artigos
Mato Grosso é feito pelas mãos de quem planta
Por Max Russi
Antes de ser líder nacional na produção de grãos, carnes e fibras, Mato Grosso é a terra de milhares de famílias que acordam antes do amanhecer para produzir alimentos, gerar empregos e movimentar a economia. É esse trabalho diário que faz do nosso Estado uma referência para o Brasil e o mundo. Neste 28 de julho, Dia do Agricultor, celebramos quem transforma a terra em desenvolvimento e reafirmamos o compromisso de valorizar quem produz.
Instituída em 1960 pelo presidente Juscelino Kubitschek, a data homenageia homens e mulheres que sustentam um dos setores mais importantes da economia brasileira. Em Mato Grosso, esse reconhecimento tem um significado especial, pois o agronegócio e a agricultura familiar caminham juntos na construção da riqueza do Estado.
Como presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, acompanho de perto os desafios enfrentados pelos produtores rurais. Ao longo da minha trajetória parlamentar, procurei transformar esse reconhecimento em políticas públicas voltadas principalmente ao fortalecimento da agricultura familiar.
Foi com esse objetivo que apresentei a Lei nº 10.638/2017, que destina 30% das compras da Administração Pública Estadual à produção agropecuária de pequeno porte. A iniciativa ampliou o mercado para milhares de agricultores familiares, garantiu mais renda, incentivou a permanência no campo e fortaleceu a economia dos municípios.
Também apresentei, em 2016, o projeto que reduziu as taxas para a comercialização de sementes e mudas em pequenas quantidades, estimulando as hortas caseiras, a produção de alimentos e a geração de renda. Mais recentemente, apresentei o projeto que resultou na Lei nº 13.119/2025, declarando de utilidade pública o assentamento de Cocalinho e garantindo mais segurança jurídica às famílias da região.
Na discussão sobre a Moratória da Soja, minha atuação foi institucional. A Lei nº 12.709/2024 é de autoria do deputado Gilberto Cattani.
Como presidente da Assembleia Legislativa, conduzi a defesa da norma e da posição do Parlamento mato-grossense em favor dos produtores rurais. A legislação foi questionada no Supremo Tribunal Federal, e a Assembleia acompanhou todo o processo até a decisão que manteve sua eficácia.
Depois, o tema ganhou repercussão internacional ao ser citado em uma investigação comercial aberta pelos Estados Unidos. Em todas essas discussões, reafirmei que Mato Grosso defenderá seus produtores dentro da Constituição e das leis brasileiras.
Esses episódios refletem duas frentes da minha atuação: como deputado estadual, apresentando propostas para fortalecer a agricultura familiar e a pequena produção; e como presidente da Assembleia Legislativa, defendendo institucionalmente as leis aprovadas pelo Parlamento e os interesses de Mato Grosso.
No Dia do Agricultor, 28 de julho, renovo minha gratidão a todos que fazem do campo a força que impulsiona nosso Estado. O futuro de Mato Grosso continuará sendo cultivado por quem trabalha com coragem, produz com responsabilidade e transforma cada safra em desenvolvimento para toda a sociedade.
Max Russi é deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
artigos
Neurodivergência não termina no diagnóstico
Por Irajá Lacerda
Pela primeira vez, o Censo Demográfico identificou 2,4 milhões de brasileiros diagnosticados com autismo, o que representa 1,2% da população. É um avanço real: nenhuma política pública se planeja sem saber quem precisa dela. Mas, antes mesmo de aparecer nas estatísticas, muitas famílias enfrentam uma longa espera. No interior de Mato Grosso, por exemplo, tenho ouvido relatos de pais que esperam meses pelo diagnóstico dos filhos e, muitas vezes, quase um ano por uma consulta com neuropediatra ou terapeuta.
