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AGRO & NEGÓCIO

Carne de Mato Grosso é destaque em festival que reúne os maiores churrasqueiros do Brasil

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Chef e especialista em churrasco Júlia Carvalho

A qualidade da carne bovina de Mato Grosso ganhou espaço e destaque em um dos principais eventos gastronômicos da América Latina no último sábado (1º). A Churrascada, realizada em São Paulo, reuniu alguns dos principais nomes da gastronomia e do churrasco brasileiro. Entre os protagonistas do evento estava o MT Steak, corte bovino que representa a pecuária mato-grossense no cenário nacional e internacional.

A participação no festival reforça a estratégia de posicionar a carne produzida em Mato Grosso como um produto de alto valor agregado, aproximando a produção do consumidor final e evidenciando atributos como qualidade, maciez, sabor e padronização dos cortes. O evento também funciona como uma vitrine para apresentar ao público a diversidade e o potencial da carne bovina produzida no maior rebanho comercial do Brasil.

Na edição deste ano da Churrascada, a responsável pelo preparo do MT Steak foi a chef e especialista em churrasco Júlia Carvalho, que também integra a Seleção Brasileira de Churrasco.

“Foi a primeira vez que trabalhei com o MT Steak e é uma carne fácil de grelhar, porque ela é uma peça um pouco menor. Ela é muito interessante e fica bem gostosa”, explica a chef, que levou o corte à Churrascada com inspirações caribenhas.

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Além de MT Steak, Mato Grosso também esteve representado com o boi inteiro, do chef Mário Portella, o peito e acém com o chilli do chef Fih Fernandes e o coração bovino da chef Paula Labaki.

Também não poderia faltar entre as carnes de Mato Grosso na Churrascada a picanha, um dos cortes mais tradicionais do churrasco brasileiro. O responsável pelo preparo foi o chef Rubens Catarina.

“Picanha não tem como errar, é um sucesso. O clássico, gosto e temperadinho. E a carne de Mato Grosso é sensacional, em alguns outros eventos eu usei outras carnes e é triste a gente ouvir que a guarnição está melhor que a carne. E com a carne de Mato Grosso isso nunca acontece”, avalia Catarina.

“A participação em grandes festivais gastronômicos é uma oportunidade estratégica para ampliar a visibilidade da carne de Mato Grosso junto ao consumidor e aos formadores de opinião. Esses eventos ajudam a mostrar que a pecuária mato-grossense não é apenas líder em produção e exportação, mas também entrega uma carne de alta qualidade, com atributos que atendem aos mercados mais exigentes”, enfatiza a diretora executiva do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Paula Sodré Queiroz.

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AGRO & NEGÓCIO

Sorgo pode ocupar 200 mil hectares e ocupar nova fronteira agrícola 

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O cultivo de sorgo pode alcançar cerca de 200 mil hectares no Tocantins na próxima temporada, puxado pela organização da cadeia comercial e pela abertura do mercado chinês ao cereal brasileiro. Se a projeção do setor produtivo se confirmar e a produtividade permanecer próxima de três toneladas por hectare, o Estado terá potencial para colher aproximadamente 600 mil toneladas — mais de três vezes o volume estimado para a safra atual.

A produção tocantinense de sorgo foi estimada em 180 mil toneladas em 2025/26, crescimento de 22,9% sobre o ciclo anterior. O volume ainda representa pouco mais de 2% da safra nacional, mas mostra que a cultura começa a ganhar espaço no planejamento das propriedades, principalmente nas áreas cultivadas depois da colheita da soja.

No Brasil, o sorgo vive uma expansão mais ampla. A produção deve alcançar o recorde de 7,62 milhões de toneladas nesta temporada, avanço de quase 25%, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. A área cultivada cresceu 31,8%, para 2,15 milhões de hectares, enquanto a produtividade média nacional foi calculada em 3.542 quilos por hectare. Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia e São Paulo lideram a produção.

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O avanço coloca o Tocantins diante da possibilidade de aumentar sua participação nesse mercado. A cultura apresenta ciclo relativamente curto e suporta melhor períodos de restrição hídrica do que o milho, característica importante para o cultivo de segunda safra. O sorgo pode ser destinado à fabricação de rações para aves, suínos e bovinos, à produção de silagem, ao processamento industrial e, mais recentemente, às exportações.

A temporada de 2026, porém, mostrou que a resistência à seca não elimina os riscos climáticos. O atraso na implantação de parte das lavouras empurrou o desenvolvimento das plantas para um período de menor disponibilidade de chuva. As áreas semeadas mais cedo apresentaram resultados melhores, enquanto talhões tardios sofreram durante o enchimento dos grãos.

A colheita está praticamente encerrada no Estado, com produtividade média próxima de três mil quilos por hectare, segundo estimativa da Aprosoja Tocantins. O rendimento ficou abaixo da média nacional, mas não interrompeu o movimento de expansão da cultura, especialmente no sul tocantinense.

A principal mudança para os próximos ciclos está no mercado. A China autorizou a compra do sorgo brasileiro em setembro de 2025 e recebeu o primeiro carregamento no início de 2026. O país asiático responde por aproximadamente 80% das importações mundiais do cereal, enquanto Estados Unidos, Austrália e Argentina dominam atualmente as vendas internacionais.

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O comércio exterior brasileiro ainda é pequeno e irregular. O país exportou somente 105 toneladas em 2025, depois de ter embarcado 178,4 mil toneladas em 2024. A habilitação chinesa, portanto, representa mais uma perspectiva de expansão do que um mercado já consolidado.

Para o Tocantins, a proximidade com a Ferrovia Norte-Sul e com os corredores de exportação do Arco Norte pode favorecer a formação de cargas destinadas ao exterior. O aproveitamento dessa oportunidade dependerá, contudo, da oferta de volumes regulares, padronização dos grãos, armazenagem, contratos de comercialização e preços capazes de competir com o milho.

Caso alcance os 200 mil hectares projetados, o sorgo deixará definitivamente a condição de cultura complementar para assumir maior peso na agricultura tocantinense. Além de oferecer uma segunda opção de renda depois da soja, poderá ampliar o aproveitamento das áreas agrícolas, fortalecer a produção regional de ração e inserir o Estado em uma cadeia exportadora que começa a ser estruturada no país.

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