubes para a identificação e a formação de novos talentos, além de ações de capacitação e empregabilidade de mulheres em áreas como arbitragem, treinamento, gestão, direção esportiva e educação física.

Profissionalização

A lei estabelece limites para a participação de atletas não profissionais nas competições oficiais de futebol feminino. Na principal divisão nacional, cada equipe poderá inscrever até quatro atletas não profissionais. Nas demais divisões nacionais e na principal divisão estadual, o limite será de seis. Nas demais competições profissionais, poderão ser inscritas até oito atletas não profissionais.

A quantidade deverá ser reduzida progressivamente. A lei determina que ato do Poder Executivo federal estabeleça os parâmetros para essa redução até a total profissionalização das competições oficiais de futebol feminino.

Entre as diretrizes da política nacional estão a garantia do direito ao esporte para meninas e mulheres; a promoção da igualdade de oportunidades; o incentivo a ações e medidas destinadas à igualdade salarial entre homens e mulheres no futebol; o combate à discriminação, ao racismo, à intolerância e à violência contra as mulheres; a ampliação da participação feminina em cargos de gestão, direção técnica e arbitragem; e a proteção dos direitos relacionados à gravidez e à maternidade.

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A legislação também prevê a cooperação entre União, estados, Distrito Federal e municípios para o fortalecimento do futebol feminino.

Lei Geral do Esporte

A nova legislação altera dispositivos da Lei Geral do Esporte para exigir das entidades esportivas programas permanentes de prevenção e combate à violência contra a mulher e protocolos de enfrentamento à discriminação e à intolerância.

As entidades também deverão assegurar igualdade de condições para atletas mulheres e homens em formação esportiva, inclusive quanto a espaços, equipamentos e equipes de profissionais de suporte.

A manutenção de equipes femininas de futebol passa a ser requisito para a obtenção de determinadas certificações esportivas. Essa exigência entrará em vigor em 180 dias e poderá ser prorrogada por igual período.

Copa do Mundo

A lei determina ainda a elaboração de um plano de legado social, esportivo e financeiro da Copa do Mundo Feminina da Fifa 2027, alinhado às estratégias nacionais de desenvolvimento do futebol feminino.

A competição será realizada no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho de 2027, em Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

A lei teve origem no PL 4.578/2025, do Poder Executivo, aprovado pelo Senado no começo de setembro com relatoria da senadora Teresa Leitão (PT-PE).

 

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BRASIL E MUNDO

Garagem de concessionária vira sala de aula para futuros cães-guia

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A garagem da concessionária BRT Sorocaba ganhou, por alguns dias, uma função diferente da habitual: virou campo de treinamento para os futuros cães-guia e de assistência do Instituto Adimax. A cada cinco meses, os animais em formação passam pela estrutura para enfrentar, de forma simulada, os desafios do transporte coletivo urbano — do embarque ao ruído dos motores, passando pelo comportamento adequado durante as viagens. A meta é que, ao fim do processo, cada cão ofereça autonomia e segurança plenas a pessoas com deficiência visual ou limitações emocionais que dependem do ônibus no dia a dia.

O treinamento reproduz situações reais da rotina do transporte público: o tempo de parada, a abertura e o fechamento das portas, o deslocamento com o veículo em movimento e o desembarque. Por acontecer em ambiente controlado, a experiência reduz o estresse do animal diante de situações futuras, transformando a viagem de ônibus em algo natural e previsível para o cão.

Renato Andere, presidente da Concessionária BRT Sorocaba, destaca a parceria e o compromisso social da empresa. “O trabalho do Instituto Adimax é de alto valor. Apoiar essa iniciativa é democratizar a mobilidade urbana e possibilitar a inclusão social de fato. Nos dias de treinamento, a garagem ganha uma atmosfera de leveza e afeto, mas o impacto real está na transformação da vida de quem receberá esse amparo. Somos admiradores desse nobre serviço”, afirma.

Apesar do bom resultado técnico das simulações, o programa enfrenta um gargalo: faltam famílias socializadoras. São voluntários que acolhem os filhotes em casa por um período determinado, apresentando-os à convivência em sociedade e a diferentes ambientes antes da etapa final de treinamento.

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Joice Silva, coordenadora do programa de desenvolvimento de filhotes do Instituto Adimax, explica que não é preciso experiência prévia para assumir a função. “Ser uma família socializadora não exige experiência prévia com esse tipo de treinamento, mas sim tempo, compromisso e disposição para ensinar o básico: educação, rotina e limites”, afirma. Segundo ela, essa fase é decisiva para que o cão aprenda a respeitar espaços, pessoas e outros animais. As inscrições de interessados podem ser feitas no site oficial do instituto.

O cão em fase de socialização pode ser reconhecido nas ruas pelo colete amarelo e pela placa de identificação. A circulação livre desses animais em transportes públicos é garantida pela Lei Federal nº 11.126 (regulamentada pelo Decreto 5.904), que assegura o acesso do cão-guia a locais públicos e privados de uso coletivo.

Os números do instituto mostram a dimensão do trabalho: mais de 100 cães de assistência já foram entregues em diversas regiões do Brasil. A organização, sem fins lucrativos e sediada em Salto de Pirapora, no interior paulista, atende idosos carentes, pessoas e animais com deficiência, com o propósito de construir uma sociedade mais equânime e acolhedora.

A estrutura da sede é completa: são 15 mil metros quadrados com maternidade, canil, clínica veterinária, centro cirúrgico, áreas de soltura, lazer e treinamento, prédio administrativo e hotel para receber os futuros usuários de cães-guias. A equipe multidisciplinar soma 53 colaboradores, distribuídos entre saúde e bem-estar, área técnica, administrativo, relações institucionais, assistência social, responsabilidade social e operações.

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O caminho de cada cão-guia começa nas famílias voluntárias, onde os animais passam cerca de um ano sendo expostos às mais variadas situações do cotidiano — com tempo e afeto incluídos. Depois, retornam ao instituto para um treinamento de 4 a 6 meses. Formados, são doados gratuitamente a candidatos que atendam aos requisitos do programa, dando início à sua missão: transformar a vida de pessoas com deficiência visual. Além do Programa Cão Guia, o Adimax mantém outros 11 programas sociais voltados à inclusão e ao cuidado de pessoas em situação de vulnerabilidade. As inscrições para o programa podem ser feitas no site www.institutoadimax.org.br, na aba cão guia.

Do lado da operação, a BRT Sorocaba é uma Sociedade de Propósito Específico formada pelas empresas CS Brasil e Terra Transportes e Participações S.A (Grupo MobiBrasil), ambas com experiência no setor de transportes. Responsável pela implantação, operação e manutenção do novo sistema de transporte coletivo urbano de Sorocaba, a companhia foi pioneira no Brasil em empreendimento com concessão de transporte coletivo para construção e operação e emprega 600 colaboradores diretos.

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