Ou seja, a criança apresenta sinais, a escola alerta, a família busca ajuda, mas a avaliação especializada demora a chegar. Sem diagnóstico no tempo certo, ficam mais distantes as terapias e as adaptações. A intervenção precoce faz toda a diferença, mas ela não existe quando o acesso ao laudo é tardio. Mato Grosso conta com serviços especializados, mas uma unidade de referência não substitui equipes preparadas em cada município. É preciso ampliar a capacidade de avaliação na rede pública, qualificar profissionais da atenção básica e utilizar atendimento itinerante e telemedicina para alcançar as regiões mais distantes.
Só que essa espera é apenas o primeiro capítulo de um desafio maior. Entre 2015 e 2024, a proporção de matrículas da Educação Especial atribuídas ao autismo saltou de 5,6% para 44,2%, segundo o Censo Escolar. Em uma década, a pressão das famílias fez a rede de ensino abrir as portas para essas crianças. Garantir o acesso foi um passo inicial indispensável, mas matrícula não pode ser confundida com inclusão real. De nada adianta estar na sala de aula sem equipe multiprofissional, professores preparados, mediadores e adaptações pedagógicas efetivas.
O problema ganha contornos ainda mais graves quando essa criança cresce. Ao completar 18 anos, ela sai de um sistema que, ao menos, aprendeu a registrar sua presença e entra em um mercado que ainda não sabe o que fazer com ela. Entre autistas com 25 anos ou mais, 46,1% não têm instrução ou não concluíram o ensino fundamental — bem acima dos 35,2% da população geral. No mercado de trabalho, cerca de 85% dos autistas adultos no Brasil sequer estão inseridos.
A realidade vai além do autismo: pessoas com TDAH, dislexia, discalculia e outras condições neurodivergentes seguem quase invisíveis nas estatísticas e nos orçamentos públicos. Quem não aparece nos dados também não aparece na formação de profissionais e na oferta de serviços.
Uma lei federal de 2024 determinou a integração do cadastro nacional de pessoas autistas ao Sine, para facilitar o encaminhamento a vagas e contratos de aprendizagem. Passado mais de um ano da sanção, é hora de cobrar resultados práticos: quantas pessoas foram encaminhadas, quantas foram contratadas e quais empresas de fato se prepararam para recebê-las?
A própria Câmara dos Deputados avançou nessa discussão ao aprovar, na Comissão de Trabalho, o Projeto de Lei nº 1.756/2025, que cria regras para que as empresas adaptem instalações, treinamentos e rotinas de gestão. Afinal, a inclusão de verdade não termina na assinatura da carteira, mas na garantia de permanência e respeito no ambiente de trabalho.
O diagnóstico não pode ser o ponto final de uma longa espera na infância, nem a inclusão pode ser uma promessa que expira aos 18 anos. Precisamos de uma rede pública integrada que acompanhe a pessoa neurodivergente por toda a vida: do diagnóstico célere à saúde, da escola ao mercado de trabalho. O Brasil começou a enfrentar o desafio do acesso na infância, embora ainda precise entregar a qualidade que as famílias merecem. Agora, precisa provar que não vai cruzar os braços quando esse jovem chegar à vida adulta.
Irajá Lacerda é ex-secretário executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária e ex-presidente da Comissão de Direito Agrário da OAB-MT.
-
AGRO & NEGÓCIO7 dias atrásSafra 26/27 deve começar sob excesso de chuva no Sul e seca no Centro-Oeste
-
AGRO & NEGÓCIO7 dias atrásBrasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
-
AGRO & NEGÓCIO7 dias atrásChuva atrasa colheita no Brasil e faz café subir mais de 3% em Nova York
-
AGRO & NEGÓCIO6 dias atrásColheita do algodão avança em Mato Grosso com alta produtividade
-
tce mt7 dias atrásTribunal de Contas busca solução para garantir repasses e manter atendimentos do Instituto Lions da Visão
-
esportes5 dias atrásFluminense empata com o Bahia e chega ao quinto jogo sem vencer no Brasileirão
-
tce mt5 dias atrásSérgio Ricardo convoca instituições para enfrentar fome que atinge até 1 milhão de pessoas em Mato Grosso
-
POLÍTICA MT6 dias atrásLei de Júlio Campos cria barreiras sanitárias e destina recursos emergenciais para conter gripe aviária no estado




